Concílio Vaticano II - Papa Paulo VI (1965) (Constituição Lumen Gentium – Capítulo VIII – A bem-aventurada virgem Maria Mãe de Deus no mistério de cristo e da igreja)IV. O CULTO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM NA IGREJA
Natureza e fundamento do culto
66.
Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial.
E, na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de «Mãe de Deus», e sob a sua proteção se acolhem os fiéis, em todos os perigos e necessidades (cfr. Breviarium Romanum, anta «Sub tuum praesidium», das primeiras Vésperas do Oficio menor de Nossa Senhora).
Foi sobretudo a partir do Concílio do Éfeso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiravelmente, na veneração e no amor, na invocação e na imitação,
segundo as suas proféticas palavras: «Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em mim grandes coisas Aquele que é poderoso» (Luc 1,48).
Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente. Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e reta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que,
honrando a mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho, por quem tudo existe (Col 1, 15-16) e no qual «aprouve a Deus que residisse toda a plenitude» (Col 1,19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos.