1º Tomo - 1ª Parte - 1º Livro - Cap. 18 - pág. 148
[Maria de Ágreda diz:] Outra razão é porque a santidade de Maria e sua sabedoria foi o apoio e segurança dos apóstolos, depois da morte de Cristo e sua subida ao céu. Sempre fôra sua Mestra e modelo, mas naquela ocasião, Ela só foi o maior sustentáculo da primitiva Igreja. Por haver sido destinada para este ministério com as devidas graças e virtudes, desde sua imaculada conceição, por isto diz a Escritura que seus fundamentos eram doze.1º Tomo - 1ª Parte - 2º Livro - Cap. 9 - pág. 272/273
[Maria de Ágreda diz:] 548. O exercício da prudência regnativa ou monárquica, desempenhou-a como Imperatriz única na Igreja. Ensinou, admoestou e dirigiu os sagrados Apóstolos na primitiva Igreja, para fundá-la e estabelecer nela as leis, ritos cerimônias mais necessárias e convenientes, para sua propagação e firme estabelecimento. Ainda que obedecesse a eles em coisas particulares, especialmente a São Pedro, Vigário de Cristo, e a São João, seu capelão, também eles e os demais a consultavam e obedeciam nas coisas gerais e em outras do governo da Igreja.3º Tomo - 2ª Parte - 5º Livro - Cap. 7 - pág. 41/42
[Maria de Ágreda diz:] Conhecimento de Maria sobre a Igreja 789. Todos estes sublimes fins, Cristo nosso bem, tinha presentes, na plenitude de sua divina ciência e graça, enquanto instruía sua Mãe beatíssima nos mistérios da lei evangélica. Para que não só compreendesse a todos, mas também os diferentes modos de entender a lei, usava o Senhor diferentes modos de ensinar. Assim a discípula ficava tão sábia que poderia mais tarde, ser consumada mestra e mãe da sabedoria (Ecli 24, 24). Umas vezes instruía-a por meio de visão abstrativa da divindade que, nesta época, recebeu mais freqüentemente. Outras vezes, por visão intelectual, que lhe permanecia mais habitualmente, embora menos clara. Tanto numa como noutra, conhecia expressamente toda Igreja militante, com a ordem e sucessão que teve, desde o princípio do mundo até a Encarnação. Depois, a que teria, desde esse tempo até o fim do mundo e na futura bem-aventurança. Nesta notícia tão clara, distinta e vasta conhecia todos os santos e justos; os que mais se distinguiam na Igreja: os Apóstolos, Mártires, Patriarcas dos institutos religiosos, Doutores, Confessores e Virgens. Nossa Rainha conhecia-os cada um em particular, com suas obras, seus méritos, a graça que alcançariam e a recompensa correspondente que receberiam.3º Tomo - 2ª Parte - 6º Livro - Cap. 28 - pág. 437/439
[Maria de Ágreda diz:] Maria, Mãe e Mestra da Igreja: 1501. Disse o Pai a Maria santíssima: Minha filha, a Igreja que meu Unigênito fundou, a nova lei da graça que ensinou ao mundo e o povo que remiu, tudo entrego e recomendo a Ti. Acrescentou o Espírito Santo: Esposa minha, escolhida entre todas as criaturas, comunico-te minha sabedoria e graça, para serem depositados em teu coração os mistérios, obras, doutrina e quanto realizou no mundo o Verbo humanado. O Filho, então, falou: Minha Mãe amantíssima, vou para meu Pai, e te deixo no meu lugar, para cuidares de minha Igreja; encomendo-te seus filhos, meus irmãos, como meu Pai a Mim os confiou. Em seguida, as três divinas Pessoas dirigiam-se aos anjos, santos e demais justos, declarando: Esta é a Rainha de tudo o que é criado no céu e na terra. É a Protetora da Igreja Senhora das criaturas, Mãe de piedade, Intercessora dos fiéis, Advogada dos pecadores Mãe do amor formoso e da santa esperança (Ecli 24, 24) poderosa para inclinar nossa vontade à clemência e misericórdia. Nela ficam depositados os tesouros de nossa graça, e seu coração fidelíssimo será as tábuas onde fica gravada a nossa lei. Nela se encerram os mistérios que nossa onipotência operou para a salvação da linhagem humana. E a obra prima de nossas mãos, a quem se comunica e repousa a plenitude de nossa vontade, sem qualquer obstáculo à corrente de nossas divinas perfeições. Quem, de coração, a chamar não perecerá; quem alcançar sua intercessão, conseguirá a eterna vida. Quanto nos pedir, lhe será concedido e sempre faremos sua vontade, ouvindo seus rogos e desejos, porque se entregou inteiramente ao nosso beneplácito. Ouvindo Maria santíssima estes favores tão inefáveis, humilhou-se, abaixando-se até o pó, na medida em que a destra do Altíssimo a exaltava sobre todas as criaturas humanas e angélicas. Como se fôra a menor de todas, adorando ao Senhor, ofereceu-se, com prudentíssimas palavras e ardentíssimos afetos, para trabalhar como fiel serva na santa Igreja, e obedecer pontualmente à divina vontade em tudo quanto lhe ordenasse. Desde aquela hora, aceitou de novo o cuidado da Igreja, como amorosíssima Mãe de todos seus filhos. Renovou as súplicas que até então fizera por eles, de modo que, pelo decurso de toda sua vida, foram incessantes e ferventíssimas. Veremos na terceira parte, onde se conhecerá mais claramente o que a Igreja deve a esta grande Rainha e Senhora, por todos os benefícios que lhes mereceu e obteve. Por este favor e pelos que adiante direi, ficou Maria santíssima com uma espécie de participação no ser de seu Filho, que não encontro termos para explicar. Comunicou-lhe seus atributos e perfeições, em medida correspondente ao seu ministério de Mãe e Mestra da Igreja, suplente do próprio Cristo. Elevou-a à nova ciência e poder, com que nada lhe foi oculto, quer dos mistérios divinos, quer dos corações humanos. Soube como e quando deveria usar o poder divino do qual participava sobre os homens, os demônios e todas as criaturas. Numa palavra, quanto pode caber em pura criatura, tudo recebeu e possuiu plena e dignamente nossa Rainha e Senhora. Destes sacramentos, foi dada alguma luz a São João, para que conhecesse o grau em que devia apreciar e estimar o inestimável valor do tesouro que lhe fora confiado. Desde aquele dia, concebeu novo cuidado em venerar e servir a grande Senhora.3º Tomo - 2ª Parte - 6º Livro - Cap. 28 - pág. 440/441
[Maria de Ágreda diz:] Últimas recomendações de Jesus: 1505. Meus amados filhos, Eu subo para o Pai de cujo seio desci para salvar e redimir os homens. Por amparo, mãe, consoladora e advogada, vos deixo em meu lugar a minha Mãe, a quem deveis ouvir e obedecer em tudo. Assim como tenho dito que, quem vê a Mim vê a meu Pai (Jo 14, 9), e quem me conhece, conhecerá a Ele também; agora vos asseguro que, quem conhecer minha Mãe, conhecerá a Mim; quem ouve a Ela, ouve a Mim; quem lhe obedece, obedecerá a Mim; ofender-me-á quem a Ela ofender, e me honrará, quem a Ela honrar. Todos vós, e vossos sucessores, a tereis por mãe, superior e chefe. Ela esclarecerá vossas dúvidas e resolverá vossas dificuldades; n"EIa me encontrareis sempre que me procurardes, porque n"Ela estarei até o fundo mundo, e agora o estou, ainda que de modo oculto para vós. Isto disse Jesus, porque estava sacramentado no peito de sua Mãe, pela conservação das espécies que recebeu na ceia, até a consagração da primeira missa, como adiante direi. Assim se cumpriu a palavra do Senhor dita naquela ocasião, como refere São Mateus (28, 20): Estou convosco até o fim do mundo. Acrescentou ainda Jesus: Tereis a Pedro por suprema cabeça de minha Igreja, onde o deixo por meu Vigário; obedecer-lhe-eis como a sumo pontífice. A João tereis por filho de minha Mae, como Eu o nomeei do alto da cruz. O Senhor olhava sua Mãe santíssima que estava presente, e lhe fazia compreender que se inclinava a ordenar a toda aquela assembléia, venerá-la com o culto que sua dignidade de Mãe pedia, e deixar este culto instituído na Igreja. A humilíssima Senhora, porém, suplicou a seu Unigênito, não lhe dar mais honra do que a necessária para ser praticado tudo o que deixara recomendado, e que os novos filhos da Igreja não lhe prestassem maior veneração do que até aquele momento. Desejava que todo o culto se dirigisse diretamente ao Senhor, servindo à propagação do Evangelho e à exaltação de seu nome. Concordou Cristo, nosso Salvador, com este prudentíssimo desejo de sua Mãe, reservando para tempo conveniente e oportuno, torná-la mais conhecida. Ocultamente, porém, não deixou de lhe fazer insignes favores, como diremos no resto desta História.