Justino de Roma (100-165 d.C.). Obra: "I Apologia (155 d.C.) in Patrística: Padres Apologistas:. Vol. 2. Ed. Paulus. São Paulo. 1995. 324p." (pág. 79/80)“As palavras citadas são suficientes para demonstrar que Jesus Cristo é Filho e embaixador de Deus, e antes era Verbo, que apareceu algumas vezes em forma de fogo, outras em imagem incorpórea e agora, feito homem por vontade de Deus, por causa do gênero humano submeteu-se a sofrer tudo o que os demônios quiseram que os insensatos judeus fizessem com ele. Estes, tendo expressamente dito nos escritos de Moisés: "E o anjo de Deus falou a Moisés em fogo de chama desde a sarça e lhe disse: Eu sou Aquele que sou, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó", insistem que foi o Pai e artífice do universo quem disse essas palavras. Então, repreendendo-os, o Espírito profético disse: "Mas Israel não me conheceu, nem meu povo me compreendeu." por sua vez, Jesus, como já indicamos, estando entre eles, disse: "Ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho; ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai e aqueles aos quais o Filho o revelar" [Mt 11,27]. Portanto, os judeus que pensam ter sido sempre o Pai do universo quem falou a Moisés, quando na realidade falou-lhe o Filho de Deus, que se chama também mensageiro e embaixador dele, com razão são repreendidos pelo Espírito profético e pelo próprio Cristo, por não terem conhecido nem o Pai, nem o Filho. Porque os que dizem que o Filho é o Pai dão prova de que não sabem nem quem é o Pai, nem tomaram conhecimento de que o Pai do universo tenha um Filho que, sendo Verbo e primogênito de Deus, também é Deus. Foi este que primeiramente apareceu a Moisés e aos outros profetas em forma de fogo ou por imagem incorpórea e aquele que agora, nos tempos de vosso império, como já dissemos, nasceu homem de uma virgem, conforme o desígnio do Pai. E pela salvação dos que nele crêem, quis ser desprezado e sofrer para, com sua morte e ressurreição, vencer a própria morte.“