Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [1º Tomo - 1ª Parte - 1º Livro - Cap. 8 - pág. 69 a 74:][Maria de Ágreda diz:] Maria, Mãe dolorosa: 102. E sofria tormentos para dar à luz (Ap 12, 2). Estas palavras
não querem dizer que daria à luz com dores, pois não era isso possível no divino parto. Significam que foi grande dor e tormento para essa Mãe ver que, enquanto homem, aquele corpinho divinizado sairia do segredo de seu seio virginal para padecer. Era destinado a satisfazer o Pai pelos pecados do mundo, pagando o que não havia de cometer (SI 68, 5). Conhecendo tudo isto pela ciência das Escrituras, o natural amor de Mãe tão perfeita, por um filho divino, naturalmente lhe produziria grande sentimento, não obstante sua conformidade com a vontade do eterno Pai. Por este tormento também se entende o que padeceria a Mãe piedosíssima, prevendo o tempo em que estaria privada da presença de seu tesouro, depois que ele deixasse seu virginal tálamo. Se bem quanto à divindade, o tinha concebido na alma, quanto à humanidade santíssima deveria ficar muito tempo separada Daquele que era Filho unicamente seu. Determinara o Altíssimo isentá-la da culpa, mas não dos trabalhos e dores correspondentes à recompensa que lhe estava preparada.
Deste modo, foram as dores deste parto (Gn 3,16), não efeitos do pecado como nas demais descendentes de Eva, mas sim, do intenso e perfeito amor desta divina Mãe, a seu único e Santíssimo Filho. Para os santos anjos foram estes mistérios motivo de louvor e admiração, e para os maus, princípio de castigo.
[2º Tomo - 2ª Parte - 4º Livro - Cap. 10 - pág. 203:][Maria de Ágreda diz:] Nascimento de Cristo: 475. Esteve Maria santíssima neste rapto e visão beatífica mais de uma hora imediata a seu divino parto. Ao mesmo tempo que dele voltava percebeu e viu que o corpo do Menino Deus movia-se em seu virginal seio, para deixar aquele sagrado tálamo onde permanecera nove meses.
Este movimento do Menino não produziu dores à Virgem Mãe, como acontece às demais filhas de Adão e Eva em seus partos (Gn 3,16). Pelo contrário, transportou-a de júbilo incomparável, causando em sua alma e virginal corpo efeitos tão divinos e elevados que ultrapassam a todo pensamento criado. Corporalmente, tomou-se tão espiritualizada, formosa e refulgente que não parecia criatura humana e terrena. O rosto desprendia raios de luz como belíssimo e rosado sol; sua expressão era grave, de admirável majestade e inflamado de ardente amor. Estava ajoelhada na manjedoura, os olhos elevados para o céu, as mãos juntas sobre o peito, o espírito absorto na divindade, toda deificada. Nesta posição, no termo de seu êxtase, e a eminentíssima Senhora deu ao mundo o Unigênito do Pai (Lc 2,7) e seu, nosso Salvador Jesus, Deus e homem verdadeiro. Era a meia-noite de um domingo, no ano 5.199 desde a criação do mundo, como ensina a Igreja romana. Este cômputo é certo e verdadeiro, conforme me foi declarado.