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Bíblia Ave Maria (NT) (Hebreus 2:10-18)

10.Aquele para quem e por quem todas as coisas existem, desejando conduzir à glória numerosos filhos, deliberou elevar à perfeição, pelo sofrimento, o autor da salvação deles, 11.para que santificador e santificados formem um só todo. Por isso, (Jesus) não hesita em chamá-los seus irmãos,* 12.dizendo: Anunciarei teu nome a meus irmãos, no meio da assembleia cantarei os teus louvores (Sl 21,23). 13.E outra vez: Quanto a mim, ponho nele a minha confiança (Is 8,17); e: Eis-me aqui, eu e os filhos que Deus me deu (Is 8,18). 14.Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio,* 15.e libertar aqueles que, pelo medo da morte, estavam toda a vida sujeitos a uma verdadeira escravidão. 16.Veio em socorro, não dos anjos, e sim da raça de Abraão; 17.e por isso convinha que ele se tornasse em tudo semelhante aos seus irmãos, para ser um pontífice compassivo e fiel no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo. 18.De fato, por ter ele mesmo suportado tribulações, está em condição de vir em auxílio dos que são atribulados.

Thomas E. Woods Jr. (EUA – 1972-X). Obra: "Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. Editora Quadrante. 8ª edição. São Paulo. 2014. 220p." (pág. 205/206)

“Todas estas características são também evidentes no Deus do Antigo Testamento. Mas, como conseqüência da Encarnação de Jesus Cristo, a concepção católica de Deus é diferente da judaica. Com o nascimento de Cristo e a sua passagem por este mundo, sabemos que Deus não procura somente a adoração do homem, mas também a sua amizade. Por isso, o escritor católico do século XX Robert Hugh Benson pôde escrever um livro intitulado A amizade com Cristo (1912), e, nos seus Fragmentos filosóficos, Saren Kierkegaard chegou a comparar Deus a um rei que desejasse conquistar o amor de uma mulher do povo [uma plebéia]. Se se aproximasse dessa mulher com o seu poder real, ela se assustaria e seria incapaz de lhe oferecer o tipo de amor espontâneo que surge entre iguais. Poderia também ser atraída pela riqueza e poder do rei, ou simplesmente temer recusá-lo por ele ser rei. Foi por isso que o rei se aproximou da mulher plebéia com a aparência de um plebeu: só assim seria capaz de inspirar-lhe um amor sincero e só então poderia saber se esse amor por ele era realmente genuíno. Foi isso — diz Kierkegaard — o que Deus fez quando nasceu no mundo encarnado em Jesus Cristo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Procurou o nosso amor sem nos esmagar com a majestade da visão beatífica (que não está ao nosso alcance neste mundo, mas apenas no mundo que há de vir), mas pela condescendência em relacionar-se conosco no nosso nível, assumindo a natureza humana e tomando carne humanas. Eis uma idéia extraordinária na história da religião, ainda que esteja tão embutida na cultura ocidental que poucos se detêm a pensar nela.”

Augusto Cury (Brasil, 1958-X). Obra: "Análise da Inteligência de Cristo: o Mestre da Sensibilidade. São Paulo. Ed. Academia de Inteligência. 2000. 214p."

“Como pode o arquiteto de um universo de bilhões de galáxias se fazer tão pequeno a ponto de habitar numa ínfima criatura humana? Esse era o objetivo central do mestre de Nazaré.” [pág. 101]

“O mestre de Nazaré não veio destruir as culturas, segundo o seu pensamento claramente expresso em todas as suas biografias; ele veio para dar "vida" ao homem mortal, introduzir a natureza de Deus dentro dele, enriquece-lo com uma fonte inesgotável de prazer e imergi-lo numa vida infindável.” [pág. 185]

“A história de Cristo mostra-nos que o Deus auto-existente e sempiterno se importa realmente com os complicados mortais. Sem analisar a sua história, e difícil olhar para o universo e não questionar" quem nos assegura que não somos marionetes do poder do Criador? Será que não somos objetos do seu divertimento que mais tarde serão descartados no torvelinho do tempo? Nas sociedades humanas, mesmo nas democráticas, somos mais um número de identidade, mais um ser que compõe a massa da sociedade. Contudo, apesar de Jesus ser uma pessoa coroada de mistérios, ele não deu margem a dúvidas que tinha vindo com a missão de proclamar ao mundo que o homem era singular para Deus. Na parábola do filho pródigo, da ovelha perdida e de tantas outras, este agradável contador de histórias empenha a sua própria palavra afirmando categoricamente que o ser humano não é um objeto descartável do Criador, mas cada um deles é um ser insubstituível e inigualável, apesar dos seus erros, falhas, fragilidades e dificuldades. Usou seu próprio sangue como tinta para escrever um tratado eterno entre o Criador e a criatura.Se os textos dos evangelhos não nos tivessem relatado, não seria possível a mente humana, seja de um pensador ou do mais ilustre teólogo, conceber a ideia de que o autor da existência tivesse um filho e que, por amar a humanidade incondicionalmente, Ele o enviaria ao mundo para viver as condições mais inumanas e, por fim, se sacrificar por ela. Como pode o Criador amar a tal ponto uma espécie tão cheia de defeitos, cuja história está mergulhada num mar de injustiça e violação de direitos?” [pág. 210]



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