Bo Reicke (Suécia, 1914–1987). Obra: "História do tempo do novo testamento. São Paulo. Ed. Paulus. 1996. 376p." (pág. 210)“Escavações de túmulos antigos ao norte de Jerusalém, realizadas por especialistas israelenses, trouxeram à luz em 1970 os restos de um indivíduo crucificado. Foram confirmadas circunstâncias da crucificação romana já anteriormente conhecidas. Mas o que surpreendeu foi o que se observou sobre o uso de pregos. Para melhor fixação nos braços da cruz foram perfurados não as mãos, mas os pulsos. Os pés lateralmente sobrepostos foram fixados juntos na parte vertical da cruz por meio de um grande prego. De acordo com a prática romana, as autoridades geralmente deixavam o cadáver de um crucificado suspenso até a sua decomposição. Mas pela lei judaica o corpo de um enforcado devia ser enterrado no dia da execução para evitar a contaminação da terra (Dt 21,23). Como neste caso era a véspera de um dia santo (Mc 15,42), os judeus pediram ao procurador a retirada dos mortos (Jo 19,21-37). José de Arimatéia, um abastado membro do conselho, sepultou Jesus num túmulo de pedra que lhe pertencia (Mt 27,57-61 e par.; Jo 19,38-42). Assim foi dada a Jesus “sepultura com os ricos” (Is 53,9). Desta vez não houve cortejo fúnebre, uma cerimônia normalmente importante, na qual o cadáver coberto era transportado numa maca (Lc 7,14, Naim); quando muito podia haver um caixão no túmulo, mas geralmente nem isso (Jo 11,44, Lázaro).”