Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [3º Tomo - 2ª Parte - 5º Livro - Cap. 24 - pág. 145/146:][Maria de Ágreda diz:] Os méritos da humildade de Cristo: 980.
O ato de humilhar-se na forma de pecador, recebendo o batismo com os que eram pecadores, Cristo ofereceu ao Pai, por obediência, e para se reconhecer inferior quanto à sua natureza humana, comum aos demais filhos de Adão.
Quis, por este modo, instituir o sacramento do Batismo que, em virtude de seus méritos, havia de tirar os pecados do mundo. Humilhando-se a receber, antes de todos, o Batismo das culpas, pediu e alcançou do eterno Pai, o perdão total para todos os que o recebessem (1 Ped 3, 21). Seriam libertados da tirania do demônio e do pecado, sendo regenerados em novo ser espiritual e sobrenatural, como
filhos adotivos do Altíssimo e irmãos de seu Redentor, Cristo Senhor nosso. Os pecados dos homens, passados, presentes e futuros, todos conhecidos pela sabedoria do eterno Pai, desmereciam este remédio tão suave e fácil, mas Cristo nosso Senhor o mereceu por justiça, para que a equidade do Pai o aceitasse e se desse por satisfeito. Isto, não obstante, saber que muitos dos mortais não se aproveitariam do Batismo recebido, e outros inumeráveis não o aceitariam. Todos estes impedimentos e óbices dos que iam desmerecer tal sacramento, Cristo nosso Senhor removeu e satisfez pelo mérito de se humilhar a
receber o Batismo na aparência de pecador, (Rom 8,3) sendo inocente. Todos estes mistérios estavam encerrados naquelas palavras que disse ao Batista (Mt 3,15): Deixa agora, pois assim convém cumprir toda a justiça. Para acreditar o Verbo humanado, recompensar sua humildade e aprovar o Batismo e seus efeitos, desceu a voz do Pai, e a pessoa do Espírito Santo (Mt 16,17), e Cristo foi declarado Filho de Deus verdadeiro. Assim se manifestaram as três Pessoas em cujo nome seria conferido o Batismo.