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Reencarnação (espiritismo)

 A reencarnação se dá em outro corpo, já a ressurreição se dá no mesmo corpo

Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M.. (Alemanha – 1919-2009). Obra: "Espiritismo: orientação para os católicos. São Paulo. Edições Loyola. 1989. 2ª edição. 203p." (pág. 114/115)

Convém adiantar aqui rápida explicação sobre uma dificuldade que os reencarnacionistas não se cansam de repetir. Querendo ridicularizar a fé e a esperança cristã na ressurreição, lembram que os corpos se desfazem, se transformam e passam a constituir outros corpos. Este é o motivo porque o próprio AK [Allan Kardec] pensa que “a ciência demonstra a impossibilidade da ressurreição, segundo a idéia vulgar" (I, n. 1010). Há, por certo, uma dificuldade na afirmação da identidade do corpo ressuscitado com o atual. Esta identidade é afirmada por Jesus, pelos apóstolos e pela Igreja. Mas não é necessário afirmar uma identidade material absoluta, como se todos os átomos e moléculas que alguma vez fizeram parte de nosso corpo tivessem que voltar a formar o corpo ressuscitado. As fontes de nossa fé cristã não nos levam a esta conclusão. 1Cor 15,37-38 e 42-44 insinuam o contrário. Hoje conhecemos o fenômeno biológico do metabolismo, segundo o qual o corpo humano, pela constante assimilação e desassimilação das substâncias, de tempo em tempo se renova inteiramente, de tal maneira que os átomos ou as moléculas que anos atrás integraram nosso corpo hoje já estão totalmente substituídos por outros. E não obstante afirmamos com razão que nosso corpo de hoje é idêntico ao de dez ou vinte anos atrás. É uma identidade material relativa, mas verdadeira. Por conseguinte, para que possamos conservar uma verdadeira identidade corporal não é preciso reter sempre os mesmos elementos materiais. A dispersão da matéria não impossibilita a identidade material do corpo humano. O demais, com relação ao corpo ressuscitado, o deixamos tranqüilamente à onipotência divina. Ao responder às dificuldades dos saduceus contra a ressurreição, Jesus lhes disse acertadamente: "Estais enganados, desconhecendo as escrituras e o poder de Deus” (Mt 22,29). O mesmo diria aos reencarnacionistas e a outros modernos negadores da ressurreição. O Concílio Vaticano II confessa: "nós ignoramos o tempo da consumação da terra e da humanidade e desconhecemos a maneira de transformação do universo" (GS 39a). O que nos foi revelado e na verdade é o mais importante é que haverá ressurreição: o quando e o como são questões secundárias. [pág. 114]

Enfim, seria suficiente recordar que a reencarnação se faz, como ensina Kardec [Allan Kardec], em sempre novos corpos "que nada têm de comum com o antigo", enquanto a ressurreição, assim como era entendida pelos judeus, consistia na revivificação deste mesmo corpo abandonado pela alma na hora da morte. [pág. 115]




Obs.: As expressões no texto entre colchetes ou parêntesis destacadas na cor azul não fazem parte do original.