InternetConforme o site apologetica.net.br (link abaixo), no antigo testamento, os israelitas massacraram muitos povos pagãos em suas guerras, o que incluía a população inocente como mulheres, crianças e idosos. Deus mesmo ordenou muitos desses massacres como se pode vem em Êxodo 32:27, Números 25:4, Números 31:17-18, Deuteronômio 2:33-34, Isaías 13:18, Jeremias 19:9 e Ezequiel 9:6. Isso, de fato, é bem chocante. Entretanto, é errado pensar que o Deus de amor revelado por Jesus Cristo no novo testamento é diferente do Deus revelado pelos profetas, visto por muitos como “mau” e “sanguinário”.
O que existe, na verdade, é um “aparente conflito”. Em primeiro lugar, é preciso entender que a inspiração divina está sujeita ao arcabouço histórico e cultural da época e às limitações pessoais dos escritores sagrados (dos profetas). Isso porque,
Deus não violenta a natureza humana, não os trata como uma “mera caneta” ou um “mero objeto”. Uma das características da linguagem semita era o
uso de hipérboles. O israelita era muito propenso às expressões fortes, exageradas e contrastantes. Eles procuravam mostrar o caminho reto, mas faziam isso imbuídos de toda a sua carga cultural. Eles também não diferenciavam entre a pessoa que fazia o mal e o mal em si.
Só é possível perceber a revelação divina na Bíblia, como um todo, observando a direção geral da mesma, a seta para onde ela aponta, passando pelas diversas fases da evolução moral do povo israelita ao longo de gerações.
O antigo testamento aponta para o seu ápice, Jesus Cristo, o Messias.
O sofrimento de tantos inocentes é um mistério, mas sabemos que a bondade de Deus para com elas é infinitamente maior do que a nossa, auferindo delas méritos para a salvação de incontáveis almas. Precisamos entender que, para Deus, o bem maior não é a vida aqui na terra, mas a salvação da alma. É por isso que Jesus Cristo, o Inocentíssimo por excelência, se imolou por nossos pecados para nos salvar.
Não podemos ignorar que no oriente antigo, independente da religião, o povo vencedor de uma guerra tinha o direito de dispor das posses e da vida dos vencidos, mesmo de mulheres e crianças inocentes. Os monumentos e os textos assírios dão testemunho da maneira realmente bárbara como os soldados pagãos tratavam seus prisioneiros de guerra: crivavam-lhes os olhos, tomavam-nos como supedâneos para os pés dos monarcas, etc. Na própria Sagrada Escritura, o profeta Amós repreende os amonitas porque, entre outros crimes cometidos, abriram os ventres das mulheres israelitas grávidas (Amós I, 13).
No caso dos hebreus, a fim de manter incontaminada as suas crenças, não havia outra alternativa que não apartar-se de forma absoluta dos demais povos; a experiência mais de uma vez comprovou que, ao habitar pacificamente com tribos subjugadas em guerra, os judeus se deixaram seduzir pelas suas pompas religiosas. Apoiando-se nestas ideias, eis como o legislador sagrado incutia o
hérem a Israel (Deuteronômio XX, 16-18): “Quanto àquelas cidades porém, que te hão de ser dadas, nenhum absolutamente deixarás com vida. Mas passá-los-ás todos ao fio de espada; convém a saber, aos heteus e aos amorreus, e aos cananeus, aos fereseus, e aos heveus, e aos jesubeus, assim como o Senhor teu Deus te mandou: para que não suceda que vos ensinem a cometer todas as abominações, que eles mesmos fizeram a seus deuses, e venhais a pecar contra o Senhor vosso Deus”.
Mas mesmo tolerando o
hérem, Deus dava a entender que esse procedimento era imperfeito, conforme Deuteronômio 20, 10-18 (humanização do código militar de Israel substituindo o derramamento de sangue por tributo, poupando-se também mulheres e crianças), Deuteronômio 21, 10-14 (A mulher não-cananéia feita prisioneira de guerra, podia ser tomada como esposa de um judeu, que a trataria com todo carinho; abusar de tal prisioneira era estritamente vedado), Juízes 21, 13 e 2Samuel 20, 14-22 (exortações à brandura contra inimigos não-cananeus),
Há casos também em que o próprio Deus repreende os israelitas pelos massacres excessivos como em Oséias 1, 4s, o que mostra que os constantes derramamentos de sangue cometidos pelo povo de Deus nem sempre corresponderam ao Plano Divino; antes, desagradaram ao Senhor. Com efeito, quando o rei de Israel desejou edificar o Templo de Javé em Jerusalém, recebeu formal recusa de Deus, pois, como reconheceu o próprio monarca, não convinha que o Templo, santuário da paz, fosse erguido por mãos que haviam feito correr tanto sangue (1Crônicas 22, 8-10; 28, 3).
À medida, porém, que ia se elevando o nível cultural e moral dos hebreus, abrandava-se a praxe do
hérem; assim na época de Esdras (século V/VI), implicava não já a morte do réu, mas a confiscação dos seus bens e sua exclusão das assembléias do povo (Esdras X, 8).
Pois bem, Deus quis que se desse com o gênero humano inteiro algo semelhante ao que se verifica com toda criança: nos primórdios da história, os homens tinham uma consciência moral pouco desenvolvida, a qual através dos séculos foi se tornando mais apurada, minuciosa.
Não há dúvida, o Senhor poderia ter revelado tudo que a Lei Natural nos incute;
preferiu, porém, um lento desabrochar que, de resto, mais condizia com a maneira como Ele criou e rege o mundo.
Em conclusão: a História Sagrada é, sim, apesar de todos os escândalos e vicissitudes que os homens nela disseminaram, um movimento ascendente contínuo cujo ápice é Jesus Cristo, o Messias prometido nas Escrituras.