Maria Valtorta (Itália, 1897-1961). Obra: "O Evangelho como me foi revelado" (1944-1950) (Vol. 4 – Segundo ano da vida pública de Jesus – Cap. 275. Quatro novos discípulos. Uma lição sobre obras corporais e espirituais de misericórdia – Página 166/167 – 08/09/1945) [Jesus diz ao discípulo Manaen:] " Vocês acham que só existem criminosos nas galés?
[local dos grandes barcos onde os prisioneiros eram obrigados a remar] Um olho da justiça humana é cego e o outro sofre de problemas de visão, de modo que confunde camelos com nuvens e uma cobra com um galho florido. Julga erroneamente. Ainda mais porque aqueles que o presidem muitas vezes levantam deliberadamente nuvens de fumaça, para que possam ver mais erroneamente. Mas mesmo que os prisioneiros fossem todos ladrões ou assassinos, seria errado nos tornarmos ladrões e assassinos privando-os da esperança do perdão por meio de nosso desprezo. Pobres prisioneiros! Eles não ousam levantar os olhos para Deus, carregados como estão com seus crimes. Seus grilhões realmente machucam suas almas mais do que seus pés.
Ai deles se desesperarem de Deus! Ao crime contra o próximo, eles acrescentariam o pecado do desespero do perdão. A galera é expiação, assim como morrer no cadafalso [morrer na Cruz ou enforcado]. Mas não basta pagar o que é devido à sociedade humana pelo crime cometido. É preciso pagar, também e sobretudo, o que é devido a Deus, para expiar e ter a vida eterna. Mas quem se rebela e se desespera, expia apenas no que diz respeito à sociedade. Que o condenado ou prisioneiro tenha o amor de seus irmãos. Haverá luz no escuro. Será uma voz. Uma mão apontando para cima enquanto a voz diz: “Que o meu amor te diga que Deus também te ama, porque colocou este amor por ti no meu coração, meu infeliz irmão” e a luz permite aos homens ver a Deus, seu Pai misericordioso.
[...] Portanto, não os julguem, sejam compassivos com os prisioneiros. Sempre tenham em mente que se todos os assassinatos e roubos dos homens fossem punidos, poucos homens e mulheres não morreriam nas galés e no cadafalso.
[...] E ainda, quem não tem pecado? Se o dedo de Deus escrevesse na parede da sala onde os pensamentos do homem germina, isto é, na testa do homem, palavras que descrevem alguém como ele foi, é ou será, muito poucos carregariam a palavra: “Inocente” escrita em letras brilhantes. As outras testas teriam as palavras: “Adúlteros”, ”Assassinos”, “Ladrões”, “Matadores” em letras verdes como a inveja, ou pretas como traição, ou vermelhas como crime. Portanto, sem ter orgulho, tenham misericórdia de seus irmãos, que do ponto de vista humano foram menos afortunados do que você,
e agora estão nas galés expiando o que você não expiou, embora culpados do mesmo crime. Sua humildade melhorará ao fazer isso.