Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [2º Tomo - 2ª Parte - 3º Livro - Cap. 13 - pág. 67:][Nossa Senhora diz a Maria de Ágreda:] Cristo e sua Mãe, exemplos para nós: 176. Dispôs o Altíssimo, com justa lei, que não se goze na vida mortal os privilégios da vida eterna (Ex 33, 20). Entra-se na imortalidade passando pela morte corporal, precedida pelos méritos adquiridos no estado passível da vida terrena. Para todos os filhos de Adão, a morte é estipêndio e castigo do pecado, (Rom 6, 23). Neste sentido,
Eu não tinha parte na morte, nem nos outros efeitos e castigos do pecado. Contudo, ordenou o Altíssimo que Eu também entrasse na vida e felicidade eterna por meio da morte corporal (Lc 24,26), como o fez meu Filho santíssimo. Nisto não havia inconveniente para Mim, e sim muita conveniência: seguiria o caminho palmilhado por todos, e conquistaria grandes frutos de méritos e glória através do sofrimento e da morte.
Para os homens serviria de prova que, mortais como eles, meu Filho santíssimo e Eu, sua Mãe, éramos verdadeiramente da natureza humana. Esta certeza tornaria mais eficaz o exemplo que deixávamos para os homens. Poderiam imitar, na carne passível, o que nela tínhamos feito, e tudo redundaria na maior glória e exaltação de meu Filho e minha. Tudo isto se frustraria em grande parte, se minhas visões da divindade fossem contínuas. Não obstante, depois que concebi o Verbo eterno, os benefícios e favores que recebi foram maiores e mais freqüentes, pois O tinha com mais proximidade e maior posse.