Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [3º Tomo - 2ª Parte - 6º Livro - Cap. 6 - pág. 219/220:][Maria de Ágreda diz:] A transfiguração: 1099. Decorrera mais de dois anos e meio da pregação e milagres de nosso Redentor e Mestre Jesus. Aproximava-se o tempo marcado pela eterna sabedoria para voltar ao Pai, por meio de sua paixão e morte, e com ela deixar satisfeita a divina justiça e redimido o gênero humano. Como todas as suas obras eram ordenadas à nossa salvação e ensinamento, cheias de divina sabedoria,
determinou o Senhor, preparar alguns de seus apóstolos para o sobressalto que sua morte lhes iria produzir (Mt 26, 31). Quis, antes, lhes mostrar glorioso, aquele corpo passível que depois veriam açoitado a crucificado. Vê-lo-iam transfigurado pela glória, antes de o ver desfigurado pelas dores. Pouco antes ele fizera esta promessa diante de todos, embora apenas para alguns, como refere o evangelista São Mateus (Mt 16, 28). Para isto escolheu um alto monte, o Tabor, situado no centro da Galiléia, a duas léguas de Nazaré para o oriente, subindo até seu cume. Com os três Apóstolos, Pedro, Tiago e seu irmão João,
transfigurou-se diante deles, como narram três evangelistas: Mateus (17, 1-4); Marcos (9,1); Lucas (9,28). Acharam-se também presentes na transfiguração de Cristo, nosso Senhor, os dois profetas Moisés e Elias com ele falando sobre sua Paixão. Enquanto se achava transfigurado veio uma voz do céu que, em nome do eterno Pai, disse: Este é meu Filho muito amado em quem me comprazo; a Ele deveis ouvir.
[...] Explicação da Transfiguração:
[...] Esta glória no corpo resultou da que o Salvador sempre possuiu em sua alma divinizada e gloriosa. Na Encarnação, fez o milagre de suspender os efeitos de glória que ela, permanentemente, devia refletir sobre o corpo. Agora, na transfiguração, cessou, de passagem, aquele milagre, e o corpo puríssimo participou da glória da alma, sendo isso o esplendor e claridade vistos pelos que a assistiam. Terminada a Transfiguração, continuou o milagre de se suspender os efeitos da alma gloriosa. Visto que esta era sempre beatificada, foi também prodígio que o corpo recebesse apenas de passagem, o que, normalmente, sempre deveria ter.