Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [1º Tomo - 1ª Parte - Introdução - pág. 14:][Maria de Ágreda diz:] Por tudo isto, a vida desta fênix das obras de Deus, é livro tão fechado (Ap 4, 3) que não se encontra, quer no céu quer na terra, quem dignamente possa abri-lo. É claro que só é possível ao poderoso Senhor que a formou
mais excelente que todas as criaturas; e à mesma Senhora, Rainha e Mãe nossa, que teve capacidade para receber e apreciar tão inefáveis dons.
[1º Tomo - 1ª Parte - 1º Livro - Cap. 18 - pág. 148:][Maria de Ágreda diz:] A grandeza de Maria foi medida pela de Cristo: 277. “E aquele que falava comigo tinha uma medida de cana de ouro, e mediu a cidade com esta cana até doze mil estádios” (v. 15,16,17). Nesta medida encerrou o Evangelista grandes mistérios sobre a dignidade, graças, dons e méritos da Mãe de Deus. Ainda que a mediram com grande medida, na dignidade e benefícios que o Altíssimo lhe concedeu; a medida ajustou-se perfeitamente ao que era medido. O comprimento foi igual à largura, sem que Nela houvesse falta, excesso ou desproporção; foi igual e proporcional em todos os lados. Nisto não me detenho agora, remetendo-me ao que direi em todo o decurso da história de sua vida. Somente advirto que esta dimensão pela qual se calculou a dignidade, méritos e graça de Maria Santíssima foi a humanidade de seu Filho unida ao Verbo divino.
Proporção entre Cristo e Maria: 278. A medida era uma cana. símbolo da fragilidade da natureza humana, e de ouro, figura da divindade do Verbo. A dignidade de Cristo, Deus e homem verdadeiro, os dons da natureza humana unida à divina pessoa com os merecimentos que adquiriu, foram o padrão empregado pelo Senhor para dotar sua Mãe Santíssima. Foi Ele quem a mediu consigo mesmo, e ao ser assim medida, Ela pareceu ficar igual, na proporção e altura de sua dignidade de Mãe. Na longitude de seus dons e graças, e na latitude de seus méritos foi igual, sem falta nem desproporção.
É verdade que não pôde medir-se com seu Filho Santíssimo, com igualdade absoluta e matemática. Cristo, Senhor nosso, era homem e Deus verdadeiro, enquanto Ela era pura criatura, pelo que, a medida a excedia infinitamente. Todavia, Maria Santíssima teve certa igualdade de proporção com seu Filho. Assim como a Ele nada faltou do que lhe competia como Filho verdadeiro de Deus, assim a Ela nada faltou, do que lhe era devido como a Mãe verdadeira do mesmo Deus. Deste modo,
Ela como Mãe, e Cristo como Filho, tiveram igual proporção na dignidade, graças, dons e merecimentos. Nenhuma graça criada teve Cristo, que também não estivesse, na devida proporção, em sua Mãe puríssima.