Padre José Eduardo de Oliveira e SilvaNo vídeo abaixo, o Padre José Eduardo, ao refutar as críticas do Pastor Augustus Nicodemus, explica que, ao contrário do que afirmam os protestantes, a Igreja Católica não acrescenta nada à revelação divina, pois essa encerrou-se com a morte do último apóstolo. Entretanto, sabemos que os apóstolos começaram a pregar a divina revelação pela via oral. Tanto que os primeiros livros a serem escritos foram as cartas de São Paulo, que citam a doutrina oral pregada pelos apóstolos, conforme segue: "15.Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa" (2Ts 2:15).
Sabemos também que nem tudo o que Jesus fez foi escrito nos livros do Novo Testamento. O apóstolo João, no final de seu Evangelho, diz que "Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever" (Jo 21:25).
O apóstolo Pedro também nos adverte: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal" (2Pd 1:20).
Portanto, dizer que a Escritura aborda 100% dos ensinamentos não corresponde à realidade. Pode-se citar, por exemplo, que as doutrinas da Trindade e da dupla natureza de cristo (humana e divina), que os próprios protestantes acreditam (ao menos em sua maioria), não estão explícitas na Escritura. Foi necessário um esforço de interpretação para compreendê-las, bem como analisar todo o contexto envolvido.
Uma revelação particular, como, por exemplo, quando ocorre por ocasião de uma aparição de Nossa Senhora, pode tornar mais clara uma revelação divina complexa, mas nunca pode contrariá-la, ir contra ou anulá-la. Mas, mesmo assim, a Igreja não exige que os católicos acreditem nessas revelações privadas, pois trata-se da fé humana, não a fé teologal.
Dessa forma, o que progride com o tempo não é a revelação divina em si mesma (porque ela já está encerrada), mas, apenas, a compreensão que temos sobre essa revelação. São Vicente de Lérins (Século V) faz uma comparação bem interessante sobre essa questão: é como uma criança que vai se desenvolvendo como o passar do tempo. Embora já adulta, é a mesma pessoa.