Scott Hahn. Obra: "Salve, Santa Rainha - A mãe de Deus na palavra de Deus. Ed. Cleófas. 2015." (pág. 66, 69)Historicamente, tudo aconteceu como o povo via em torno deles para os modelos de governos. Lembre-se de que eles queriam um rei, a fim de ser "como todas as nações". Assim, seguindo os modelos dos povos vizinhos, eles estabeleceram uma dinastia, um sistema de leis, uma corte real
e uma Rainha-Mãe. Encontramos isso em Israel no início da dinastia davídica.
O primeiro sucessor de Davi, Salomão, reina com sua mãe, Betsabá à sua mão direita. A Rainha-Mãe de Israel, ou gebirah ("a grande dama"), aparece, em seguida, no decorrer da história da monarquia, até seu fim. Quando Jerusalém cai nas mãos da Babilônia, encontramos os invasores deportando o rei Joaquim
e também sua mãe, Neústa, a qual é citada em destaque, diante das esposas do rei (2Rs 24, 15; ver também Jr 13,18). Entre Betsabá e Neústa havia muitas rainhas-mães. Algumas trabalharam para o bem, outras não; mas nenhuma era uma simples figura decorativa. Gebirah era mais do que um título; era uma função com autoridade real. Considere a seguinte cena no início do reinado de Salomão: "Então Betsabá foi ao rei Salomão para lhe falar sobre Adonias. O rei se levantou para recebê-la e
se inclinou diante dela. Depois se assentou no trono,
mandou trazer um trono para a sua mãe, e Betsabá se sentou à sua direita" (1Rs 2, 19). Essa curta passagem nos traz considerações implícitas sobre o protocolo e o poder de estrutura da corte de Israel. Inicialmente, vemos que a Rainha-Mãe se aproximava de seu filho a fim de falar-lhe em nome de outra pessoa. Isso nos confirma o que já sabemos sobre as rainhas-mães nas outras culturas do Oriente Médio.
Vemos no épico de Gilgamesh, por exemplo, que a Rainha-Mãe, na Mesopotâmia, foi considerada uma intercessora, ou advogada, do povo.Em seguida, percebe-se que Salomão se levantou de seu trono quando sua mãe entrou no recinto. Isso dá um destaque ao assunto sobre o qual a Rainha-Mãe queria tratar com o rei. Qualquer outra pessoa que viesse à presença do rei deveria seguir o protocolo, mesmo suas mulheres deveriam curvar-se diante dele (1 Rs 1, 16). Contudo, Salomão se levanta para honrar Betsabá, mostrando mais respeito por ela ao curvar-se e lhe dar o lugar de maior honra, ao seu lado direito.
[...] Inicialmente, seu poder e autoridade
[de Salomão] não são, de forma alguma, ameaçados por ela. Ele se curva para ela, mas continua sendo o rei. Ela senta-se à sua direita e não ao contrário.É evidente, no entanto, que ele vai honrar seus pedidos não devido a alguma obrigação legal de obediência, mas, sim,
por amor filial. Até o momento dessa cena em particular, Salomão tinha claramente um histórico de ceder aos desejos de sua mãe. Quando Adonias primeiro se aproxima de Betsabá para solicitar sua intercessão, ele diz: "
Peça ao Rei Salomão; ele não vai lhe recusar". Embora tecnicamente Salomão seja superior a Betsabá, na ordem da natureza do pedido e do protocolo ele permanece sendo seu filho. Ele contava com ela, também, para ser sua maior conselheira para alertá-lo e instruí-lo de uma maneira que, talvez, em poucos assuntos ele tivesse a coragem de decidir. O capítulo 31 do livro dos Provérbios fornece um caso impressionante de quão seriamente um rei considerou o conselho da Rainha-Mãe. Apresentado como "as palavras de Lamuel, rei de Massa, que lhe foram ensinadas por sua mãe", o capítulo prossegue dando instruções substanciais práticas no governo. Não estamos falando aqui de sabedoria popular. Como uma conselheira política e até estrategista, uma advogada para o povo e uma pessoa que poderia ser considerada com franqueza,
a Rainha-Mãe era única na sua relação com o rei.
[pág. 66]Como o primeiro sucessor de Davi reinou ao lado de sua Rainha-Mãe, assim também o faria o seu último e eterno sucessor
[Jesus]. A monarquia de Davi encontra seu perfeito cumprimento no reinado de Jesus Cristo — e nunca houve um reino de Davi sem uma rainha davídica: a mãe do próprio rei, a Rainha-Mãe.Somente com essa chave de entendimento de Davi, nós poderemos desvendar os mistérios, por exemplo, das bodas de Caná. Maria se aproxima de seu filho para interceder pelas pessoas, exatamente como Betsabá falara com Salomão em nome de Adonias.
[pág. 69]