Emanuele Giulietti, História do Rosário. 2014. Ed. Paulus, São Paulo/SP. 87p. (Pág. 9/10)O rosário, hoje, é às vezes contestado e definido como uma oração infantil, supersticiosa, mecânica, que se reduz a uma repetição apressada de ave-marias, portanto, uma oração apta a outros tempos, ao passo que hoje é preferível — se diz — a leitura da Bíblia. Mas o rosário foi definido por Pio XII "
o compêndio de todo o Evangelho" (Pio XII, Carta Philippinas Insulas, AAS 38, 1946, p. 419; Paulo VI, Exortação Apostólica
Marialis Cultus, 1974, n. 42), e em sua defesa há uma página muito conhecida de papa Albino Luciani, João Paulo I, que responde a tais contestações confutando-as com a simplicidade e a espontaneidade que o tornaram amado, não obstante os apenas trinta e três dias de pontificado:
Oração repetitiva o rosário? O amor se expressa com poucas palavras, sempre as mesmas, e que se repetem sempre. Há a Bíblia, claro, e é um quid sum, porém nem todos estão preparados para lê-la. E também para aqueles que a leem será mais útil em determinados momentos falar com Maria, se acreditarmos que ela seja para nós Mãe e Irmã. Se a leitura da Bíblia é apreciada, os mistérios do rosário meditados e saboreados são Bíblia aprofundada, tornada suco e sangue espiritual. O rosário expressa a fé sem falsos problemas, sem subterfúgios e giros de palavras, ajuda ao abandono em Deus, à aceitação generosa da dor. Deus se serve também dos teólogos, mas para distribuir suas graças se serve, sobretudo, da oração dos humildes e daqueles que se abandonam à sua vontade (7 de Outubro de 1973, homilia proferida na igreja dos jesuítas, por ocasião do IV Centenário da festa do Rosário).
O rosário não se contrapõe à meditação da Palavra de Deus e à oração litúrgica, mas representa seu complemento natural e ideal.