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Santo Sudário (Sudário de Turim)

 O que a ciência descobriu sobre o Santo Sudário

Revista Superinteressante (Junho/1998)

“...para o químico Alan Adler, professor da Universidade Estadual do Oeste de Connecticut, nos Estados Unidos, é impossível que um pintor tenha conseguido tal proeza. "O tecido tem várias camadas de fibras e apenas a mais superficial delas apresenta outra tonalidade, criando o desenho", conta à SUPER o cientista, que é ateu. "Mesmo o mais habilidoso dos artistas, com traços levíssimos, tingiria duas camadas, no mínimo." [...] Há 100 anos, em 1898, o fotógrafo profissional italiano Secondo Pia, ao retratar a relíquia, levou um susto: no negativo, surgia a imagem nítida do corpo que, no pano, aparece embaçado. Foi esse efeito do negativo que fascinou tanto cientistas céticos quanto os fiéis. Em 1978, o Vaticano convidou 24 pesquisadores para examinar o lençol. Só a Nasa, a agência especial americana, enviou 72 caixas de aparelhos a Turim. "Os mais diversos tipos de análise foram favoráveis à autenticidade da mortalha", lembra o advogado paulista Paulino Brancatto Júnior, que participou da jornada científica para realizar um documentário. A Igreja, então, submeteu seu tesouro a mais uma prova, a do carbono 14. Só que seu resultado foi abalador. O carbono 14 não deixava dúvidas: o linho foi tecido entre 1260 e 1390. [...] Em 1997, o sudário salvou-se de um incêndio. Mas em 1532 foi atingido por labaredas que lhe deixaram marcas. Em 1503, foi fervido em óleo pois, se a imagem não saísse, ela seria "santa". Para físicos da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, o calor afetaria a precisão do teste do carbono 14. Eles usaram a técnica em panos antigos antes e depois de chamuscá-los e notaram diferenças de até 600 anos nos resultados.
Em 1978, o teste do carbono 14 foi realizado por três equipes — a do Instituto Politécnico de Zurique, na Suíca, a da Universidade Oxford, na Inglaterra, e a da Universidade do Arizona. Seus representantes sustentam a conclusão. "Sei que o pano não tem a mais remota chance de ser da época de Cristo", jura o físico inglês Toddy Hall, da Oxford. "Ou alguém o produziu, querendo que acreditássemos que era o sudário verdadeiro, ou ele foi usado num funeral da Idade Média e tudo não passa de uma grande coincidência.
Haja coincidência: achar, em plena Idade Média, quando as crucificações já eram coisa do passado, a mortalha de um homem que foi flagelado e crucificado como Cristo. Agora, se for uma fraude, é uma fraude genial. O autor calculou tudo. As chagas das mãos estão na altura dos pulsos. Ali, entre oito ossos, estaria o ponto capaz de, trespassado por um cravo, sustentar o peso do corpo pendurado na cruz. "Se os cravos estivessem na palma das mãos, como nas imagens da crucificação, a carne se rasgaria", diz Brancatto Júnior. É um detalhe anatômico que, aparentemente, ninguém conhecia no século XIII. O químico americano Alan Adler provou que o tecido contém moléculas que o organismo despeja quando passa várias horas em estresse extremo. Como em uma sessão de tortura ou, mais exatamente, em uma crucificação. Sem contar substâncias secretadas nos coágulos das feridas que são invisíveis e só foram descobertas neste século. "Sem saber da sua existência, ninguém as teria colocado ali de propósito", acredita Adler. Encontram-se ainda no sudário resquícios do líquido pleural, que enche os pulmões enquanto eles agonizam. Na Bíblia, João Evangelista descreve que jorrou água do peito do Cristo quando, antes de ser retirado da cruz, a lança do um soldado romano atravessou-lhe o tórax. Para os médicos legistas, a "água" era líquido pleural. E, se alguém forjou o sudário de Turim, esse alguém pensou até nisso.
O que se deduz sobre o homem retratado no lençol: Ele tinha físico de atleta, 1,83 metro de altura e 81 quilos. A coroa de espinhos tem forma de capacete." Nas costas, vêem-se as marcas dos 39 golpes de chicote que os soldados tinham de aplicar, conforme a lei romana. Os olhos estão cobertos por moedas do Império Romano. Deviam estar arregalados, em conseqüência da morte por asfixia — na cruz, o músculo diafragma no tórax é esticado pelo peso do corpo, não deixando os pulmões se encher de ar.
Como a imagem poderia ser forjada no tecido: Uma teoria diz que um ácido teria favorecido o envelhecimento do pano em certos pontos, formando a figura. Mas, para isso, o pano deveria ter sido submetido ao calor e à radiação luminosa. Por exemplo, ficando alguns meses intocado e exposto ao sol. Outra hipótese é de que o envelhecimento do pano nos pontos da imagem tenha sido provocado por uma espécie de carimbo de bactérias da pele. O pano teria tocado um corpo e, então, as bactérias teriam se multiplicado na trama, graças ao calor e às substancias do suor.
A fotografia computadorizada mostra o homem do sudário em relevo. Esse resultado só aparece quando a imagem é fixada com a ajuda de calor, como as duas hipóteses admitem, Mas só um gênio, um gênio milagrosamente genial, teria calculado tudo isso na Idade Média.
O legista suíço Max Frei, especialista em pó, achou o pólen de 56 plantas no linho, 47 delas típicas da Palestina. Por evidências como essa é que muitos querem um novo exame de carbono 14, alegando que o primeiro resultado pode ter sido desviado até por uma espécie de filme transparente ao redor das fibras, composto de resíduos de bactérias. Esse filme é que poderia ter formado na Idade Média.
Mas se o pano é de fato medieval, isso não elimina o enigma da imagem gravada nele, formada não pelo sangue, mas por "queimaduras" superficiais nas fibras do linho. Uma hipótese é a de que alguém teria usado um ácido para pintar a figura. Em altas temperaturas, a substancia queimaria as fibras, escurecendo-as. No entanto, segundo a Nasa, é impossível que alguém tenha feito tudo isso a pinceladas de ácido ou de qualquer outra coisa.”



Obs.: As expressões no texto entre colchetes ou parêntesis destacadas na cor azul não fazem parte do original.