Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [2º Tomo - 2ª Parte - 4º Livro - Cap. 1 - pág. 151 a 157:][Maria de Ágreda diz:] Oração de São José: 379. De suas penas, apelou o santo esposo José para o tribunal do Senhor, por meio da oração. Pondo-se em sua presença, disse: Altíssimo Senhor e Deus eterno, não são ocultos à vossa divina presença meus desejos e gemidos. Encontro-me em combate com violentas ondas (SI 37, 11) que, através dos sentidos feriram meu coração. Eu o entreguei com toda confiança à Esposa que recebi de vossa mão. Confiei em sua grande santidade (Prov 31,11); e os sinais que nela vejo me enchem de dor e medo de ver frustradas minhas esperanças. Ninguém, que até hoje a conheceu, pode duvidar de seu recato e excelentes virtudes, mas tampouco
se pode negar que está grávida. Julgar que foi infiel e vos ofendeu, será temeridade em vista de tão peregrina pureza e santidade. Negar o que a vista me assegura, é impossível, mas não o será morrer pela força desta dor,
se aqui não estiver escondido um mistério que não compreendo. A razão a desculpa, os sentidos a condenam.
Ela me esconde a causa da gravidez que vejo. Que hei de fazer? Em nosso desposório concordamos mutuamente no voto de castidade que ambos prometemos para vossa glória. Se fosse possível que houvesse violado esta promessa, eu defenderia vossa honra e por vosso amor renunciaria à minha. Como, porém, poderia Ela conservar tal pureza e santidade em tudo mais, se houvesse cometido tão grave delito? E, como, sendo tão santa e prudente me esconde este sucesso? Suspendo o juízo e me detenho, ignorando a causa do que vejo. Derramo em vossa presença (SI 141, 3) meu aflito espírito, ó Deus de Abraão, Isaac e Jacó, recebei minhas lágrimas como sacrifício aceitável, e se minhas culpas mereceram vossa indignação, obrigai-vos Senhor de vossa própria clemência e benignidade e não desprezeis tão vivas penas.
Não julgo que Maria vos ofendeu, mas sendo eu seu esposo, tampouco posso presumir algum mistério de que não sou digno. Governai meu entendimento e coração com vossa divina luz, para que eu conheça e execute o mais aceito a vosso beneplácito.