Irmã venerável Maria de Ágreda (Espanha, 1602-1665). Obra: "Mística Cidade de Deus. Ed. Mosteiro Portaceli. 2011." [3º Tomo - 2ª Parte - 5º Livro - Cap. 2 - pág. 11/12:][Maria de Ágreda diz:] Maria descrita no livro Eclesiástico: 731.
A este mistério corresponde tudo o que a divina Senhora disse de Si mesma, como a santa Igreja lhe aplica, no capítulo 24 do Eclesiástico, sob o tipo da sabedoria divina. Não me detenho em explicar este capítulo, pois conhecido o fato que vou descrevendo, pode-se compreender como se aplica à nossa grande Rainha, tudo quanto o Espírito Santo diz ali em nome d"Ela. Basta referir um pouco do texto, para que todos entendam parte de tão admirável mistério (Ecli 24 desde o v. 5). "Eu saí (diz esta Senhora), da boca do Altíssimo,
a primogênita antes de todas as criaturas [porque Nossa Senhora foi criada no pensamento divino desde o princípio]. Eu fiz com que nascesse nos céus uma luz inextinguível, e como uma névoa cobri toda a terra. Eu habitei nos lugares mais altos, e o meu trono é sobre uma coluna de nuvem. Eu sozinha fiz o giro do céu, e penetrei a profundidade do abismo, andei sobre as ondas do mar, e percorri toda a terra; e em todos os povos, e entre todas as nações tive a primazia. E sujeitei com o meu poder os corações de todos os grandes e pequenos; e entre todos estes povos busquei um lugar de repouso, e uma habitação na herança do Senhor. Então o Criador de tudo deu-me os seus preceitos, e falou-me;
aquele que me criou descansou no meu tabernáculo, e disse-me: habita em Jacó, e possui a tua herança em Israel, e lança raízes entre os meus escolhidos.
Eu fui criada desde o princípio, e antes dos séculos, e não deixarei de existir em toda a sucessão das idades, e exerci diante dele o meu ministério na morada santa. Eu fui assim firmada em Sião, e repousei na cidade santa, e em Jerusalém está o meu poder. Tomei raízes no meio de um povo glorioso, e nesta porção do meu Deus, que é a sua herança, e na assembléia dos santos, estabeleci a minha assistência."
Maria, reservatório da sabedoria: 732.
Continua o Eclesiástico outras excelências de Maria santíssima, e volta a dizer (Ecli 24, 22): "Estendi os meus ramos como o terebinto, e os meus ramos são ramos de honra e de graça. Como a vide lancei flores dum agradável perfume e as minhas flores dão frutos de honra e de honestidade.
Eu sou a Mãe do amor formoso, e do temor, e da ciência, e da santa esperança. Em mim há toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Vinde a mim todos os que me desejais, e enchei-vos dos meus frutos; porque o meu espírito é mais doce do que o mel, e a minha herança mais suave que o favo de mel. A minha memória durará por toda a série dos séculos. Aqueles que me comem terão mais fome; e os que me bebem terão mais sede. Aquele que me ouve não será confundido; e os que se guiam por mim não pecarão. Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna." Até aqui, basta esta parte do capítulo do Eclesiástico. O coração piedoso sentirá logo tanta abundância de mistérios em Maria santíssima, que a força oculta deles atrairá seu coração para esta senhora e Mãe da graça. Descobrirá nessas palavras, a inexplicável grandeza e excelência a que a elevou a doutrina e magistério de seu Filho santíssimo, por decreto da beatíssima Trindade.
Esta Princesa foi a verdadeira arca do Novo Testamento (Apoc 11, 19). Da enchente de sua sabedoria e graça, como de um mar imenso, transbordou tudo quanto receberam e receberão os demais santos, até o fim do mundo.