Augusto Cury (Brasil, 1958-X). Obra: "Análise da Inteligência de Cristo: o Mestre da Sensibilidade. São Paulo. Ed. Academia de Inteligência. 2000. 214p."“Como pode o arquiteto de um universo de bilhões de galáxias se fazer tão pequeno a ponto de habitar numa ínfima criatura humana? Esse era o objetivo central do mestre de Nazaré.”
[pág. 101]
“O mestre de Nazaré não veio destruir as culturas, segundo o seu pensamento claramente expresso em todas as suas biografias; ele veio para dar "vida" ao homem mortal, introduzir a natureza de Deus dentro dele, enriquece-lo com uma fonte inesgotável de prazer e imergi-lo numa vida infindável.”
[pág. 185]
“A história de Cristo mostra-nos que o Deus auto-existente e sempiterno se importa realmente com os complicados mortais. Sem analisar a sua história, e difícil olhar para o universo e não questionar" quem nos assegura que não somos marionetes do poder do Criador? Será que não somos objetos do seu divertimento que mais tarde serão descartados no torvelinho do tempo? Nas sociedades humanas, mesmo nas democráticas, somos mais um número de identidade, mais um ser que compõe a massa da sociedade. Contudo, apesar de Jesus ser uma pessoa coroada de mistérios, ele não deu margem a dúvidas que
tinha vindo com a missão de proclamar ao mundo que o homem era singular para Deus. Na parábola do filho pródigo, da ovelha perdida e de tantas outras, este agradável contador de histórias empenha a sua própria palavra afirmando categoricamente que o ser humano não é um objeto descartável do Criador, mas cada um deles é um ser insubstituível e inigualável, apesar dos seus erros, falhas, fragilidades e dificuldades. Usou seu próprio sangue como tinta para escrever um tratado eterno entre o Criador e a criatura.Se os textos dos evangelhos não nos tivessem relatado, não seria possível a mente humana, seja de um pensador ou do mais ilustre teólogo, conceber a ideia de que o autor da existência tivesse um filho e que, por amar a humanidade incondicionalmente, Ele o enviaria ao mundo para viver as condições mais inumanas e, por fim, se sacrificar por ela. Como pode o Criador amar a tal ponto uma espécie tão cheia de defeitos, cuja história está mergulhada num mar de injustiça e violação de direitos?”
[pág. 210]