Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [3º Tomo - 2ª Parte - 6º Livro - Cap. 29 - pág. 452/453:]
[Nossa Senhora diz a Maria de Ágreda:] A imperfeição humana constrange a bondade divina: 1529. Minha filha, darás feliz conclusão a esta segunda parte de minha vida, ficando muito advertida e instruída da eficacíssima suavidade do divino amor, e de sua liberalidade imensa com as almas que não lhe opõem obstáculos. É mais de acordo com a inclinação do sumo Bem e sua vontade santa e perfeita, antes consolar as criaturas do que afligi-las; mais recompensá-las do que castigá-las; mais confortá-las do que entristece-las. Os mortais, porém, ignoram esta ciência divina. Desejam que da mão do sumo Bem lhes venham as consolações, deleites e prêmios terrestres e perigosos, antepondo-os aos verdadeiros e seguros.
Este pernicioso erro, o amor divino corrige quando os emenda com tribulações, aflige com adversidades, instrui-os com castigos. A natureza humana é tarda, grosseira e rústica. Se não for trabalhada, e se não se quebrar sua dureza, não dá fruto maduro, e com suas inclinações não fica bem disposta para o doce e amabilíssimo trato com o sumo Bem. Assim, é necessário exercitá-la e lapidá-la com o martelo dos trabalhos, e reformá-la no crisol da tribulação, para se tornar idônea e capaz dos dons e favores divinos, aprendendo a não amar os objetos terrenos e falazes onde a morte se esconde.