InternetNo vídeo abaixo (na parte entre 1:09:00hs a 1:20:00hs), o professor de filosofia Vitor Lima explica que a virtude (areté) para os gregos, significava fazer algo que se faz de melhor, independentemente de ser uma ação boa ou má. Sendo assim, na visão antiga, um assassino poderia ser considerado virtuoso, se fosse profissional no que faz. Para o cristianismo, entretanto, a virtude não é fazer algo melhor, mas fazer o bem, ser piedoso, humilde, compassivo. O que importa é o uso que se faz da habilidade, não a habilidade em si. Apesar de parecer óbvio hoje em dia esse pensamento, o mundo antigo não pensava assim. Inclusive, esse é o motivo central pelo qual o filósofo Friedrich Nietzsche (1844–1900) critica a religião cristã, pois o cristianismo veio romper definitivamente com o conceito de virtude. Segundo o filósofo francês Luc Ferry, no plano moral,
o cristianismo opera uma verdadeira revolução na história do pensamento, uma revolução que ainda se fez sentir até na grande Declaração dos Direitos do Homem, de 1789, cuja herança cristã, nesse aspecto, é indubitável. Pois talvez, pela primeira vez na história da humanidade, é a liberdade de escolha (livre-arbítrio) e não mais a natureza que se torna o fundamento da moral.