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Dogmas marianos, Atributos e Títulos de Nossa Senhora
       Mãe de Deus (DOGMA, Theotokos)

 Maria é Mãe de Deus (Teotókos) não porque tenha gerado Deus na eternidade, mas porque no tempo gerou o Homem-Deus

Bíblia Ave Maria (AT)

ÍNDICE DOUTRINAL
MARIA SANTÍSSIMA – É mãe de Deus. Embora a Sagrada Escritura não diga que Maria é mãe de Deus, afirma expressamente que Jesus Cristo é o verdadeiro Deus e que Maria é sua mãe. Portanto, segue-se que ela é mãe de Deus: Mt 1,18; 2,11; At 1,14; Lc 1,41ss;

Catecismo da Igreja Católica

Item 466. A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Perante esta heresia, São Cirilo de Alexandria e o terceiro Concilio ecuménico, reunido em Éfeso em 431,confessaram que «o Verbo, unindo na sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, Se fez homem» (91). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida. Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, cm 431, que Maria se tornou, com toda a verdade, Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio: «Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne» (92). [...] Item 493. Os Padres da tradição oriental a chamam a Mãe de Deus «a toda santa» («Panaghia»), celebram-na como «imune de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura» (143). Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida. [...] Item 495. Chamada nos evangelhos «a Mãe de Jesus» (Jo 2, 1; 19, 25) (150), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo e desde antes do nascimento do seu Filho, como «a Mãe do meu Senhor» (Lc 1, 43). Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus («Theotokos») (151). [...] Item 509. Maria é verdadeiramente «Mãe de Deus», pois é a Mãe do Filho eterno de Deus feito homem que, Ele próprio, é Deus. [...] Item 963. Depois de termos falado do papel da Virgem Maria no mistério de Cristo e do Espírito, é conveniente considerarmos agora o seu lugar no mistério da Igreja. «Efetivamente, a Virgem Maria [...] é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor [...]. Ao mesmo tempo, porém, é verdadeiramente "Mãe dos membros (de Cristo) [...], porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela Cabeça"» (525). «Maria, [...] Mãe de Cristo e Mãe da Igreja» (526). [...] Item 971. «Todas as gerações me hão-de proclamar ditosa» (Lc 1, 48): «a piedade da Igreja para com a santíssima Virgem pertence à própria natureza do culto cristão» (539). A santíssima Virgem «é com razão venerada pela Igreja com um culto especial. E, na verdade, a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de "Mãe de Deus", e sob a sua proteção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades [...]. Este culto [...], embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente» (540). Encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus (541) e na oração mariana, como o santo rosário, «resumo de todo o Evangelho» (542).

Concílio Ecumênico de Éfeso (ano 431)

Decisão do Concílio:
  • O Concílio condenou a heresia do nestorianismo (que negava a união entre as naturezas humana e divina de Jesus) e decretou que Jesus era uma só pessoa (hipóstase), ainda que possuísse uma natureza humana e divina.
  • Em consequência, a Virgem Maria deveria ser chamada Mãe de Deus – “Theotokos” –, palavra grega que significa "portadora de Deus" (aquela que deu à luz a Deus). Afinal, a união da segunda Pessoa Divina com a natureza humana se deu no seio virginal de Maria desde o primeiro instante da encarnação do Verbo. Ora, como toda mãe é mãe de uma pessoa e a pessoa que Maria gerou é a segunda pessoa da Trindade unida à natureza humana, esse título seria o mais apropriado, não porque tenha gerado Deus na eternidade, mas porque no tempo gerou o Homem-Deus. Assim, as naturezas divina e humana de Cristo ficaram incólumes, unidas hipostaticamente em uma única pessoa, uma vez que Jesus é inteiramente Deus e Homem.
Motivo do concílio:
  • Sanar as discussões cristológicas sobre as duas naturezas de Jesus Cristo e as questões relativas à maternidade de Maria. Nestório defendia que Cristo não seria uma única pessoa, mas duas diferentes: uma de natureza humana e outra divina unidas por uma habitação da divindade na natureza humana, como em um templo, ou de uma túnica que estivesse unida ao corpo. Em consequência, defendia que, na Cruz, Deus não sofreu e morreu por amor aos homens, mas apenas o homem Jesus. O sacrifício cruento do Salvador em resgate do mundo perderia todo o sentido, pois uma pessoa somente humana jamais possuiria méritos infinitos para redimir o gênero humano do pecado original. O mistério da Redenção, da Santíssima Trindade e da Encarnação foram simultaneamente questionados.
  • Nestório também alegava que Maria deveria ser chamada apenas de Cristótoco (portadora de Cristo), não Teótoco (portadora de Deus), daí, o termo grego imposto por Nestório, anthropotókos, Mãe do homem. Ele procurou restringir o papel de Maria, como mãe apenas da natureza humana de Cristo e não da natureza divina, ao contrário do ensinamento tradicional dos outros padres da igreja.
  • O ataque de Nestório ao título de Mãe de Deus atingiu a devoção dos cristãos a Nossa Senhora e o tema transformou-se em fonte de discussões e protestos mesmo durante os cultos. Em oposição a essas heresias, os adversários de Nestório, liderados por São Cirilo, Patriarca de Alexandria, consideravam essa ideia inaceitável, pois entendiam que Nestório estava destruindo a união perfeita e inseparável da natureza divina e humana em Jesus Cristo.

Concílio Ecumênico de Calcedônia (ano 451)

Decisão do Concílio:
  • O Concílio condenou as heresias monofisista (para quem a natureza de Jesus seria unicamente divina) e nestoriana (para a qual em Cristo haveria duas pessoas distintas, uma humana e outra divina). Em consequência, essas heresias também negavam que Maria pudesse ser a mãe de Deus.
  • Em resposta, o Concílio emitiu a seguinte DECLARAÇÃO DE FÉ (CREDO DE CALCEDÔNIA): Fiéis aos santos Pais, todos nós, perfeitamente unanimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade; verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo, consubstancial com o Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em tudo semelhante a nós, excetuando o pecado; gerado segundo a divindade pelo Pai antes de todos os séculos, e nestes últimos dias, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus; um e só mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis; a distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, antes é preservada a propriedade de cada natureza, concorrendo para formar uma só pessoa e em uma subsistência; não separado nem dividido em duas pessoas, mas um só e o mesmo Filho, o Unigênito, Verbo de Deus, o Senhor Jesus Cristo, conforme os profetas desde o princípio acerca dele testemunharam, e o mesmo Senhor Jesus nos ensinou, e o Credo dos santos Pais nos transmitiu.
Motivo do concílio:
  • Este concílio reuniu-se para tentar ainda dizimar dúvidas que surgiram na doutrina sobre Jesus e a Santíssima Trindade.

Concílio Ecumênico de Constantinopla II (ano 553)

Decisão do Concílio:
  • O concílio condenou a heresia monofisista e do nestorianismo (que negavam a união entre as naturezas humana e divina de Jesus).
  • Reafirmou a dupla natureza de Jesus (humana e divina) uma vez que o Deus-Verbo que fez os milagres é o mesmo que sofreu na Cruz e confirmou mais uma vez a doutrina da Trindade Divina, uma só divindade adorada em três pessoas.
  • Reafirmou que a Virgem Maria deveria ser chamada Mãe de Deus (do grego Teótoco), e não apenas a mãe do homem (Antropótoco) ou a mãe de Cristo (Christótoco).
  • Proclamou a "virgindade perpétua de Maria" (Cânon 2).
Motivo do concílio:
  • A temática do concílio girou em torno das heresias que negavam a unidade das naturezas de Cristo e, em consequência, a maternidade de Maria.

Concílio Ecumênico de Constantinopla II (ano 553)

Cânon 6: Se alguém aplicar à gloriosa e sempre virgem Maria o título de "genitora de Deus" (theotókos) num sentido irreal e não verdadeiro, como se um simples homem tivesse nascido dela e não o Verbo de Deus feito carne e dela nascido, mas que a encarnação do Verbo de Deus resultou apenas do fato de que ele se uniu àquele homem que nasceu [dela]; se ele caluniar o Santo Sínodo de Calcedônia como se tivesse afirmado que a Virgem é a Mãe de Deus de acordo com o sentido ímpio de Teodoro; ou se alguém a chamar de mãe de um homem (ἀνθρωποτόκον) ou Mãe de Cristo (Χριστοτόκον), como se Cristo não fosse Deus, e não confessar que ela é exata e verdadeiramente a Mãe de Deus, porque o Verbo de Deus gerado antes de todos os tempos pelo Pai foi feito carne e nascido dela, e se alguém não confessar que o santo Sínodo de Calcedônia a reconheceu, neste sentido, como a Mãe de Deus: seja anátema.

Frei Inácio Larrañaga (Espanha – 1928-2013). Obra: "O silêncio de Maria. Edições Paulinas. 39ª edição. 2012. 233p."

“Movendo-nos dentro do alcance e do significado do dogma elaborado pela reflexão da Igreja a partir dos dados bíblicos e definido pelo Concílio de Éfeso, Maria não é apenas a Mãe de Cristo, o homem, mas também a Mãe de Jesus Cristo, pessoa divina do Verbo. É esse o significado do primeiro dogma mariano, proclamado com tanto júbilo em Éfeso, em 431. O Verbo é seu Filho, e Maria é sua Mãe, como as outras mães o são da pessoa completa.” [pág. 159]

“Por isso falamos da maternidade divina. Foi por isso também que Isabel perguntou estupefata: "Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?" (LC 1,43). [...] E o anjo da anunciação, quando falou a Maria sobre a identidade daquele que floresceria em seu seio, disse que se tratava do "Filho do Altíssimo".” [pág. 160]

“Para evitar confusões, é preciso deixar claro que o termo direto e formal da atividade geradora de Maria foi o Homem-Deus. É isso que indicamos quando dizemos que Maria é Mãe de Deus. Assim chegamos à conclusão de que também não seria exato o pensamento segundo o qual a colaboração geradora de Maria esteve ordenada primariamente para a formação da natureza humana do Cristo — como mero homem - e secundariamente ao Deus-Homem. Sendo esse Homem-Deus uma pessoa divina, conclui-se evidentemente que a atividade materna de Maria tem por finalidade e termo a existência humana do Verbo. [...] O Verbo é antes de tudo uma pessoa divina que chega a possuir uma natureza humana, e, em segundo lugar, uma pessoa humana em possessão da divindade. É tudo isso que indicamos quando chamamos Maria de Mãe de Deus, Teotokos.” [pág. 162]

Scott Hahn. Obra: "Salve, Santa Rainha - A mãe de Deus na palavra de Deus. Ed. Cleófas. 2015."

"Tudo o que Maria faz, e o que ela é, flui de seu relacionamento com Deus e de sua correpondência ao Seu plano divino. Ela é Sua mãe. Ela é Sua esposa. Ela é Sua filha. Ela é a Sua serva." [pág. 24]

“Quando rezamos a Ave-Maria, exibimos um dos mais antigos títulos que os cristãos deram a Maria: Mãe de Deus (em grego, Theotokos, literalmente, "portadora de Deus"). Já no século III (e até mais cedo), a Igreja no Egito rezava: "À vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus...". Os primeiros Padres, tais como São Clemente de Alexandria, Orígenes e Santo Alexandre, chamavam Maria como "Mãe de Deus", ou o seu equivalente, do Senhor". Essa oração dos cristãos segue a saudação inspirada em Isabel, parenta de Maria: "E donde me vem, que a mãe do meu Senhor venha me visitar?" (LC 1,43).Com tal precedente bíblico, o título "Mãe de Deus" foi incontestável nos primeiros séculos da Igreja. Além disso, a declaração se segue logicamente a partir de um necessário conhecimento da divindade de Cristo. Se Jesus é Deus e Maria é Sua mãe, então ela é Mãe de Deus.[pág. 78/79]

Maria não é Deus, mas é a Mãe de Deus. Ela é apenas uma criatura, mas é a maior Criação de Deus! Ela não é o rei, mas é a Sua Rainha-Mãe escolhida. Assim como os artistas levam tempo para pintar aquela obra-prima especial, em comparação às outras de seus ateliês, Jesus fez Sua mãe ser a maior obra-prima de toda a Criação. Tal verdade evidencia que a Obra de Deus sobre Maria não tira qualquer "pedaço" à Obra salvífica de Cristo nem diminui Seu Filho.” [pág. 101]




Obs.: As expressões no texto entre colchetes ou parêntesis destacadas na cor azul não fazem parte do original.