Maria é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus, que é o Filho de Deus em pessoa. Jesus não pode ser dividido, porque Ele é Deus e homem ao mesmo tempo
Padre João A. MacDowell, S.J. Obra: Religião também se aprende. Volume 5. 2001. Ed. Santuário. Aparecida/SP. 130p.
Pág. 115/116:
Diante dos protestos que choveram de todos os lados, reuniu-se um Concílio em Éfeso, no ano de 431, que reconheceu a legitimidade do título de Mãe de Deus, dado a Maria, e condenou as idéias de Nestório. É preciso, porém, entender bem o que quer dizer a Igreja. O Filho de Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade, existe com o Pai e o Espírito Santo, como um só Deus, desde toda a eternidade. Ele procede do Pai por uma geração espiritual, na qual não intervém evidentemente nenhuma criatura humana, tampouco Maria, que viveu em Nazaré no tempo de Herodes. Portanto Maria não é mãe do Filho de Deus, quanto à sua origem divina e eterna. Ela é mãe do Filho de Deus, feito homem, Jesus, que nasceu em Belém. Então — poderia retrucar — por que não dizer, como Nestório, que Maria não é Mãe de Deus, mas só Mãe de Jesus Cristo? O motivo de rejeitar essa posição é que Jesus não pode ser dividido em duas pessoas. Deus e o homem formam nele uma só pessoa, a pessoa do Filho de Deus, que assumiu a nossa natureza humana. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem numa única pessoa divina. Maria, Mãe de Jesus, o Filho de Deus, deve ser chamada Mãe de Deus, porque a maternidade se refere sempre à pessoa. A mãe de um homem não é só a mãe de seu corpo, de seus órgãos, que se formaram em seu seio. É mãe da pessoa toda. Assim também Maria é mãe de seu Filho, como pessoa, pessoa divina. É Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus, que é o Filho de Deus em pessoa. Esse título é, portanto, uma conseqüência da fé da Igreja na unidade de Cristo, uma só pessoa divina em duas naturezas, divina e humana. Mas realça também a dignidade da maternidade, de qualquer mãe que, muito mais do que uma simples atividade biológica, é uma relação existencial entre duas pessoas, mãe e filho.