Revelacaocatolica.com
Jesus Cristo

 Cristologia: Jesus Cristo tem duas naturezas, a divina e a humana, não confundidas, mas unidas na única Pessoa do Filho de Deus (União hipostática); é eterno e possui uma origem eterna; é consubstancial ao Pai (de uma só substância); foi gerado, não criado

Bíblia Ave Maria (NT) (João 8:23)

23. Ele lhes disse: “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 8:56-59)

56. Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria”. 57. Os judeus lhe disseram: “Não tens ainda cinquenta anos e viste Abraão!...” 58. Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou.” 59. A essas palavras, pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 10:27-30)

27. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28. Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão. 29. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai. 30. Eu e o Pai somos um”.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 10:32-39)

32. Disse-lhes Jesus: “Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedre­jais?”. 33. Os judeus responderam-lhe: “Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus”. 34. Replicou-lhes Jesus: “Não está escrito na vossa Lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)? 35. Se a Lei chama deuses àqueles a quem a Palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada), 36. como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus? 37. Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais. 38. Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai.” 39. Procuraram então prendê-lo, mas ele se esquivou das suas mãos.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 17:5)

5. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado”.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 17:24)

24. Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 14:6-11)

6. Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto”. 8. Disse-lhe Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta”. 9. Respondeu Jesus: “Há tanto tempo que estou convosco e não me conhe­ceste, Filipe! Aquele que me viu viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai... 10. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. 11. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa dessas obras.

Catecismo da Igreja Católica

"Item 479. No tempo estabelecido por Deus, o Filho Unigénito do Pai, a Palavra eterna, isto é, o Verbo e imagem substancial do Pai, encarnou. Sem perder a natureza divina, assumiu a natureza humana. 480. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa divina; por essa razão, Ele é o único mediador entre Deus e os homens. 481. Jesus Cristo tem duas naturezas, a divina e a humana, não confundidas, mas unidas na única Pessoa do Filho de Deus. 482. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo tem uma inteligência e uma vontade humanas em perfeito acordo e submissão à inteligência e vontade divinas, que Ele tem em comum com o Pai e o Espírito Santo. 483. A encarnação é, pois, o mistério da união admirável da natureza divina e da natureza humana, na única Pessoa do Verbo."

Catecismo da Igreja Católica

464. O acontecimento único e absolutamente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que seja o resultado de uma mistura confusa do divino com o humano. Ele fez-Se verdadeiro homem, permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Esta verdade da fé, teve a Igreja de a defender e clarificar no decurso dos primeiros séculos, perante heresias que a falsificavam. [...] 467. [...] Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só hipóstase» (94). [...] 470. Uma vez que, na união misteriosa da Encarnação, «a natureza humana foi assumida, não absorvida» (101), a Igreja, no decorrer dos séculos, foi levada a confessar a plena realidade da alma humana, com as suas operações de inteligência e vontade, e do corpo humano de Cristo. Mas, paralelamente, a mesma Igreja teve de lembrar repetidamente que a natureza humana de Cristo pertence, como própria, à pessoa divina do Filho de Deus que a assumiu. Tudo o que Ele fez e faz nela, depende de «um da Trindade». Portanto, o Filho de Deus comunica à sua humanidade o seu próprio modo de existir pessoal na Santíssima Trindade. E assim, tanto na sua alma como no seu corpo, Cristo exprime humanamente os costumes divinos da Trindade (102): «O Filho de Deus trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (103).


Catecismo da Igreja Católica

471. Apolinário de Laodiceia afirmava que, em Cristo, o Verbo tinha ocupado o lugar da alma ou do espírito. Contra este erro, a Igreja confessou que o Filho eterno assumiu também uma alma racional humana (104). 472. Esta alma humana, que o Filho de Deus assumiu, é dotada de um verdadeiro conhecimento humano. Como tal, este não podia ser por si mesmo ilimitado. Exercia-se nas condições históricas da sua existência no espaço e no tempo. Foi por isso que o Filho de Deus, fazendo-Se homem, pôde aceitar «crescer em sabedoria, estatura e graça» (Lc 2, 52) e também teve de Se informar sobre o que, na condição humana, deve aprender-se de modo experimental (105). Isso correspondia à realidade do seu abatimento voluntário na «condição de servo» (106). 473. Mas, ao mesmo tempo, este conhecimento verdadeiramente humano do Filho de Deus exprimia a vida divina da sua pessoa (107). «A natureza humana do Filho de Deus, não por si mesma, mas pela sua união com o Verbo, conhecia e manifestava em si tudo o que é próprio de Deus» (108). É o caso, em primeiro lugar, do conhecimento íntimo e imediato que o Filho de Deus feito homem tem do seu Pai (109). O Filho também mostrava, no seu conhecimento humano, a clarividência divina que tinha dos pensamentos secretos do coração dos homens (110). 474. Pela sua união com a Sabedoria divina na pessoa do Verbo Encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava, em plenitude, da ciência dos desígnios eternos que tinha vindo revelar (111). O que neste domínio Ele reconhece ignorar (112) declara, noutro ponto, não ter a missão de o revelar (113). 475. De igual modo, a Igreja confessou, no sexto Concilio ecumênico, que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas mas cooperantes, de maneira que o Verbo feito carne quis humanamente, em obediência ao Pai, tudo quanto decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para a nossa salvação (114). A vontade humana de Cristo «segue a sua vontade divina, sem fazer resistência nem oposição em relação a ela, antes estando subordinada a essa vontade omnipotente» (115).


Concílio Ecumênico de Niceia I (ano 325)

Decisão do Concílio:
  • O Concílio condenou a heresia do arianismo (que argumentava que Cristo não partilhava da mesma substância de Deus, mas foi criado por Deus como todas as outras criaturas) e afirmou a divindade e a eternidade de Jesus Cristo definindo a relação entre o Pai e o Filho como “de uma só substância”.
  • Criou a primeira parte do Credo/Símbolo Niceno, um símbolo de fé que reflete, de forma sintética e clara, a confissão genuína da fé recebida e admitida pelos cristãos. Nele consta que Jesus Cristo é "da substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não criado, homoousios tou Patrou (consubstancial ao Pai)".
  • Fixou a data da Páscoa, sendo escolhido o primeiro domingo depois da primeira lua cheia da primavera para a celebração.
Motivo do concílio:
  • Desde o fim da era apostólica, os cristãos começaram a debater as seguintes questões: Quem é o Cristo? Ele é mais divino que humano ou mais humano que divino? Jesus foi criado ou gerado? Sendo o Filho de Deus, Ele é coigual e coeterno com o Pai, ou é inferior em status do que o Pai? O Pai é o único Deus verdadeiro, ou o Pai, Filho e Espírito Santo são o único Deus verdadeiro? Um sacerdote chamado Ário, que negava a verdadeira divindade de Jesus Cristo, apresentou seu argumento de que Jesus não era um ser eterno, mas havia sido criado em um determinado momento pelo Pai. Bispos como Alexandre e o diácono Atanásio defenderam a posição oposta: que Jesus Cristo é eterno, assim como o Pai.

Concílio Ecumênico de Constantinopla I (Ano 381)

Decisão do Concílio:
  • O Concílio condenou as heresias do macedonianismo (que negava a divindade do Espírito Santo), e do apolinarismo (segundo a qual Jesus Cristo teria um corpo humano, porém dotado de uma mente exclusivamente divina) bem como os resquícios do arianismo (que argumentava que Cristo não partilhava da mesma substância de Deus, mas foi criado por Deus, assim como todas as outras criaturas e o homem) e definiu a posição ortodoxa de que Cristo é totalmente homem e totalmente Deus.
  • Para reforçar a crença na Terceira Pessoa da Trindade, promoveu uma ampliação do Credo de Nicéia, com ênfase na divindade do Espírito Santo, acrescentando ao Credo Niceno dois artigos: um artigo sobre o Espírito Santo, descrevendo-o como "o Senhor, o Doador da Vida, que procede do Pai, que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, e que falou através dos profetas", e um artigo sobre a Igreja, o batismo e a ressurreição dos mortos. Com isso ficou estabelecido que o Espírito Santo é do mesmo ser que Deus Pai, colocando-O no mesmo patamar do Pai e do Filho. Esta decisão do concílio sobre o Espírito Santo também deu apoio oficial para o conceito da Trindade. Motivo do concílio:
  • Encontrar novos meios para combater a heresia ariana e esclarecer sobre a divindade do Espírito Santo, uma vez que os macedonianos negavam a Sua divindade. Até cerca do ano 360, debates teológicos tratavam principalmente da divindade de Jesus, a segunda pessoa da Trindade. O Concílio de Niceia, realizado no ano 325, não havia esclarecido sobre a divindade do Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade.

  • Concílio Ecumênico de Éfeso (ano 431)

    Decisão do Concílio:
    • O Concílio condenou a heresia do nestorianismo (que negava a união entre as naturezas humana e divina de Jesus) e decretou que Jesus era uma só pessoa (hipóstase), ainda que possuísse uma natureza humana e divina.
    • Em consequência, a Virgem Maria deveria ser chamada Mãe de Deus – “Theotokos” –, palavra grega que significa "portadora de Deus" (aquela que deu à luz a Deus). Afinal, a união da segunda Pessoa Divina com a natureza humana se deu no seio virginal de Maria desde o primeiro instante da encarnação do Verbo. Ora, como toda mãe é mãe de uma pessoa e a pessoa que Maria gerou é a segunda pessoa da Trindade unida à natureza humana, esse título seria o mais apropriado, não porque tenha gerado Deus na eternidade, mas porque no tempo gerou o Homem-Deus. Assim, as naturezas divina e humana de Cristo ficaram incólumes, unidas hipostaticamente em uma única pessoa, uma vez que Jesus é inteiramente Deus e Homem.
    Motivo do concílio:
    • Sanar as discussões cristológicas sobre as duas naturezas de Jesus Cristo e as questões relativas à maternidade de Maria. Nestório defendia que Cristo não seria uma única pessoa, mas duas diferentes: uma de natureza humana e outra divina unidas por uma habitação da divindade na natureza humana, como em um templo, ou de uma túnica que estivesse unida ao corpo. Em consequência, defendia que, na Cruz, Deus não sofreu e morreu por amor aos homens, mas apenas o homem Jesus. O sacrifício cruento do Salvador em resgate do mundo perderia todo o sentido, pois uma pessoa somente humana jamais possuiria méritos infinitos para redimir o gênero humano do pecado original. O mistério da Redenção, da Santíssima Trindade e da Encarnação foram simultaneamente questionados.
    • Nestório também alegava que Maria deveria ser chamada apenas de Cristótoco (portadora de Cristo), não Teótoco (portadora de Deus), daí, o termo grego imposto por Nestório, anthropotókos, Mãe do homem. Ele procurou restringir o papel de Maria, como mãe apenas da natureza humana de Cristo e não da natureza divina, ao contrário do ensinamento tradicional dos outros padres da igreja.
    • O ataque de Nestório ao título de Mãe de Deus atingiu a devoção dos cristãos a Nossa Senhora e o tema transformou-se em fonte de discussões e protestos mesmo durante os cultos. Em oposição a essas heresias, os adversários de Nestório, liderados por São Cirilo, Patriarca de Alexandria, consideravam essa ideia inaceitável, pois entendiam que Nestório estava destruindo a união perfeita e inseparável da natureza divina e humana em Jesus Cristo.

    Concílio Ecumênico de Calcedônia (ano 451)

    Decisão do Concílio:
    • O Concílio condenou as heresias monofisista (para quem a natureza de Jesus seria unicamente divina) e nestoriana (para a qual em Cristo haveria duas pessoas distintas, uma humana e outra divina). Em consequência, essas heresias também negavam que Maria pudesse ser a mãe de Deus.
    • Em resposta, o Concílio emitiu a seguinte DECLARAÇÃO DE FÉ (CREDO DE CALCEDÔNIA): Fiéis aos santos Pais, todos nós, perfeitamente unanimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade; verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo, consubstancial com o Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em tudo semelhante a nós, excetuando o pecado; gerado segundo a divindade pelo Pai antes de todos os séculos, e nestes últimos dias, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus; um e só mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis; a distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, antes é preservada a propriedade de cada natureza, concorrendo para formar uma só pessoa e em uma subsistência; não separado nem dividido em duas pessoas, mas um só e o mesmo Filho, o Unigênito, Verbo de Deus, o Senhor Jesus Cristo, conforme os profetas desde o princípio acerca dele testemunharam, e o mesmo Senhor Jesus nos ensinou, e o Credo dos santos Pais nos transmitiu.
    Motivo do concílio:
    • Este concílio reuniu-se para tentar ainda dizimar dúvidas que surgiram na doutrina sobre Jesus e a Santíssima Trindade.

    Concílio Ecumênico de Constantinopla II (ano 553)

    Decisão do Concílio:
    • O concílio condenou a heresia monofisista e do nestorianismo (que negavam a união entre as naturezas humana e divina de Jesus).
    • Reafirmou a dupla natureza de Jesus (humana e divina) uma vez que o Deus-Verbo que fez os milagres é o mesmo que sofreu na Cruz e confirmou mais uma vez a doutrina da Trindade Divina, uma só divindade adorada em três pessoas.
    • Reafirmou que a Virgem Maria deveria ser chamada Mãe de Deus (do grego Teótoco), e não apenas a mãe do homem (Antropótoco) ou a mãe de Cristo (Christótoco).
    • Proclamou a "virgindade perpétua de Maria" (Cânon 2).
    Motivo do concílio:
    • A temática do concílio girou em torno das heresias que negavam a unidade das naturezas de Cristo e, em consequência, a maternidade de Maria.

    Concílio Ecumênico de Constantinopla II (ano 553)

    Cânon 1: Se alguém não reconhece a única natureza ou substância (oysia) do Pai, Filho e Espírito Santo, sua única virtude e poder, uma Trindade consubstancial, uma só divindade adorada em três pessoas (hypostáseis) ou caracteres (prósôpa), seja anátema. Porque existe um só Deus e Pai, do qual procedem todas as coisas, e um só Senhor Jesus Cristo, através do qual são todas as coisas, e um só Espírito Santo, no qual estão todas as coisas.
    Cânon 2: Se alguém não confessa que há duas concepções do Verbo de Deus, uma antes dos tempos, do Pai, intemporal e incorporal, e a outra nos últimos dias, concepção da mesma pessoa, que desceu do céu e foi feito carne por obra do Espírito Santo e da gloriosa Genitora de Deus e sempre virgem Maria, e que dela nasceu, seja anátema.
    Cânon 3: Se alguém disser que existiu um Deus-Verbo, que fez os milagres, e um Outro Cristo, que sofreu, ou que Deus, o Verbo, estava com Cristo quando nasceu de uma mulher, ou que estava nele como uma pessoa em outra, e que ele não era um só e o mesmo Senhor Jesus Cristo, encarnado e feito homem, e que os milagres e os sofrimentos que ele suportou voluntariamente na carne não pertenciam à mesma pessoa, seja anátema.
    Cânon 10: Se alguém não confessar que aquele que foi crucificado na carne, Nosso Senhor Jesus Cristo, é o verdadeiro Deus e Senhor da glória, e uma pessoa da santissima Trindade, seja anátema.

    Concílio Ecumênico de Constantinopla III (ano 680-681)

    Decisão do Concílio:
    • Condenou a heresia do monotelismo (que admitia em Cristo uma única vontade e uma única operação ou princípio de atuação, a saber: o divino) e definiu que Jesus Cristo tem duas naturezas e duas vontades (divina e humana).
    • A contribuição fundamental do Terceiro Concílio de Constantinopla foi a definição dogmática a respeito das vontades e operações de Jesus. Este concílio fecha, por assim dizer, o ciclo dos concílios cristológicos.
    • É, ao mesmo tempo, uma continuação dos concílios anteriores e resume a doutrina sobre Cristo como entendida pelos Padres da Igreja desde os primeiros tempos. Isso é especialmente visto quando ele aplica às vontades e operações de Jesus os termos que o Concílio de Calcedônia aplicou às duas naturezas; é uma consequência necessária, visto que vontade e operações são próprias de ambas as naturezas. Na verdade, uma natureza humana sem uma vontade humana efetiva seria uma natureza profundamente diminuída (Cristo não seria um homem perfeito).
    • Santo Atanásio, comentando Mateus 26, 39, diz: “Jesus manifesta ali duas vontades, a vontade humana que é da carne e a vontade divina que é de Deus; a vontade humana pede a distância do sofrimento por causa da fraqueza da carne; no entanto, a vontade divina está disposta”.
    • São João Damasceno diz: “Existem em Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a diversidade das naturezas, duas vontades, não contrárias. Nem a vontade natural, nem a faculdade natural da vontade, nem as coisas que estão naturalmente sujeitas, nem o exercício natural da mesma vontade, são contrários à vontade divina. A vontade divina criou todas as coisas naturais. Só o que é contrário à natureza também é contrário à vontade divina, como o pecado, que Jesus Cristo não levou. Mais porque um é a pessoa de Jesus Cristo e um é o próprio Jesus Cristo, um é também aquele que deseja através de cada uma das duas naturezas”. A vontade humana de Cristo “segue a vontade divina, sem estar em resistência nem em oposição em relação a ela, mas antes sendo subordinada a esta vontade todo “poderosa”” (DS 556; CIC 475).
    Motivo do concílio:
    • Combater a heresia do monotelismo, que é um substituto para o monofisismo que só admitia no homem-Deus uma única natureza: o Logos.

    Carta a Diogneto (ano 120 d.C.). Obra: "Patrística: Padres Apologistas. Vol. 2. Ed. Paulus. São Paulo. 1995. 311p." (pág. 25/26)

    “Nenhum homem viu, nem conheceu a Deus, mas ele próprio se revelou a nós. Revelou-se mediante a fé, unicamente pela qual é concedido ver a Deus. Deus, Senhor e criador do universo, que fez todas as coisas e as estabeleceu em ordem, não só se mostrou amigo dos homens, mas também paciente. Ele sempre foi assim, continua sendo, e o será: clemente, bom, manso e verdadeiro. Somente ele é bom. Tendo concebido grande e inefável projeto, ele o comunicou somente ao Filho.. Enquanto o mantinha no mistério e guardava sua sábia vontade, parecia que não cuidava de nós, não pensava em nós. Todavia, quando, por meio do seu Filho amado, revelou e manifestou o que tinha estabelecido desde o princípio, concedeu-nos junto todas as coisas: não só participar dos seus benefícios, mas ver e compreender coisas que nenhum de nós teria jamais esperado.”Quando Deus dispôs tudo em si mesmo juntamente com seu Filho, no tempo passado, ele permitiu que nós, conforme a nossa vontade, nos deixássemos arrastar por nossos impulsos desordenados, levados por prazeres e concupiscências. Ele não se comprazia com os nossos pecados, mas apenas os suportava. Também não aprovava aquele tempo de injustiça, mas preparava o tempo atual de justiça, para que nos convencêssemos de que naquele tempo, por causa de nossas obras, éramos indignos da vida, e agora, só pela bondade de Deus, somos dignos dela. Também para que ficasse claro que por nossas próprias forças era impossível entrarmos no Reino de Deus, e que somente pelo seu poder nos tornamos capazes disso.”

    Carta de Barnabé (134-135 d.C.). Obra: "Patrística: Padres Apostólicos. São Paulo. Ed. Paulus. 1995 [catecismo primitivo] (pág. 292, 294/295)

    Ainda o seguinte, meus irmãos: "Se o Senhor suportou sofrer por nós, embora fosse o Senhor do mundo inteiro, a quem Deus disse desde a criação do mundo [Deus disse ao Filho]: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança", como pode ele suportar sofrer pela mão dos homens? Aprendei. Os profetas, que tinham a graça dele, profetizaram a seu respeito. E ele a fim de destruir a morte e mostrar a ressurreição dos mortos, teve que se encarnar e sofrer, a fim de cumprir a promessa feita aos pais e preparar para si o povo novo e demonstrar, durante sua estada na terra, que era ele mesmo que julgaria, depois de ter realizado a ressurreição". [pág. 292]

    [...]
    De fato, a Escritura fala a nosso respeito, quando ele diz ao Filho: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que eles dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar." E, vendo que nós éramos boa criação, o Senhor disse: "Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra." Foi isso que ele disse ao Filho. [pág. 294/295]


    O Pastor de Hermas (142-155 d.C.). Obra: "Nona Parábola, in Patrística: Padres Apostólicos. São Paulo. Ed. Paulus. 1995." [catecismo primitivo] (pág. 255)

    Eu perguntei [ao anjo da penitência]: “Antes de tudo, explica-me o que representam a rocha e a porta.” Ele me respondeu: “A rocha e a porta são o Filho de Deus.” Eu continuei: “Como é que a rocha é antiga e a porta é recente?” Ele explicou: “Escuta, homem insensato, e compreende. O Filho de Deus nasceu antes de toda a criação, embora ele tenha sido o conselheiro de seu Pai para a criação. É por isso que a rocha é antiga.” Eu lhe perguntei: “E porque a porta é nova, Senhor?” Ele respondeu “Porque ele se manifestou nos últimos dias da consumação. A porta foi feita recentemente, para que os que devem salvar-se entrem por ela no Reino de Deus.

    Justino de Roma (100-165 d.C.). Obra: "Diálogos com o sábio judeu Trifão (155 d.C.) in Patrística: Padres Apologistas. Vol. 2. Ed. Paulus. São Paulo. 1995. 324p."

    “Eu prossegui: — Amigos, apresentar-vos-ei outro testemunho das Escrituras sobre um princípio anterior a todas as criaturas que Deus gerou, [Pr 8,22, tornou-se, a partir dos apologistas, uma referência fundamental para demonstrar a preexistência do Verbo-Sabedoria e seu papel na criação] certa potência racional de si mesmo, que é chamada pelo Espírito Santo Glória do Senhor, às vezes Filho, outras Sabedoria, ou ainda Anjo ou Deus, Senhor, Palavra. [...] Entretanto, será a palavra da sabedoria que me dará testemunho, pois ela é esse mesmo Deus gerado pelo Pai do universo e que subsiste como palavra, sabedoria, poder e glória daquele que a gerou. Ela diz o seguinte, pela boca de Salomão: "Depois de anunciar-vos o que acontece cada dia, ater-me-ei a enumerar-vos as coisas que existem desde a eternidade. O Senhor me gerou como princípio de seus caminhos para as suas obras. Alicerçou-me antes do tempo, no princípio, antes de fazer a terra, antes de criar os abismos, antes de fazer brotar as fontes das águas, antes de assentar as montanhas, antes de todas as colinas, ele me gerou. O Senhor fez as regiões, a terra inabitada e os montes que se habitam debaixo do céu. Quando ele preparava o céu, eu lhe fazia companhia; quando colocava seu trono acima dos ventos, quando dava solidez às nuvens do alto, quando solidificava as fontes do abismo, quando firmava os alicerces da terra, junto a ele estava eu, harmonizando. Era comigo que ele se alegrava; em todo o tempo, dia a dia, eu me regozijava em sua presença, porque ele se regozijava terminando a terra e se regozijava nos filhos dos homens.” [pág. 204/205]

    “Amigos, foi do mesmo modo que a palavra de Deus se expressou pela boca de Moisés ao indicar-nos que o Deus que se manifestou a nós falou a mesma coisa na criação do homem, dizendo estas palavras: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. [...] Para que não deturpeis as palavras citadas e digais o que dizem os vossos mestres, que Deus se dirigiu a si mesmo ao dizer "façamos", como nós, ao fazer algo, dizemos "façamos", ou que falou com os elementos, isto é, com a terra e outras coisas de que sabemos que o homem é composto, e a eles disse "façamos", citar-vos-ei agora outras palavras do mesmo Moisés. Através delas, sem nenhuma discussão possível, temos de reconhecer que Deus conversou com alguém que era numericamente distinto e igualmente racional. Ei-las: "Eis que Adão se tornou como um de nós para conhecer o bem e o mal" [Gn 3,22]. Portanto, ao dizer "como um de nós", indica o número dos que entre si conversam e que, no mínimo, são dois. Não posso aceitar como verdadeiro o que dogmatiza aquela que entre vós se chama heresia, nem os seus mestres são capazes de provar que Deus fala com anjos ou que o corpo humano é obra de anjos. Mas esse gerado, emitido realmente pelo Pai, estava com ele antes de todas as criaturas e com ele o Pai conversa, como nos manifestou a palavra por meio de Salomão, ao dizer-nos que, antes de todas as criaturas, foi gerado por Deus como princípio e progênie esse mesmo que é chamado sabedoria por Salomão.” [pág. 205/206]

    “E as palavras de Davi: "Nos esplendores dos teus santos, do ventre, antes do astro da manhã, eu te gerei.” [pág. 205/207]

    “Existem outras expressões semelhantes ditas pelo legislador e pelos profetas, mas eu creio que já citei o suficiente. Quando meu Deus diz: "O Deus subiu de Abraão", ou: "Deus falou a Moisés", ou: "O Senhor desceu para ver a torre que os filhos dos homens haviam construído", ou ainda quando diz: "Deus fechou a arca de Noé por fora", não penseis que é o Deus ingênito que sobe e desce de algum lugar. De fato, o Pai inefável Senhor de todas as coisas não chega a alguma parte e não passeia, nem dorme ou se levanta, mas permanece sempre em sua própria região, onde quer que ela se situe, olhando com olhar penetrante, ouvindo com agudez, não com olhos e ouvidos, mas por um poder inefável. Ele vigia tudo e tudo conhece, e ninguém de nós lhe está oculto. Sem que tenha que mover-se, ele que não cabe em nenhum lugar, nem no mundo inteiro e que já existia antes que o mundo existisse. Como então, poderia ter falado a alguém, aparecer a alguém, circunscrever-se a uma pequena porção de terra, se o povo não pôde resistir à glória de seu enviado no Sinai, se o próprio Moisés não pôde entrar na tenda que ele havia construído, pois estava cheia da glória de Deus, se o sacerdote não teve forças para ficar em pé diante do Templo quando Salomão levou a arca para a casa que o próprio Salomão havia construído em Jerusalém? Portanto, nem Abraão, nem Isaac, nem Jacó, nem qualquer outro homem jamais viu aquele que é Pai inefável e Senhor absoluto de todas as coisas e também do próprio Cristo, mas viu seu Filho, que também é Deus por vontade daquele, e Anjo por estar a serviço de seus desígnios, aquele mesmo que o Pai quis que nascesse homem por meio da virgem e que, em outro tempo, se tornou fogo para falar com Moisés a partir da sarça. De fato, se não entendemos dessa forma as Escrituras, ter-se-á que admitir que o Pai e Senhor do universo não estava no céu quando Moisés nos conta. "O Senhor fez chover sobre Sodoma fogo e enxofre da parte do Senhor, desde o céu" [Gn 19,24]. A mesma coisa que Davi nos diz: "Levantai, ó príncipes, as vossas portas; levantai-vos, portas eternas, e entrará o rei da glória" [Sl 24,7]. Por fim, quando nos diz: "Disse o Senhor ao meu Senhor Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos como escabelo para teus pés" [Sl 110,1]. Demonstrei profundamente que Cristo, que é Senhor e Deus, Filho de Deus, antes apareceu prodigiosamente como Homem, como Anjo e também na glória do fogo, como na visão da sarça e no julgamento de Sodoma. Todavia, citei novamente tudo o que tinha escrito antes, tomado do Êxodo, tanto sobre a visão da sarça, como sobre o nome de Jesus, e continuei.” [pág. 304/305]


    Teófilo de Antioquia (180 d.C.). Obra: "Primeiro livro a Autólico in Patrística: Padres Apologistas. Vol. 2. Ed. Paulus. São Paulo. 1995. 311p." (pág. 239, 248, 252)

    “De fato, não existiam profetas quando o mundo era feito; existia, porém, a sabedoria que nele estava, e o seu Verbo santo [Jesus], que sempre estava presente a ele. Daí ele dizer por meio do profeta Salomão: "Quando ele preparava o céu, eu estava com ele, e quando ele afirmava os alicerces da terra, eu estava junto dele, harmonizando tudo".” [pág. 239]

    “De fato, tendo Deus feito o universo por sua palavra, considerou tudo como coisa acessória e julgou como obra eterna digna de sua criação somente a criação do homem. Além disso, Deus se apresenta como se precisasse de Ajuda, pois diz: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, mas não diz a ninguém essa palavra "Faça-mos", a não ser a seu próprio Verbo [Jesus] e à sua Sabedoria [o Espírito Santo].” [pág. 248]

    “O seu Verbo [Jesus], porém, pelo qual ele fez todas as coisas, sendo sua potência e sabedoria, tomando a figura do Pai e Senhor do universo, foi ele que se apresentou no jardim em figura de Deus e conversava com Adão. De fato, a própria divina Escritura nos ensina que Adão disse ter ouvido a sua voz. Que outra coisa é essa voz senão o Verbo de Deus, que é também seu Filho? Filho não à maneira como poetas e mitógrafos dizem que nascem filhos dos deuses por união carnal, mas como a verdade explica que o Verbo de Deus está sempre imanente no coração de Deus. Porque antes de criar alguma coisa, o tinha por conselheiro, pois era sua mente e pensamento. E quando Deus quis fazer tudo o que havia deliberado, gerou esse Verbo proferido, como primogênito de toda criação, não esvaziando-se de seu Verbo, mas gerando o Verbo e conversando Sempre com ele. Por isso, as santas Escrituras e todos os portadores do espírito nos ensinam, dentre as quais João diz: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus", dando a entender que no princípio existia apenas Deus e nele o seu Verbo. Depois diz: "E Deus era o Verbo. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito." Portanto, sendo o Verbo Deus e nascido de Deus, quando o Pai do universo quer, ele o envia a algum lugar e, chegando aí, ele é ouvido e visto, pois é enviado por ele e se encontra em algum lugar. [nota: Deve-se observar que nem todos os profetas eram rudes, ignorantes ou pastores. Só Amós era pastor, Entre eles encontram-se homens cultos, letrados, de corte como Isaías, Ezequiel, por exemplo.]” [pág. 252]


    Santo Ireneu, Bispo de Lião (140-200 d.C.). Obra: "Patrística: Padres Apologistas. Vol. 4. Ed. Paulus. São Paulo. 1995. 624p." (pág. 429)

    Contra as Heresias: Continuidade entre Antigo e Novo Testamento (189-198 d.C.) “Que antes que houvesse a criação o Verbo, isto é, o Filho, sempre estivesse com o Pai, demonstramo-lo amplamente; como também estava a Sabedoria, que outro não é senão o Espírito. É o que nos diz pela boca de Salomão: “Deus, pela sabedoria, fundou a terra; pela inteligência preparou o céu; pela sua ciência os abismos jorraram as fontes e as nuvens destilaram o seu orvalho”. E ainda: “O Senhor criou-me como princípio de seus caminhos, em vista de suas obras; antes dos séculos me fundou; no princípio, antes de fundar a terra, antes de fazer os abismos, antes de as fontes começarem a jorrar água, antes de firmar os montes, ele me gerou”. E ainda: “Quando preparava o céu eu estava com ele, quando fixava as fontes dos abismos e consolidava os fundamentos da terra, eu estava com ele, ajeitando. Era aquela em que ele se alegrava e todo dia eu me deliciava diante de sua face, por todo o tempo, quando se alegrava por ter acabado o mundo e se deliciava entre os filhos dos homens [Pr 3,19-20; 8,22-25.27-31]”.”

    Santa Catarina de Sena (Itália, 1347-1380). Obra: "O Diálogo. Editora Paulus. 1ª edição. 14ª impressão. 2015. São Paulo. 409p." (pág. 230)

    Resposta de Deus à Santa Catarina: “Afirmei que o corpo do meu Filho é um sol. Um sol indivisível: onde está o corpo, aí se encontra o sangue; onde estão o corpo e o sangue, aí se acha a alma de Cristo; e onde estão o corpo e a alma, aí se encontra a divindade. A natureza divina de Cristo jamais abandonou a natureza humana; nem a morte os separou. Desse modo, é toda a essência divina que recebeis nesse dulcíssimo sacramento, sob as espécies do pão. Como o sol não pode ser desintegrado, da mesma forma não se divide o todo-Homem e todo-Deus na brancura da hóstia. Suponhamos que a partícula seja subdividida; mesmo que se obtenham milhões de pedacinhos, em cada um deles está o todo-homem e todo-Deus. Como acontece num espelho quebrado, no qual a imagem quebrada se mostra inteira, assim o todo-Homem e o todo-Deus está todo em cada parte da hóstia.”

    Irmã Maria Consolata Betrone (Itália, 1903-1943). Obra "O coração de Jesus ao mundo, do Padre Lorenzo Sales (Itália, 1889-1972). Ed. Paulinas. Portugal. 2003. 283p." (pág. 90/91)

    "Também nisto, Jesus pede à Irmã Consolata a perfeição máxima. Dizia-lhe (24 de Março de 1934): «Consolata, bem sabes que te amo muito! Olha, o meu coração é divino, mas também é humano como o teu; por isso tenho sede do teu amor, de todos os teus pensamentos.”

    C.S.Lewis (Reino Unido, 1898-1963). Obra: "Cristianismo puro e simples. 3ª edição, 2009." (pág. 209/210, 212)

    O que Deus gera é Deus, assim como o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus, assim como o que o homem faz não é homem. É por isso que os homens não são filhos de Deus no mesmo sentido em que Cristo o é. Podem se parecer com Deus em certos aspectos, mas não são coisas da mesma espécie. Os homens são mais semelhantes a estátuas ou quadros de Deus. A estátua tem a forma de um homem, mas não tem vida. Da mesma maneira, o homem tem (num sentido que ainda vou explicar) a "forma" ou semelhança de Deus, mas não o tipo de vida que Deus possui. [...] E é exatamente disso que trata o cristianismo. Este mundo é como o ateliê de um grande escultor. Nós somos as estátuas, e corre por aí o boato de que alguns de nós, um dia, ganharão a vida.”

    Frank J. Sheed (Austrália, 1897-1982). Obra: "Um mapa para a vida: uma explicação simples da fé católica. Editora Quadrante. São Paulo. 2016. 137p." (pág. 49)

    “Cristo, portanto, dispõe de dois «campos de ação». Pode agir fazendo uso tanto da sua natureza divina como da sua natureza humana. Recordemos o que afirmávamos há pouco: não é a natureza, mas a pessoa, que age. Assim, pois, quando Cristo agia em conformidade com a sua natureza divina ou com a sua natureza humana, era sempre a sua Pessoa a agir. E esta é somente uma: Deus Filho, o Verbo. Esta é, pois, a nossa atitude: Jesus Cristo é Deus. Tudo o que Jesus Cristo fez, Deus o fez. Quando Jesus Cristo agia com a sua natureza divina — por exemplo, ao ressuscitar mortos —, era Deus quem agia. Quando agia com a sua natureza humana — por exemplo, ao nascer, sofrer e morrer —, era Deus quem agia também: Deus nasceu, Deus padeceu, Deus morreu, pois quem agia era a pessoa, e a pessoa de Jesus Cristo é Deus.”

    Frank J. Sheed (Austrália, 1897-1982). Obra: "Um mapa para a vida: uma explicação simples da fé católica. Editora Quadrante. São Paulo. 2016. 137p." (pág. 135)

    Jesus Cristo Nosso Senhor está presente no Céu com o seu corpo, de forma que aparece sentado à direita do Pai com a sua natureza íntegra e perfeita, isto é, não somente alma, mas união de corpo e alma. O seu corpo é o corpo natural, glorificado. O corpo sem sofrimento nem deformidade já não é um véu que oculta a alma, mas agora, como se fosse translúcido, deixa que brilhe ainda mais radiante a alma que mora nele. Nossa Senhora está também presente corporalmente no Céu. Assim afirma a doutrina da Assunção. Mas as almas do Céu devem esperar o Ultimo Dia para se reunirem aos seus corpos.”

    Augusto Cury (Brasil, 1958-X). Obra: "Análise da Inteligência de Cristo: o Mestre da Sensibilidade. São Paulo. Ed. Academia de Inteligência. 2000. 214p." (pág. 85/88, 205)

    Após dizer aos seus amados discípulos para que eles tivessem ânimo porque ele vencera o mundo, levanta os olhos para o céu e diz: "Pai, e chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti; assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" [Jo 17,1-26]. [pág. 85)

    No conteúdo da sua longa oração, o mestre de Nazaré revelou algumas coisas perturbadoras. Entre elas, disse que sua existência extrapolava sua idade temporal, sua idade biológica. Tinha pouco mais de 33 anos, mas disse: "Glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" [Jo 17,1-26]. A palavra grega usada no texto para mundo significa "cosmos". Cristo revelou que antes que houvesse o mundo, o cosmos, ele estava lá, junto com o Pai na eternidade passada. Há bilhões de galáxias no universo, mas antes que houvesse o primeiro átomo e a primeira onda eletromagnética, ele estava lá. Por isso, João disse que nada tinha sido feito sem ele. Aqui novamente ele afirmou sua natureza divina, postulando que, como Deus filho, sua vida extrapolava os limites do tempo. Expressou que sua história ultrapassava os parâmetros do espaço e do tempo contidos na teoria de Einstein. [pág. 86/87)

    Certa vez, os fariseus o indagaram seriamente sobre sua origem. O mestre fitou-os e golpeou-os com a seguinte resposta: "Antes de Abrãao existir, eu sou". Assombrou-os a tal ponto com essa resposta que eles desejaram matá-lo. Não disse que antes de Abraão existir "eu já existia" mas sim que "Eu sou". Ao responder "Eu sou" não queria dizer apenas que era temporalmente mais velho do que Abraão, o pai dos judeus, mas usou uma expressão incomum para se referir a si mesmo. A mensagem foi entendida por aqueles estudiosos da lei. Eles sabiam que nada podia ser tão ousado quanto usar a expressão "Eu sou". Por que? Porque usou uma expressão que somente foi usada no Velho Testamento pelo próprio Deus de Israel, para descrever sua natureza eterna. Ao se definir, Deus disse a Moisés, no monte Sinai. "Eu sou o que sou ". [pág. 87)

    Aos olhos da cúpula judaica, se alguém dissesse que era mais velho do que Abraão, que morrera há séculos, ela o diagnosticaria. Como um louco, mas se usasse a expressão "Eu sou" seria considerado como o mais insolente blasfemo. Cristo, ao dizer tais palavras, estava declarando que tinha as mesmas dimensões alcançadas pela conjugação dos tempos verbais do verbo ser: ele é, era, será. [pág. 88)

    Em qualquer tempo ele "é". O passado, o presente e o futuro não o limitam. As respostas do mestre são curtas, mas suas implicações deixam embaraçado qualquer pensador. [pág. 88)

    João, na sua velhice, fez um relato surpreendente sobre Jesus. Descreveu. "Tudo foi feito nele (Cristo) e sem ele nada do que foi feito se fez”. Segundo o pensamento desse discípulo, o próprio Jesus projetou junto com o Pai a existência, o mundo animado e inanimado. Ambos, Pai e filho, colocaram o cosmos numa "prancha de arquitetura". Ambos foram responsáveis pela autoria da existência, por isso disse que sem ele nada se realizou. [pág. 205)


    Augusto Cury (Brasil, 1958-X). Obra: "Análise da Inteligência de Cristo: o Mestre do Amor. São Paulo. Ed. Academia de Inteligência. 2002. 229p." (pág. 215/216)

    Há bilhões de galáxias no universo, mas antes que houvesse o primeiro átomo e a primeira onda eletromagnética, ele estava lá. Disse que sua história ultrapassava os parâmetros do espaço e do tempo contidos na teoria da relatividade de Einstein. Ninguém pode dizer tais palavras, a não ser que esteja delirando. Todavia ele não delirava, era sábio, lúcido, coerente e sereno em tudo o que fazia. Como não nos surpreendermos com esse homem?

    Augusto Cury (Brasil, 1958-X). Obra: "O homem mais inteligente da história. Rio de Janeiro. Ed. Sextante. 2016. 265p."

    - Muitos empregados querem ser empresários, muitos empresários querem ser políticos, muitos políticos querem ser reis, muitos reis querem ser deuses, mas, para espanto das ciências humanas, o único homem que foi chamado de filho de Deus queria ser humano.
    — Jesus propunha uma revolução na essência da humanidade [...]
    [...] a personalidade de Jesus parecia ser muito diferente de todos os personagens que havia estudado: Abraham Lincoln, Nietzche, Sartre, Kant, Robespierre, Freud, Einstein. [...]

    nunca alguém tão grande desejou se fazer tão pequeno para tornar os pequenos grandes [...]
    [...] os estragos na humanidade ao longo da história não foram produzidos por seres humanos, mas por aqueles que se postulavam deuses, que faziam guerras, mesmo sendo mortais, que feriam, humilhavam e excluíam sem ter consciência de que um dia iriam para a solidão do túmulo. [pág. 171/172]

    - Jesus veio para transformar a humanidade, mas rejeitou os meios tradicionais: as críticas excessivas, a intimidação, o tom de voz elevado, os sermões, a punição [...]
    - O risco desse método inovador era enorme! Era uma nova linguagem, um novo processo, um novo projeto [...]

    - Jesus deveria ter a mais perfeita humanidade, por isso passou pelos mais dramáticos testes. Ele era o protótipo de um novo homem [...]

    - Parece que a grande meta de Jesus era humanizar o ser humano. [pág. 175/177]




    Obs.: As expressões no texto entre colchetes ou parêntesis destacadas na cor azul não fazem parte do original.