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Dogmas marianos, Atributos e Títulos de Nossa Senhora
       Mãe de Deus (DOGMA, Theotokos)

 O Concílio de Éfeso (ano 431) e a definição do Dogma da Maternidade Divina de Maria Santíssima

Mons. Jonas Abib (Brasil – 1936-2022). Obra: "Maria: A Mulher do Gênesis ao Apocalipse. Editora Canção Nova. 19ª edição. 2011. São Paulo. 158p."

“Graças a Deus, temos o tesouro da verdade, reconhecemos Maria como Senhora e podemos ajudar os nossos irmãos a acolhê-la. Muitos dizem que Maria é apenas mãe da pessoa humana de Jesus, uma mãe como outra qualquer. Essa concepção de que Maria seria apenas mãe de Jesus feito homem não é atual. Nestório, bispo de Constantinopla, no ano 428, já defendia essa ideia, que foi condenada no Concílio de Éfeso, o qual afirmava que Maria é Theotokos, isto é, Mãe de Deus. Essa heresia, conhecida como Nestorianismo, atinge a verdade sobre Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, verdade fundamental do cristianismo. Pergunto: quem morreu por nós na cruz? Foi unicamente a pessoa humana de Jesus? Se admitíssemos que existem duas pessoas — a divina e a humana — de Jesus e que foi a pessoa humana dele que nasceu da Virgem Maria, então seríamos obrigados a admitir também que foi somente sua pessoa humana que morreu na cruz. Porque Deus não poderia sofrer, derramar sangue, muito menos morrer. Portanto, a morte de Jesus não teria nenhum valor, pois foi simplesmente um homem que morreu na cruz. Mas, graças a Deus, a verdade não é essa. A única pessoa do Filho de Deus assumiu a natureza humana no seio da Virgem Maria e essa única pessoa, Deus e homem, foi à cruz e por nós morreu. Sua morte teve valor, porque a única pessoa de Jesus é que foi à cruz. Ele sofreu e morreu na sua natureza humana, na sua carne. Mas essa natureza humana pertence à única pessoa divina de Jesus, que assumiu a carne no ventre da Virgem Maria. Com essa carne, Ele vai à cruz. Com esta natureza humana, Ele derrama o seu sangue. Mas Ele é uma única pessoa — pessoa de Jesus, Deus e homem que morre na cruz para nos salvar. [...] O Filho de Deus tem natureza humana: Ele é homem, tem corpo, carne, sangue; sofre, padece dores. Por isso que essa única pessoa do Filho de Deus pôde morrer na cruz. E morreu livremente por nós. Por isso, fomos salvos. Quem morreu na cruz não foi um simples homem, foi o Filho de Deus. Se, simplesmente, o homem Jesus tivesse morrido na cruz, seria somente mais um a morrer dessa maneira, pois, naquele tempo, muitos judeus morriam na cruz.” [pág. 41/42]

“A grande diferença é que o Filho de Deus, que assumiu natureza humana no ventre de Maria, derramou seu sangue e morreu por nós. Pôde salvar-nos porque era um Deus padecendo, sofrendo, derramando sangue, voluntariamente. Morrendo por nossa causa, morrendo em nosso lugar.” [pág. 43]

“Qual sangue foi derramado por nós na cruz? O Sangue de Jesus de quem era? De Maria. Ele foi concebido por obra de quem? De Maria. Ele foi concebido por obra de José? Não! Está claro na Palavra de Deus que Ele foi concebido por obra do Espírito Santo, e não por obra humana. Não houve participação de nenhum homem. Foi por obra do Espírito Santo. [...] Ela é a Mãe de Jesus. Ela é a Mãe do Senhor. Foi assim que Isabel a saudou: “Com voz forte, ela exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?”” (LC 1,42-43).” [pág. 47/48]

“O que aconteceu? Nestório, patriarca de Constantinopla, afirmava que Maria Santíssima não era Mãe de Deus, mas somente mãe da pessoa humana de Jesus Cristo. No Concílio de Éfeso, a maternidade da Santíssima Virgem e a unidade das duas naturezas numa só pessoa em Jesus Cristo foram definitivamente proclamadas: Jesus Deus e homem. São Cirilo, bispo de Alexandria e presidente do Concílio de Éfeso, defendeu essa verdade no cristianismo contra as investidas dos hereges no ano 431. No dia do encerramento do Concílio, foi lido o decreto Dogma da Maternidade Divina de Maria Santíssima. O papa Celestino I, que estava presente, emocionado e com lágrimas nos olhos, ajoelhou-se e respeitosamente saudou Nossa Senhora assim: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!" Todo Concílio ouviu e respondeu com um grande "Amém!" Essa foi a origem da segunda parte da ave-maria. Foi ou não uma linda invenção? Ao anoitecer, levaram o resultado ao povo. Assim que todo ele tomou conhecimento da conclusão do Concílio, saiu em procissão com velas, com tochas, pela cidade de Éfeso. O que mais o povo proclamou naquela noite foi: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora, e na hora da nossa morte". Nunca mais deixou de unir a primeira parte da ave-maria à segunda.” [pág. 125/126]




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