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Profecias sobre Jesus, o Messias (sobre Jesus)

 Que Jesus teria de passar pelo sofrimento (a paixão) e a morte de cruz

Bíblia Ave Maria (AT) (Salmo 21|22:1-31)

1.Ao mestre de canto. Segundo a melodia “A corça da aurora”. Salmo de Davi.
    Nota: As duas partes deste salmo dizem respeito ao servo de Javé sofredor e à conversão do mundo, que é a sua obra. Este salmo, e também outros semelhantes, como 30; 68; 87, que não têm contexto explicativo, só podem ser interpretados por aproximação com os raros textos semelhantes dos profetas, sobretudo com os capítulos 52-53 de Isaías. Veem-se aí anunciados os sofrimentos do Messias e seu resultado: a expiação universal e a conversão das nações
2.Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? E permaneceis longe de minhas súplicas e de meus gemidos?
    Nota: Abandonastes: sobre a cruz, Jesus dirige essa prece a seu Pai (Mt 27,46; Mc 15,34)
3.Meu Deus, clamo de dia e não me respondeis; imploro de noite e não me atendeis.
4.Entretanto, vós habitais em vosso santuário, vós que sois a glória de Israel.
5.Nossos pais puseram sua confiança em vós, esperaram em vós e os livrastes.
6.A vós clamaram e foram salvos; confiaram em vós e não foram confundidos.
7.Eu, porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe.
8.Todos os que me vêem zombam de mim; dizem, meneando a cabeça:
9.“Esperou no Senhor, pois que ele o livre, que o salve, se o ama”.

    Nota: 21,9. Esperou: os judeus pronunciaram essas palavras diante de Jesus crucificado (Mt 27,39)
10.Sim, fostes vós que me tirastes das entranhas de minha mãe e, seguro, me fizestes repousar em seu seio.
11.Eu vos fui entregue desde o meu nascer, desde o ventre de minha mãe vós sois o meu Deus.
12.Não fiqueis longe de mim, pois estou atribulado; vinde para perto de mim, porque não há quem me ajude.
13.Cercam-me touros numerosos, rodeiam-me touros de Basã;
14.contra mim eles abrem suas fauces, como o leão que ruge e arrebata.
15.Derramo-me como água, todos os meus ossos se desconjuntam; meu coração tornou-se como cera e derrete-se nas minhas entranhas.
16.Minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha língua: vós me reduzistes ao pó da morte.
17.Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas mãos e meus pés:
18.poderia contar todos os meus ossos. Eles me olham e me observam com alegria,
19.repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica.
    Nota: Texto citado em Mt 27,35. Minha túnica: ver Lc 23,34 e Jo 19,24
20.Porém, vós, Senhor, não vos afasteis de mim; ó meu auxílio, bem depressa me ajudai.
21.Livrai da espada a minha alma, e das garras dos cães a minha vida.
22.Salvai-me a mim, mísero, das fauces do leão e dos chifres dos búfalos.
23.Então, anunciarei vosso nome a meus irmãos, e vos louvarei no meio da assembleia.
24.“Vós que temeis o Senhor, louvai-o; vós todos, descendentes de Jacó, aclamai-o; temei-o, todos vós, estirpe de Israel,
25.porque ele não rejeitou nem desprezou a miséria do infeliz, nem dele desviou a sua face, mas o ouviu, quando lhe suplicava.”
26.De vós procede o meu louvor na grande assembleia, cumprirei meus votos na presença dos que vos temem.
27.Os pobres comerão e serão saciados; louvarão o Senhor aqueles que o procuram: “Vivam para sempre os nossos corações”.
28.Hão de se lembrar do Senhor e a ele se converter todos os povos da terra; e diante dele se prostrarão todas as famílias das nações,
29.porque a realeza pertence ao Senhor e ele impera sobre as nações.
30.Todos os que dormem no seio da terra o adorarão; diante dele se prostrarão os que retornam ao pó.
31.Para ele viverá a minha alma, há de servi-lo minha descendência. Ela falará do Senhor às gerações futuras e proclamará sua justiça ao povo que vai nascer: “Eis o que fez o Senhor”.

Bíblia Ave Maria (AT) (Salmo 68|69:1-37)

1.Ao mestre de canto. Segundo a melodia: “Os lírios”. 2.Salvai-me, ó Deus, porque as águas me vão submergir. 3.Estou imerso num abismo de lodo, no qual não há onde firmar o pé. Vim a dar em águas profundas, encobrem-me as ondas. 4.Já cansado de tanto gritar, enrouqueceu-me a garganta. Enfraqueceram-se meus olhos, enquanto espero meu Deus. 5.Mais numerosos que os cabelos de minha cabeça são os que me detestam sem razão. São mais fortes que meus ossos os meus injustos inimigos. [Nota: 68,5. Texto citado em Jo 15,25] Porventura posso restituir o que não roubei? 6.Vós conheceis, ó Deus, a minha insipiência, e minhas faltas não vos são ocultas. 7.Os que esperam em vós, ó Senhor, Senhor dos exércitos, por minha causa não sejam confundidos. Que os que vos procuram, ó Deus de Israel, não tenham de que se envergonhar por minha causa, 8.pois foi por vós que eu sofri afrontas, cobrindo-se meu o rosto de confusão. 9.Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe. 10.É que o zelo de vossa casa me consumiu, e os insultos dos que vos ultrajam caíram sobre mim. [Nota: 68,10. Texto citado em Jo 2,17; Rm 15,3, com aplicação deste versículo a Cristo] 11.Por mortificar minha alma com jejuns, só recebi ultrajes. 12.Por trocar minhas roupas por um saco, tornei-me zombaria deles. 13.Falam de mim os que se assentam às portas da cidade, escarnecem-me os que bebem vinho. 14.Minha oração, porém, sobe até vós, Senhor, na hora de vossa misericórdia, ó Deus. Na vossa imensa bondade, escutai-me, segundo a fidelidade de vosso socorro. 15.Tirai-me do lodo, para que não me afunde. Livrai-me dos que me detestam, salvai-me das águas profundas. 16.Não me deixeis submergir nas muitas águas, nem me devore o abismo. Nem se feche sobre mim a boca do poço. 17.Ouvi-me, Senhor, pois que vossa bondade é compassiva; em nome de vossa misericórdia, voltai-vos para mim. 18.Não escondais ao vosso servo a vista de vossa face; atendei-me depressa, pois estou muito atormentado. 19.Aproximai-vos de minha alma, livrai-me de meus inimigos. 20.Bem vedes minha vergonha, confusão e ignomínia. Ante vossos olhos estão os que me perseguem: 21.seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei. 22.Puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber. 23.Torne-se a sua mesa um laço para eles, e uma armadilha para os seus amigos. 24.Que seus olhos se escureçam para não mais ver, que seus passos sejam sempre vacilantes. 25.Despejai sobre eles a vossa cólera, e os atinja o fogo de vossa ira. 26.Seja devastada a sua morada, não haja quem habite em suas tendas, 27.porque perseguiram aquele a quem atingistes, e aumentaram a dor daquele a quem feristes. 28.Deixai-os acumular falta sobre falta, e jamais sejam por vós reconhecidos como justos. 29.Sejam riscados do livro dos vivos, e não se inscrevam os seus nomes entre os justos. 30.Eu, porém, miserável e sofredor, seja protegido, ó Deus, pelo vosso auxílio. 31.Cantarei um cântico de louvor ao nome do Senhor, e o glorificarei com um hino de gratidão. 32.E isso a Deus será mais agradável que um touro, do que um novilho com chifres e unhas. 33.Ó vós, humildes, olhai e alegrai-vos; vós que buscais a Deus, reanime-se o vosso coração, 34.porque o Senhor ouve os necessitados, e seu povo cativo não despreza. 35.Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo o que neles se move. 36.Sim, Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de Judá. Para aí hão de voltar e a possuirão. 37.A linhagem de seus servos a receberá em herança, e os que amam o seu nome aí fixarão sua morada.

NOTAS:
68,1. ...Os santos padres sublinharam o caráter messiânico desse salmo, do qual seis versículos estão citados no Novo Testamento: nele reconhecem, em sentido espiritual, a paixão e a ressurreição de Jesus Cristo, a vocação dos gentios e a reprovação dos maus.
68,22. Ver Mt 27,34; Jo 19,29
68,23. Texto citado em Rm 11,9s.
68,26. Texto citado em At 1,20

Bíblia Ave Maria (AT) (Isaías 53:1-12)

1.Quem poderia acreditar nisso que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor?
2.Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos.
3.Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.
4.Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado.
5.Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.
6.Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós.
7.Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca.
8.Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo?
9.Foi-lhe dada sepultura ao lado de facínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira.
10.Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor será por ele realizada.
11.Após suportar em sua pessoa os tormentos, ele se alegrará de conhecê-lo até o enlevo. O Justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniquidades.
12.Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados.

Bíblia Ave Maria (NT) (Mateus 8:17)

17.Assim se cumpriu a predição do pro­feta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males (Is 53,4).

Bíblia Ave Maria (NT) (Mateus 27:35)

35.Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando à sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram à sorte (Sl 21,19).

Bíblia Ave Maria (NT) (Mateus 27:46)

46.Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: “Eli, Eli, lammá sabactáni?” – o que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.

Bíblia Ave Maria (NT) (Marcos 15:24-37)

24.Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando à sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um. 25.Era a hora terceira quando o crucificaram. 26.A inscrição que motivava a sua condenação dizia: “O rei dos judeus”. 27.Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda. 28.[Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12)]. 29.Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: “Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias, 30.salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!”. 31.Dessa maneira, escarneciam dele também os sumos sacer­dotes e os escribas, dizendo uns para os outros: “Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar! 32.Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos!”. Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam. 33.Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas por toda a terra. 34.E à hora nona, Jesus bradou em alta voz: “Elói, Elói, lammá sabactá­ni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonas­te?”. 35.Ouvindo isso, alguns dos circunstantes diziam: “Ele chama por Elias!”. 36.Um deles correu e ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma vara, deu-lho para beber, dizendo: “Dei­xai, vejamos se Elias vem tirá-lo”. 37.Jesus deu um grande brado e expirou.

Bíblia Ave Maria (NT) (Lucas 9:22)

22.Ele acrescentou: “É neces­sário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É neces­sário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia”.

Bíblia Ave Maria (NT) (Lucas 9:44-45)

44.“Gravai nos vossos corações estas palavras: O Filho do Homem há de ser entregue às mãos dos homens!”. 45.Eles, porém, não entendiam essa palavra e era-lhes obscura, de modo que não alcançaram o seu sentido; e tinham medo de lhe perguntar a esse respeito. (= Mt 18,1-6 = Mc 9,33-39)

Bíblia Ave Maria (NT) (Lucas 23:33-34)

33.Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. 34.E Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem”. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 19:23-24)

23.Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. 24.Disseram, pois, uns aos outros: “Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados.

Bíblia Ave Maria (NT) (João 19:28-37)

28.Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: “Tenho sede”. 29.Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca. 30.Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: “Tudo está consumado”. Inclinou a cabeça e entregou o espírito. 31.Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. 32.Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. 33.Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, 34.mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. 35.O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais. 36.Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46). 37.E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que trans­pas­sa­ram (Zc 12,10). (= Mt 27,57-61 = Mc 15,42-47 = Lc 23,50-56)

Bíblia Ave Maria (NT) (Atos dos Apóstolos 3:13-18)

13. O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo. 14. Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedis­tes que se vos desse um homicida. 15. Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas. 16. Em virtude da fé em seu nome foi que esse mesmo nome consolidou este homem, que vedes e conheceis. Foi a fé em Jesus que lhe deu essa cura perfeita, à vista de todos vós. 17. Agora, irmãos, sei que o fizes­tes por ignorância, como também os vossos chefes. 18. Deus, porém, assim cumpriu o que já antes anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo devia padecer.

Bíblia Ave Maria (NT) (Lucas 24:44-47)

44. Depois lhes disse: “Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos.” 45. Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: 46. “Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. 47. E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48. Vós sois as testemunhas de tudo isso.

Justino de Roma (100-165 d.C.). Obra: "Diálogos com o sábio judeu Trifão (155 d.C.) in Patrística: Padres Apologistas. Vol. 2. Ed. Paulus. São Paulo. 1995. 324p."

“Trifão replicou. — Sabes muito bem que o nosso povo todo espera pelo Cristo. Também te concedemos que todas as passagens das Escrituras, que citaste, se referem a ele. Eu pessoalmente te declaro também que o nome de Jesus dado ao filho de Nave levou-me a ceder também nesse ponto. O que duvidamos é que o Cristo tivesse de morrer tão vergonhosamente, pois na lei se diz que é maldito aquele que morre crucificado. De modo que, por enquanto, é muito difícil para mim convencer-me disso. Que as Escrituras tenham anunciado um Cristo passível é evidente. O que desejo saber, se tiveres um argumento a demonstrar, é o fato de que ele teria que sofrer um suplício que está maldito na lei [Dt 21,23; Gl 3,13]. Eu respondi. — Se Cristo não tivesse que sofrer, se os profetas não tivessem predito que, por causa das iniqüidades do seu povo, teria de ser levado à morte, ser desonrado, açoitado, contado entre os malfeitores e levado como ovelha ao matadouro — ele, cuja origem o profeta disse que ninguém seria capaz de explicar —, haveria motivo para maravilhar-se. Contudo, se é isso que o distingue e o mostra para todo mundo, como nós também não creríamos nele com toda segurança? Todos os que ouvem as palavras dos profetas, logo que ouvem que ele foi crucificado, dirão que este é o Cristo e não outro.Trifão disse: — Instrui-nos sobre isso através das Escrituras, para que também nós nos convençamos. Com efeito, sabemos que ele haveria de sofrer e ser conduzido como ovelha ao matadouro. O que nos tens que demonstrar é que ele também deveria ser crucificado e morrer de morte tão desonrosa e amaldiçoada pela própria lei. Nós, de fato, não podemos sequer imaginar isso. Eu respondi. — Tu sabes, como vós mesmos concordastes, que tudo o que os profetas disseram e fizeram foi envolvido em comparações e símbolos, de modo que a maior parte das coisas não podem ser facilmente entendidas por todos, pois eles ocultaram a verdade que existe nesses símbolos, a fim de que aqueles que a buscam a encontrem e aprendam com esforço. Eles confirmaram: — De fato, concordamos com isso. Eu continuei: — Agora escuta o seguinte: o fato é que Moisés com os sinais que fez, foi o primeiro que manifestou essa suposta maldição da cruz. Ele perguntou. — A que sinais tu te referes? Eu expliquei: — Quando o povo fazia guerra contra Amalec e o filho de Nave, a quem foi dado o nome de Jesus, comandava a batalha, Moisés orava a Deus com as mãos estendidas. Hor e Aarão as sustentaram o dia todo, para que elas não se abaixassem por causa do cansaço. Como está escrito nos próprios livros de Moisés, o povo era vencido se essa figura que imitava a cruz cedia um pouco; entretanto, enquanto permanecia nessa forma, Amalec era derrotado. E se o povo tinha forças, era por causa da cruz que as tinha. De fato, o povo levava vantagem não porque Moisés orava dessa forma, mas porque ele formava o sinal da cruz, pois era o nome de Jesus que comandava a batalha. Com efeito, quem de vós não sabe que a melhor forma de aplacar a Deus é a que se faz com gemidos e lágrimas, com o corpo prostrado e joelhos dobrados? Contudo esse modo de orar sentado numa pedra, nem Moisés nem ninguém o fizera antes nem o fez depois. Por outro lado, a própria pedra, como já demonstrei, é um símbolo de Cristo.” [pág. 250/252]

“Portanto, se foi da vontade do Pai do universo que seu Cristo carregasse por amor o gênero humano com a maldição de todos, sabendo que o ressuscitaria depois de crucificado e morto, por que falais como de um maldito daquele que se dignou sofrer tudo isso pelo desígnio do Pai? Valeria mais que chorásseis a vós mesmos. De fato, é certo que foi o seu próprio Pai quem o fez sofrer tudo o que ele sofreu por causa do gênero humano, mas vós não agistes para cumprir um desígnio de Deus, assim como ao matar os profetas não realizastes uma obra de piedade. E que ninguém de vós diga. "Se o Pai quis que o Cristo sofresse para que, por meio de suas chagas, viesse a cura para o gênero humano, nós não cometemos nenhum pecado."” [pág. 258]

“Em outra passagem, no salmo 22, Davi também alude à paixão e à cruz, numa comparação misteriosa. "Perfuraram minhas mãos e meus pés, e contaram um por um todos os meus ossos. Eles me consideraram e contemplaram. Dividiram entre si as minhas roupas e sobre a minha túnica lançaram sortes." Com efeito, quando o crucificaram, ao cravar-lhe os cravos, perfuraram-lhe as mãos e os pés. E os mesmos que o crucificaram repartiram entre si as roupas dele, cada um lançando a sorte sobre o que queria escolher.” [pág. 260]

“Também dizeis que este salmo não se aplica a Cristo, pois estais completamente cegos e não percebeis que a ninguém do vosso povo, que tenha tido o título de rei, perfuraram as mãos e os pés enquanto estava vivo, nem morreu por este mistério, isto é, crucificado, mas apenas esse Jesus.Recitar-vos-ei o salmo inteiro, para que escuteis sua piedade para com o Pai e como a ele refere tudo, pedindo-lhe que o salve da morte, ao mesmo tempo que mostra no salmo quais eram os que se haviam levantado contra ele, e demonstra que era verdadeiramente homem, capaz de sofrer. O salmo é este: "Ó Deus, ó Deus meu, atende-me. Por que me abandonaste? Longe da minha salvação estão as palavras dos meus pecados. Ó Deus meu, gritarei durante o dia a ti, e tu não me escutarás; gritarei à noite, e não é coisa que eu ignore. Mas tu habitas em teu santuário, ó glória de Israel! Em ti esperaram os nosso pais; esperaram, e tu os livraste. Clamaram a ti e se salvaram; esperaram em ti e não se envergonharam. Eu, porém, sou um verme, e não um homem, zombaria dos homens e desprezo do povo. Todos os que me contemplaram zombaram de mim; falaram com seus lábios e moveram a cabeça: "Esperou no Senhor, que ele o livre e salve, pois lhe quer bem" Porque tu és aquele que me tiraste do ventre, a minha esperança desde os peitos de minha mãe: sobre ti fui lançado desde o seio dela. Desde o ventre da minha mãe, tu és o meu Deus. Não te afastes de mim, porque a tribulação está perto, e não há quem me socorra. Rodearam-me muitos novilhos, touros fortes me cercaram. Abriram contra mim a sua boca, como leão esperto e rugidor. Todos os meus ossos se derramaram e espalharam-se como água. O meu coração se tornou como cera, derretendo-se no meio do meu ventre. Minha força secou-se como um caco de telha e minha língua pegou-se ao meu palato, e tu me afundaste até o pó da morte. Porque me rodearam muitos cães, um bando de ímpios me cercou. Perfuraram minhas mãos e meus pés, e contaram todos os meus ossos. Eles me consideraram e contemplaram. Dividiram entre si as minhas roupas e sobre a minha túnica lançaram sortes. Tu, porém, Senhor, não afastes de mim a tua ajuda, atende à minha petição. Livra minha alma da espada e a minha unigênita da pata do cão. Salva-me das fauces do leão e dos chifres dos unicórnios, a minha humilhação. Narrarei o teu nome entre os meus irmãos e no meio da congregação entoarei hinos a ti. Louvai o Senhor, vós que o temeis; glorificai-o, toda a descendência de Jacó. Tema-o toda a descendência de Israel" [Sl 22,2-23]” [pág. 261/262]


Justino de Roma (100-165 d.C.). Obra: "I Apologia (155 d.C.) in Patrística: Padres Apologistas:. Vol. 2. Ed. Paulus. São Paulo. 1995. 324p." (pág. 64/66)

Escutai agora as profecias relativas à paixão e desonras que, feito homem, ele sofreria por nós, e a glória com que voltará. São estas: "Porque entregaram sua alma à morte e foi contado entre os iníquos, ele tomou os pecados de muitos e se reconciliará com os iníquos [Is 53,12]. Eis que meu servo entenderá, será levantado e glorificado muito. Do mesmo modo como muitos ficarão atônitos à tua vista — tão desonrada está a tua figura diante dos homens e tua glória tão longe dos homens — assim muitas nações ficarão maravilhadas e reis permanecerão silenciosos, porque aqueles para os quais não foi anunciado verão, e os que não ouviram, entenderão. Senhor, quem creu naquilo que ouviu de nós? Para quem foi revelado o braço do Senhor? Anunciamos diante dele como menino, como raiz em terra sedenta.
Ele não tem beleza nem glória; nós o vimos e não tinha beleza nem formosura, mas o seu aspecto estava desonrado e debilitado em comparação com os homens. Homem sujeito ao açoite e que sabe suportar a enfermidade, seu rosto está escondido, foi desonrado e desprezado. Leva sobre si nossos pecados e padece por nós, e nós consideramos que ele estava em fadiga, em açoite e desgraça. Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades e debilitado por causa de nossos pecados. A disciplina da paz estava sobre ele, fomos curados por sua chaga. Todos nós andávamos errantes como ovelhas, cada um se desviou pelo próprio caminho. Entregou-se por nossos pecados e, ao ser maltratado, não abre a boca. Foi levado como ovelha ao matadouro; como cordeiro que fica mudo diante daquele que o tosquia, ele também não abre a boca. Em sua humilhação, o seu julgamento foi tirado" [Is 52,13-53,8].Depois de ser crucificado, até seus discípulos o abandonaram e negaram. Depois, porém, quando ressuscitou dentre os mortos e foi visto por eles, depois que lhes ensinou a ler as profecias nas quais estava predito que isso deveria acontecer, e o viram subir ao céu e creram, depois que receberam a força que de lá lhes foi enviada por ele, espalharam-se entre todo tipo de homens, ensinaram-lhes todas essas coisas e foram chamados apóstolos.O Espírito profético, a fim de fazer-nos entender que quem padece essas coisas é de origem inexplicável e reina sobre seus inimigos, assim disse: "Quem explicará a sua geração? De fato, sua vida é arrebatada da terra, pelas iniqüidades deles caminha para a morte. Em lugar de sua sepultura darei os mares e por sua morte os rios, porque ele não cometeu iniqüidade e nem se achou engano em sua boca e o Senhor quer purificá-lo do açoite. Se oferecerdes pelo pecado, vossa alma verá descendência duradoura. Senhor quer afastar a alma dele da fadiga, mostrar-lhe luz, formá-lo na inteligência, justificar o justo que serviu bem a muitos, e ele mesmo carregará os nossos pecados. Por isso, herdará a muitos e repartirá os despojos dos fortes, porque sua alma foi entregue à morte por ter sido contado entre os iníquos, por ter carregado os pecados e ter-se entregue pelas iniqüidades deles" [Is 53,8-12]. Escutai como foi profetizado que ele deveria subir ao céu. Diz o seguinte: "Levantai as portas dos céus; abri-vos, portas, para que entre o rei da glória. Quem é esse rei da glória? O Senhor forte e o Senhor poderoso" [Sl 24,7-8]. Que ele também há de vir dos céus com glória, escutai o que sobre isso foi dito pelo profeta Jeremias. Ele diz assim: "Eis como um filho de homem vem sobre as nuvens do céu, e seus anjos com ele." [Não se trata de Jr, mas de Dn 7,13].

Scott Hahn e Curtis Mitch. Obra: "O evangelho de São João: Cadernos de estudo bíblico. Editora Ecclesiae. 1ª edição. 2015. 123p." (pág. 99/100)

Comentário da passagem de Jo 19, 36 “Nenhum dos seus ossos será quebrado": “Referência a Êx 12, 46. Essa restrição fazia parte da legislação da Páscoa de Israel, que não autorizava que cordeiros com ossos quebrados e manchas fossem mortos e comidos nas celebrações litúrgicas (Êx 12, 5; Nm 9, 11-12). Jesus, cujos ossos permaneceram intactos, é o cordeiro sem manchas (Jo 1, 29) que pode ser consumido na liturgia eucarística (6, 53-58; CIC 608).”

Augusto Cury (Brasil, 1958-X). Obra: "Análise da Inteligência de Cristo: o Mestre do Amor. São Paulo. Ed. Academia de Inteligência. 2002. 229p." (pág. 196/197)

O mais misterioso desse homem fascinante é que vários aspectos de sua biografia já tinham sido descritos sete séculos antes dele vir ao mundo. A descrição detalhada que o profeta Isaías fez do seu martírio desde que saiu da casa de Pilatos beira ao inimaginável. Disse: "Como pasmaram muitos a vista dele. O seu aspecto estava muito desfigurado, mais do que qualquer outro homem... Era o mais desprezado entre os homens. Homem de dores, que sabe o que é padecer... Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele...". Como não se surpreender com um homem que, além de possuir uma personalidade espetacular, foi predito em prosa e verso séculos antes de vir ao mundo? Que plano surpreendente estava nos bastidores da cruz?



Obs.: As expressões no texto entre colchetes ou parêntesis destacadas na cor azul não fazem parte do original.