Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [1º Tomo - 1ª Parte - 1º Livro - Cap. 19 - pág. 155:][Maria de Ágreda diz:] Como este sacrifício seria a origem da salvação dos pecadores e justificação das almas, com este amor que lhe durou toda a vida,
foi concedido a esta grande Rainha, o privilégio de interceder por qualquer espécie de pecadores, por grandes e abomináveis que fossem. Nem um sequer seria excluído do fruto da Redenção e justificação, se a invocasse fervorosamente, alcançando por esta poderosa Senhora e
Advogada, a vida eterna.
[4º Tomo - 3ª Parte - 8º Livro - Cap. 14 - pág. 341/342:][Nossa Senhora dia z Maria de Ágreda:] A dignidade da maternidade divina: 657. Minha filha e discípula: quero que transformes a admiração com que escreves os segredos que de minha vida e santidade te manifesto, em louvor ao Onipotente que foi comigo tão liberal, e em crescer na confiança de
minha poderosa intercessão e proteção. Se te admiras de que meu Filho santíssimo me concedesse graças sobre graças e dons sobre dons, e tão freqüentemente me visitasse e levasse ao céu, deves lembrar do que já escreveste: Eu me privara da visão beatífica para assistir à Igreja. Ainda que esta caridade não merecesse do Altíssimo a recompensa que me deu na vida mortal;
o fato de Eu ser sua Mãe e Ele meu Filho, merecia que Ele fizesse por Mim tais obras e maravilhas, impossíveis de ser entendidas ou recebidas por outra criatura. A dignidade de Mãe de Deus excede tanto a qualquer outra, que seria grosseira ignorância negar-me favores, pelo motivo destes não serem encontrados em outros santos. O fato do Verbo eterno assumir carne humana de minha substância, foi compromisso de tanto peso para Deus que, — a teu modo de entender — não o preencheria, sem realizar por Mim tudo o que sua onipotência alcança e Eu fosse capaz de receber. Este poder de Deus é infinito, não se pode esgotar nem diminuir, e o que comunica fora de Si, sempre é finito e limitado.
Eu também sou pura criatura, finita, e em comparação do ser de Deus, todo o criado nada é.
Deus confia aos homens o estudo das grandezas de Maria: 658.
Além de tudo isso, de minha parte não apresentei impedimento. Pelo contrario, merecia que a Onipotência realizasse em Mim todos os dons, graças e favores ao máximo, sem limites e medidas. Estes dons eram sempre finitos, por grandes e admiráveis que fossem. Daqui se entende que Deus, infinito e sem termo, pôde acumular em mim graças sobre graças e favores sobre favores. Não só pôde fazê-lo, mas convinha que assim o fizesse, para realizar com toda perfeição a maravilhosa obra de fazer-me digna Mãe sua, pois Ele não deixa imperfeita nenhuma de suas obras, cada qual em seu gênero. Na dignidade da maternidade divina estão contidas todas as graças que recebi, como em sua origem e princípio.
No dia em que os homens me reconheceram por Mãe de Deus, reconheceram, implicitamente, e como em sua fonte, os predicados que pela mesma excelência me pertencem. A descoberta, aprofundamento e divulgação de minha santidade e dons foram deixados à devoção, piedade e cortesia dos fiéis. Estudando-os, coligindo-os e proclamando-os, iriam merecendo a complacência de meu Filho santíssimo e minha proteção.
Para isto, a muitos santos e escritores foi dada particular ciência, luz e outras revelações sobre alguns favores e muitos privilégios a Mim concedidos pelo Altíssimo.