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Padre João A. MacDowell, S.J. Obra: Religião também se aprende. Volume 5. 2001. Ed. Santuário. Aparecida/SP. 130p.

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    Nunca será possível acabar com todas as desigualdades econômicas. Mesmo se se oferecessem a todos as mesmas oportunidades de educação e de trabalho, os resultados seriam diferentes segundo a capacidade natural e a diligência de cada um. Aliás, o próprio funcionamento da sociedade implica funções diferentes que exigem preparação e empenho diversos, que são mais ou menos importantes para o bem comum e acarretam maior ou menor responsabilidade. Não seria razoável que todos esses serviços sejam recompensados da mesma maneira, mesmo em termos econômicos. Pois existe um direito natural da pessoa ao fruto do seu trabalho.
    Entretanto, esse direito não é absoluto. Deve harmonizar-se com outro direito mais radical: o direito de todos a gozarem das condições indispensáveis a uma vida decente. A sociedade tem obrigação de garantir, na medida do possível, oportunidades de trabalho, com justa remuneração, de habitação, saúde e educação, entre outras, sem as quais a pessoa humana não pode desenvolver-se adequadamente. Com esse objetivo o Estado pode e deve intervir na vida econômica para redistribuir os recursos na medida necessária para tutelar os direitos essenciais dos cidadãos.
    Essa intervenção é necessária porque a dinâmica da vida social e os mecanismos espontâneos do mercado não asseguram automaticamente a todos o mínimo indispensável para uma sobrevivência condigna. Há sempre pessoas que, por motivos diversos, estão em condições de inferioridade: as crianças, os idosos, os enfermos, todos aqueles que embora trabalhando seriamente, por falta de educação, de capacidade, ou por outras circunstâncias, não conseguem produzir o necessário para sustentar a si mesmos e às suas famílias, ou não são justamente remunerados por seu trabalho.
    Não se trata, portanto, de acabar com toda diferença de posses e de nível de vida entre pessoas e famílias, nem de premiar os indolentes e espertalhões, mas sim de combater as desigualdades gritantes, em aberta contradição com o Evangelho, em nosso país e no mundo atual: milhões de homens e mulheres vivem e morrem na miséria, enquanto minorias privilegiadas desfrutam de recursos muito superiores às suas necessidades. A igual dignidade de todos os seres humanos exige que se chegue a uma distribuição mais justa e equilibrada dos bens deste mundo. Isso só será possível à medida que se reforçar a solidariedade entre as pessoas, motivada pela consciência de que todos somos irmãos e filhos do mesmo Deus.



Obs.: As expressões no texto entre colchetes ou parêntesis destacadas na cor azul não fazem parte do original.