Augusto Cury (Brasil, 1958-X). Obra: "Análise da Inteligência de Cristo: o Mestre do Amor. São Paulo. Ed. Academia de Inteligência. 2002. 229p." (pág. 48/49)O dilema entre falar e não falar aos discípulos sobre o modo como morreria envolvia os pensamentos de Jesus Cristo. Se falasse secamente, poderia gerar um transtorno obsessivo em sua mãe e em seus discípulos. Se optasse pelo silêncio, eles ficariam totalmente despreparados para suportar seu drama. Nuvens de dúvidas poderiam pairar sobre a fé deles e atormentá-los. Ele optou por falar, mas sem alardes, sobre o seu desterro final. Falou por pelo menos quatro vezes. Comentou o suficiente para que eles pudessem ter uma leve consciência do seu caos, mas não sofressem por ele. Alguns gostam de comentar seus problemas para que todos girem em torno deles. Outros se calam, sua história e suas dificuldades são segredos de estado. Jesus era equilibrado, falava serenamente de coisas com alto volume de tensão. O mestre da vida trabalhou no inconsciente dos seus discípulos sem que eles percebessem. Fez um trabalho psicológico magnífico. Ele os preparou não apenas para a primavera da ressurreição, mas para o inverno rigoroso da cruz.