Scott Hahn. Obra: "Salve, Santa Rainha - A mãe de Deus na palavra de Deus. Ed. Cleófas. 2015." (pág. 81/82)“A "Virgem" é, uma vez e para sempre, quem ela é na essência. Assim, a Igreja tem ensinado:
Maria preservou sua virgindade não só antes da concepção de Jesus, mas durante e depois dela. Embora fosse casada com José, os dois nunca consumaram o casamento por uma relação sexual. Essa doutrina é conhecida como a Virgindade Perpétua de Maria.
[...] Ocasionalmente na Igreja primitiva, os hereges desafiaram esse ensinamento, que nunca foi muito avante. Seus argumentos, supostamente baseados na Escritura, foram facilmente refutados por várias pessoas como São Jerónimo, o grande estudioso bíblico da igreja antiga (seu nome era sempre requisitado e ele reservava seus argumentos mais severos para aqueles que ousavam questionar a virgindade perpétua de Maria). Afinal, quais eram os argumentos destes hereges?A maior parte se baseava nas passagens do Novo Testamento que se referem aos
"irmãos" de Jesus. Encontramos no Evangelho de Marcos, por exemplo: "Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?" (6,3). Em Mateus 12,46, temos: "Sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele".
Em Lucas 2,7, lemos que Jesus era o "primogênito" de Maria. Este é um ponto para quem não está familiarizado com os costumes judaicos, pois, é sabido que no hebraico a palavra "irmão" é um termo abrangente, significando também "primos". De fato,
o hebraico primitivo não possui uma palavra para "primo"; sem contar que, para um judeu do tempo de Jesus,
um primo era um irmão. Esse princípio familiar também era aplicado a outras línguas semíticas, tais como, o aramaico, o idioma que Jesus falava.
Jesus era filho único, então, Seus primos assumem o status jurídico de irmãos dele, pois eram seus parentes mais próximos. E, finalmente,
a palavra "primogênito" não apresenta qualquer dificuldade real, pois era um termo legal do antigo Israel que se refere à criança que "abriu o ventre", não tendo o significado de que a mãe teria tido mais filhos após este.”