Padre Reginaldo Manzotti. Obra: "Parábolas. Ed. Petra. 1ª edição. Rio de Janeiro. 2015." (pág. 156/158) Comentário sobre a parábola das dez virgens (Mateus, 25, 1-13): “Ora, preparar-se para este momento crucial exige que sejamos prudentes. Mas, afinal, o que é prudência? No texto, as dez virgens apresentam semelhanças entre si, como o fato de portarem lâmpadas acesas, ocuparem o mesmo local e até de cochilarem todas ao mesmo tempo. Sobre este último aspecto, vale ressaltar que cochilar não pode ser considerado um pecado,
sobretudo quando a demora é longa. Os apóstolos que o digam. Eles achavam que Jesus voltaria antes de Pedro morrer, o que não ocorreu. João Evangelista viveu mais de cem anos e, mesmo assim, não foi suficiente para presenciar o retorno de Nosso Senhor.
Mas nós sabemos que essa demora não significa que Ele não cumprirá Sua promessa.
[...] A demora de Jesus é pedagógica para a nossa santificação. Deus é misericórdia, mas também é justiça, e
essa demora ocorre para que todos nós tenhamos tempo de nos converter. Jesus confirmou que a vontade do Pai é não perder nenhum de nós para que ressuscitemos no último dia (João 6,39). Muitas vezes, por nos depararmos com as situações de injustiça em que o mundo se encontra imerso, pensamos:
Por que Deus não desce o braço e acaba com tudo? Creio que toda vez que o braço do Pai desce, ele esbarra na Cruz do Filho, que posterga a justiça com a ajuda de Nossa Senhora, para que tenhamos tempo de sair da imprudência e nos tornarmos prudentes.”
C.S.Lewis (Reino Unido, 1898-1963). Obra: "Cristianismo puro e simples. 3ª edição, 2009." (pág. 87/88) “Porque Deus quis entrar sob disfarce neste mundo ocupado pelo inimigo, fundando uma espécie de sociedade secreta para minar o demônio? Por que não invade o território com força total? Será que ele não é forte o suficiente? Bem, os cristãos acreditam que Deus vai utilizar a força total; apenas não se sabe quando.
Mas podemos adivinhar o porquê do atraso. Agindo assim, ele nos dá uma chance de aderirmos à sua causa livremente.
[...] A invasão divina vai acontecer, não há dúvida quanto a isso; mas o que vamos ganhar se só então anunciarmos que estávamos do lado dele?
[...] De que isso nos valerá quando não pudermos mais escolher?
[...] Será tarde demais, então, para escolher um dos lados. Quando não é mais possível ficar de pé, de nada adianta você dizer que decidiu ficar deitado.
Aquele não será o tempo das escolhas, mas sim da revelação do lado a que pertencíamos, tivesse consciência disso ou não.”