Revelacaocatolica.com
Purgatório

 Fundamento bíblico do Purgatório

Bíblia Ave Maria (AT) (2Macabeus 12:38-46)

38. Depois disso, reunindo seu exército, Judas alcançou a cidade de Odolam e, chegando o sétimo dia da semana, purificaram-se segundo o costume e celebraram ali o sábado. 39. No dia seguinte, Judas e seus companheiros foram tirar os corpos dos mortos, como era necessário, para depô-los na sepultura ao lado de seus pais. 40. Ora, sob a túnica de cada um encontraram objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, proibidos aos judeus pela Lei: todos, pois, reconheceram que fora esta a causa de sua morte. 41. Bendisseram, pois, a mão do justo juiz, o Senhor, que faz aparecer as coisas ocultas, 42. e puseram-se em oração, para implorar-lhe o perdão completo do pecado cometido. O nobre Judas falou à multidão, exortando-a a evitar qualquer transgressão, ao ver diante dos olhos o mal que havia sucedido aos que foram mortos por causa dos pecados. 43. Em seguida, organizou uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados. Belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição! 44. Pois, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. 45. Mas, se ele acreditava que uma belíssima recompensa aguarda os que morrem piedosamente, 46. era esse um bom e religioso pensamento. Eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas.

Bíblia Ave Maria (NT) (Lucas 12:57-59)

57. Por que também não julgais por vós mesmos o que é justo? 58. Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele te não arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. 59. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”.

Bíblia Ave Maria (NT) (1Pedro 3:18-20)

18. Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados – o Justo pelos injustos – para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. 19. É nesse mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, ti­nham sido rebeldes, 20. quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, ape­nas oito se salvaram por meio da água.

Bíblia Ave Maria (NT) (1Coríntios 3:13-17)

13. a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) irá demonstrá-lo. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. 14. Se a construção resistir, o cons­trutor receberá a recompensa. 15. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo. 16. Não sabeis que sois o Templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? 17. Se alguém destruir o Templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado – e isso sois vós.

Bíblia Ave Maria (NT) (Mateus 5:25-26)

25.Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. 26.Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.

Catecismo da Igreja Católica

958. A comunhão com os defuntos. «Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam venerou, com muita piedade, desde os primeiros tempos do cristianismo, a memória dos defuntos; e, "porque é um pensamento santo e salutar rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados" (2 Mac 12, 46), por eles ofereceu também sufrágios» (521). A nossa oração por eles pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor. [...] 1030. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. 1031. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório sobretudo nos concílios de Florença (622) e de Trento (623). A Tradição da Igreja, referindo-se a certos textos da Escritura (624) fala dum fogo purificador: «Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do julgamento, um fogo purificador, conforme afirma Aquele que é a verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir» (625). 1032. Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos: «Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício do seu pai (627) por que duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? [...] Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações» (628).

Catecismo da Igreja Católica

Item 1054. Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria de Deus. 1055. Em virtude da «comunhão dos santos», a Igreja encomenda os defuntos à misericórdia de Deus e oferece em seu favor sufrágios, em particular o santo Sacrifício eucarístico.

O Pastor de Hermas (142-155 d.C.). Obra: "Nona Parábola, in Patrística: Padres Apostólicos. São Paulo. Ed. Paulus. 1995." [catecismo primitivo] (pág. 261)

Eu perguntei: “Senhor, como puderam tornar-se piores, depois de conhecer a Deus?” Ele respondeu: “Aquele que não conhece Deus e pratica o mal, merece alguma punição por seu mal. Contudo, aquele que conhece a Deus não deve praticar o mal, e sim o bem. Se aquele que deve praticar o bem, pratica o mal, não te parece que comete erro maior do que aquele que não conhece Deus? Por isso, aqueles que não conhecem a Deus e praticam o mal, são condenados à morte [à primeira morte]. Mas os que conhecem a Deus, que viram sua grandeza, e ainda praticam o mal, serão duplamente castigados, e morrerão para sempre [morte eterna/segunda morte]. É desse modo que a Igreja de Deus será purificada. Viste essas pedras tiradas da torre, entregues aos espíritos maus e rejeitadas dela. Aqueles que tiveram sido purificados, formarão um só corpo [os que foram condenados apenas à primeira morte]. Desse modo, a torre, depois de purificada, ficou aparentemente como de uma só pedra.

Dom Odair José Guimarães

No vídeo abaixo do Youtube, Dom José Falcão ensina que não se brinca com o amor de Deus. O perdão livra da culpa, mas não da pena. Mateus 5:25-26 diz: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo. 1Coríntios 3:15 também diz: “Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo. Esses versículos dizem respeito ao Purgatório.


Irmã Lúcia (Portugal, 1907-2005). Obra "Apelos da Mensagem de Fátima. Editora Secretariado dos Pastorinhos. 4ª edição (em português de Portugal). 2007. Fátima-Portugal. 300p." (pág. 128/129)

Ensinamento da Irmã Lúcia: “Voltando à aparição de Nossa Senhora... [em Fátima-Portugal, em 1917] Lembrei-me em seguida de Lhe perguntar por uma rapariga minha conhecida [em Portugal, rapariga significa moça jovem], que tinha falecido havia pouco tempo; a resposta dada por Nossa Senhora certifica-nos da verdade da existência do Purgatório, e é, ao mesmo tempo, mais uma prova da necessidade que temos de orar. Conta o texto sagrado que S. Pedro, aproximando-se de Jesus, perguntou-Lhe: «"Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?" Jesus respondeu: "Não te digo sete vezes, mas setenta vezes sete"». E continuou: «Por isso, o reino dos Céus é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo ele com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, para assim pagar a dívida. O servo lançou-se então aos seus pés, dizendo: "Concede-me um prazo e pagar-te-ei tudo" Levado pela compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe liberdade e perdoou-lhe a dívida. «Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros, que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: "Paga o que me deves!" O outro caiu a seus pés, suplicando: "Concede-me um prazo e pagar-te-ei". Mas ele não concordou e mandou-o prender até que lhe pagasse tudo quanto lhe devia. «Testemunhas desta cena, os seus companheiros, contristados, foram contar ao seu senhor o que havia acontecido.
O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe "Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias igualmente ter piedade do teu companheiro como eu tive de ti?" E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que devia. Assim procederá convosco Meu Pai celestial, se cada um de vós não perdoar do fundo do coração a seu irmão» (Mt 18,21-35).” [pág. 127] “Este servo, que pelo débito acumulado corria o risco de ser condenado, lançou-se aos pés do seu senhor, suplicando piedade e um tempo de espera para poder saldar as suas dívidas: «Concede-me um prazo e pagar-te-ei tudo». Ora, nesta possibilidade de ter ainda um prazo para satisfazer pelo que falta pagar, podemos ver uma imagem do que se passa com o Purgatório: este é um tempo de espera para nos purificarmos das faltas leves não confessadas e para satisfazermos a reparação que ainda devamos pelos nossos pecados, porque, enquanto vivíamos neste mundo, não fizemos bastante penitência pelos mesmos.” [pág. 128]A crença nesta possibilidade de expiação pelo pecado mesmo depois da morte, subjaz também numa narração do Segundo Livro dos Macabeus: «As tropas de Esdrim, que combatiam há muito tempo, já estavam fatigadas. Então Judas invocou o Senhor para que protegesse e dirigisse o combate. E começando a entoar cantos de guerra na língua pátria, caiu de surpresa sobre os soldados de Górgias e afugentou-os. Depois, reunindo Judas o seu exército, alcançou a cidade de Odolão e, chegado o sétimo dia da semana, purificaram-se segundo o costume e celebraram ali o sábado. No dia seguinte, Judas e os seus companheiros foram levantar os corpos dos mortos, como era necessário, para os depositar na sepultura, ao lado de seus pais. Então, sob a túnica dos que tinham tombado. encontraram objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, proibidos aos Judeus pela Lei, e todos reconheceram que fora esta a causa da sua morte. Bendisseram, pois, a mão do Senhor, justo juiz, que faz aparecer as coisas ocultas, e puseram-se em oração para Lhe implorar perdão completo do pecado cometido. «O nobre Judas convocou a multidão e exortava-a a evitar qualquer transgressão, tendo diante dos olhos o mal que havia sucedido aos que foram mortos por causa dos pecados. E mandou fazer uma coleta, recolhendo cerca de dez mil dracmas, que enviou a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício pelo pecado, obra digna e santa, inspirada na sua crença na ressurreição, porque, se não esperasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. E acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente. Era este um pensamento santo e piedoso. Por isso, pediu um sacrifício expiatório, para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mc 12,36-46). Esta passagem da Sagrada Escritura ajuda-nos a compreender melhor esta verdade da nossa fé que é o Purgatório, como um lugar de expiação onde as almas dos que morrem em graça se purificam das manchas do pecado, antes de serem admitidas na posse da bem-aventurança eterna junto de Deus. Por isso, Nossa Senhora, respondendo à pergunta que Lhe dirigi sobre essa rapariga — a Amélia —, disse: «Está no Purgatório até ao fim do mundo». Talvez nos pareça muito, mas a misericórdia de Deus é sempre grande. Pelos nossos pecados, quanto O temos ofendido gravemente e com isso merecido o Inferno! Apesar disso, Ele perdoa-nos e concede tempo para pagarmos por eles e, mediante uma reparação e purificação, sermos salvos. Mais ainda, aceita as orações e sacrifícios que outros Lhe ofereçam, por aqueles que se encontrem nesse lugar de expiação.

Jaime Francisco de Moura. Obra "Por que estes ex-Protestantes se tornaram Católicos: Testemunhos de ex-pastores e leigos que voltaram à Igreja Mãe. 1ª edição. Ed. Com Deus. São José dos Campos. 2003. 252p." (pág. 31)

Testemunho de conversão de Dave Armstrong, ex-Protestante: “O Protestantismo rejeitou a Tradição e doutrina bíblica do purgatório, como conseqüência de sua falsa visão de justificação e penitência, apesar de evidências suficientes na Bíblia: (Miquéias 7, 8-9) (Malaquias 3,1-4) (2 Macabeus 12, 39-45) (Mt 5, 25-6; 12,32) (Lucas 16,19-31) (1 Pedro 3,19-20) (1 Cor 3,11-15) (2 Cor 5,10).”

Alex C. Jones Jr. (EUA – 1941-2017). Obra: "Não tem preço, Um pastor pentecostal e a esposa narram a sua conversão ao catolicismo. São Paulo. Ed. Quadrante. 2014. 251p." (pág. 218/219)

Testemunho de Donna, esposa do Pastor Alex Jones: “Certo dia, eu lavava a louça na cozinha e perguntei ao Senhor: "O que é o purgatório? Ensinaram-me que só se morre uma vez". E Ele mostrou-me novamente a Epístola aos Hebreus (12, 22-24): "Vós, ao contrário, vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos, da assembleia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos aperfeiçoados, enfim, de Jesus, o mediador da Nova Aliança, e do sangue de aspersão, que fala com mais eloquência que o sangue de Abel". Deus mostrou-me que é Ele quem aperfeiçoa o espírito dos justos, e o purgatório era o período e a condição necessários para aperfeiçoá-los. Eles só haviam sido aperfeiçoados depois da morte; eu reli esses versos muitas vezes. Essas coisas sempre estiveram bem na frente dos meus olhos. Como pude deixar de enxergar tudo isso por tantos anos? Comecei a imaginar o que mais poderia ter deixado de ver.”

Scott Hahn e Kimberly. Obra: "Todos os Caminhos Levam a Roma. Ed. Cleofas. 6ª edição. 2015." (pág. 161/162)

[Scott Hahn:] Foi algo que começou a ganhar força dentro de mim um dia depois de ter assistido à Missa no dia de Finados. Kimberly quis saber o significado da celebração. Ao cabo de pouco tempo, a conversa começou a derivar para um novo debate sobre a doutrina do purgatório. Decidi transpor a doutrina para uma chave mais ampla, por assim dizer, enquadrando-a em termos do amor da Aliança de Deus. - Kimberly, a Bíblia mostra-nos quantas vezes Deus se revelou ao Seu povo na forma de fogo, para renovar a sua Aliança com ele: "como forno fumegante e como tocha de fogo" com Abraão, em Génesis 15; na sarça ardente com Moisés, em Êxodo 3; na coluna de fogo com Israel, em Números 9; como fogo celeste que consome os sacrifícios do altar com Salomão e com Elias, em 1 Reis 8 e 18; nas "línguas de fogo" em Pentecostes com os Apóstolos, em Atos 2,... Kimberly interrompeu: - Está bem, Scott, qual é a sua ideia? Era uma oportunidade de pôr as coisas no seu lugar.— Apenas isto: quando Hebreus 12, 29 descreve Deus como "um fogo consumidor", não está se referindo necessariamente à sua cólera. Existe o fogo do inferno, mas há um fogo infinitamente mais abrasador no Céu: é o próprio Deus. De maneira que o fogo se refere ao infinito amor de Deus, muito mais do que à sua eterna cólera. A natureza de Deus é como uma ardente fogueira de veemente amor. Em outras palavras, o Céu com certeza é mais cálido do que o inferno.
Não é estranho, portanto, que a Escritura se refira aos anjos mais próximos de Deus como serafins, que literalmente quer dizer "abrasadores" em hebreu. Por isso também São PauIo pode descrever em 1 Coríntios 3, 13 como todos os santos devem passar através dum juízo ardente no qual "a obra de cada um ficará a descoberto; manifestá-la-á no dia que se há de revelar pelo fogo...".
Ê evidente, que não se fala do fogo do inferno, pois os que são julgados são santos. Está falando do fogo que os prepara para a vida eterna com Deus no Céu; de maneira que o propósito do fogo é claro: revelar se as suas obras são puras ("ouro e prata") ou impuras ("madeira, feno, palha").
O versículo 15 esclarece que alguns santos que estão destinados ao Paraíso passarão através do fogo e sofrerão: "Mas aquele cuja obra fique abrasada sofrerá o dano; ele, contudo, ficará a salvo, mas como quem passa através do fogo". É, portanto, um fogo purgatório, que serve para purificar e preparar os santos que estarão envolvidos no fogo abrasador da presença eterna do amor de Deus.

Scott Hahn. Obra: "Razões para crer – Como entender, explicar e defender a Fé Católica. Ed. Cleófas. 1ª edição. 2015."

“A visão cristã tradicional é, de faro, binária: na morte, nossas almas vão para o céu ou para o inferno. Mas, uma vez que "nada imundo entra no céu" (Ap 21,27), primeiramente, precisamos ser purificados. A partir da reflexão sobre a Eucaristia, a Igreja sempre ensinou que existe um estado intermediário para aqueles que estão destinados ao céu; é um estado de purificação que a Tradição chama de Purgatório. Aonde encontramos isso na Bíblia? Está implícito em muitas passagens. Jesus assume esta doutrina quando Ele diz: "Mesmo se alguém falar uma palavra contra o Filho do Homem, lhe será perdoado. Mas, se falar contra o Espírito Santo, não será perdoado, nem neste mundo, nem no mundo que há de vir" (MC 12,32). Então, deve haver um estado em que as pessoas são perdoadas “no mundo que há de vir". A este estado a Tradição chama de Purgatório.Noutra passagem, Jesus falando do julgamento de Deus, disse: "Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão.” [pág. 127]

Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo" (Mt 5,25-26). Novamente, isso implica um estado póstumo no qual as pessoas "pagam" sua dívida penitencial a Deus, isto é, são purificados. E a Tradição chama este estado de Purgatório. Mesmo no Antigo Testamento, os profetas trataram do juízo nestes termos. Malaquias usa a imagem que se repetiria no Novo Testamento. A purificação final dos fiéis, diz ele, é como o fogo de um ourives: "Quem poderá aguentar o dia de sua chegada? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Ele é igual ao fogo de uma fundição, é igual à potassa das lavadeiras. E, assentar-se-á como fundidor e derreterá a prata para beneficiá-la; assim ele vai apurar os filhos de Levi, refiná-los como se fossem ouro ou prata" (Ml 3,2-3). São Paulo também fala deste fogo purificador, que é o fogo daqueles que, em última análise, são salvos, não condenados. De fato, Paulo diz que o próprio fogo é a sua salvação, pois livra dos pecados que os impede de entrar no céu.A explicação de Paulo vale a pena ser citada na íntegra: "A obra de cada um acabará sendo conhecida: o Dia a manifestará, pois ele se revela pelo fogo, e o fogo mostrará a qualidade da obra de cada um. Aquele cuja construção resistir ganhará o prêmio; aquele cuja obra for destruída perderá o prêmio — mas ele mesmo será salvo, como que através do fogo" (1Cor 3,13-15). O fogo da salvação é o que os católicos chamam de purgatório.O livro do Apocalipse faz uma distinção entre os mártires que são ressuscitados imediatamente e o "restante dos mortos", que não tornaram à vida até que se completassem os mil anos" (Ap 20,5). Vemos que alguns foram julgados dignos do céu, mas outros não estavam prontos ainda para a sua inevitável ressurreição na glória. O estado de purificação deles é o purgatório.Há um estado intermediário entre a terra e o céu. Os Israelitas o chamaram de Sheol, a morada dos mortos. E os judeus do tempo de Jesus acreditavam fervorosamente que as almas dos fiéis a Deus poderiam ser "entregues às profundezas do Sheol" (SI 86, 13). Então, os judeus piedosos consideravam, como agora, uma obrigação fazer orações (o Kadish) pelos seus familiares falecidos. Também poderiam oferecer um sacrifício pelo bem dos fiéis defuntos. Considere esta história do rescaldo de uma baralha, pouco mais de um século e meio antes do nascimento de Jesus: No dia seguinte, como a tarefa era urgente, os homens de Judas [Macabeu] foram recolher os corpos dos que tinham morrido na batalha, a fim de sepultá-los ao lado dos parentes, nos túmulos de seus antepassados. [...] E puseram-se em oração, pedindo que o pecado cometido fosse completamente cancelado. [...] Depois, tendo organizado uma coleta individual, cerca de dez mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a ressurreição. De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria vão e supérfluo rezar pelos mortos. Mas, considerando que uma bela recompensa está reservada para os que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado (2Mc 12,39-46). [pág. 128/129]
Esta é a "prisão" dos espíritos onde, de acordo com São Pedro, Jesus foi pela primeira vez pregar a Boa Nova (1 Pd 3, 19-20). Os judeus chamavam de Sheol; o grego do Novo Testamento chama de "Hades" (distinto de "Gehenna", o lugar do fogo do inferno); e os católicos chamam purgatório.” [pág. 130]


Roberto Andrade Tannus. Obra "Conhecendo Melhor a Fé Católica.  Ed. Gólgota. 8ª edição. Goiânia, 2018. 190p."

[Pág. 174/175, 179/182:]

A Palavra de Deus nos ensina que a obra de cada um será revelada no dia do juízo. Os que estiverem no dia do seu julgamento com a obra imperfeita poderão até ser salvos, "passando de alguma maneira pelo fogo”. A este fogo purificador do amor de Deus a Igreja deu o nome de Purgatório:
    A exigência de integridade se impõe evidentemente depois da morte, para o ingresso na comunhão perfeita e definitiva com Deus. Quem não há esta integridade deve passar pela purificação. Um texto de São Paulo o sugere. O Apóstolo fala do valor da obra de cada um, que será revelada no dia do juízo e diz: "Se a obra que alguém construiu sobre o fundamento (que é Cristo) resistir, ele receberá uma recompensa, mas se a obra terminará queimada, será punido: todavia ele se salvará, porém através do fogo". (1 Cor 3, 14-15) [JOÃO PAULO II, Catequese sobre o Purgatório, 2]
[...] Na tradução da citação bíblica acima, Hebreus 12,14, (Bíblia João Ferreira de Almeida), fica bem claro o ensinamento de Deus: “sem a santificação perfeita ninguém verá o Senhor”. No entanto, muitos morrem tendo Deus no seu coração como Senhor e Salvador, mas sem ter a santificação plena. Muitos de nós cometemos pecados leves, eles nos tiram a totalidade da santificação, que é a condição para vermos o Santo dos Santos. Embora os pecados leves não nos impeçam de sermos salvos, conforme nos ensina São João, eles precisam ser curados, lavados, santificados:
    Se alguém viu pecar seu irmão, pecado que não é para a morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecaram para a morte. Há pecado para a morte, e por esse não digo que ore. Toda iniquidade é pecado, e há pecado que não é para a morte. (1 Jo 5,16-17)
[...] Enquanto Jesus não havia ainda ressuscitado, conforme nos conta Pedro, desceu a um "lugar" que não é o Inferno, pois no Inferno as almas já se encontram em seu estado definitivo de exclusão (por sua livre opção, por não quererem o bem, por não perdoarem, por insistirem no pecado, por não quererem a graça de Deus), e não podem mais ser salvas — de lá não mais podem sair. Ele pregou aos espíritos numa espécie de prisão, pregou aos mortos que estavam ainda sem a santificação perfeita (o Purgatório), desceu ali para resgatá-los, já que essas almas não estavam salvas (Céu), mas também não se encontravam em estado de condenação eterna (Inferno). [...] Um livro do Antigo Testamento que falta em muitas Bíblias de diversas denominações cristãs, nos mostra que o costume de rezar pela alma dos mortos vem da tradição judaica, bem anterior ao cristianismo: o Livro dos Macabeus. Os dois livros contam 175 anos de história de Israel, uma luta para manter a religião e a fidelidade a Deus, mesmo diante da dominação de povos estrangeiros pagãos. Tirar esses livros da Bíblia é arrancar mais de um século de história de um povo, o povo de Deus.



Obs.: As expressões no texto entre colchetes ou parêntesis destacadas na cor azul não fazem parte do original.