Maria Valtorta (Itália, 1897-1961). Obra: "Lições sobre a Carta de São Paulo aos Romanos" (1948-1950) (Página 37/38 – Lição n° 14 – 02/02/1948)O Espírito Santo, em resposta a uma objeção minha
[objeção de Maria Valtorta] a respeito da frase contida no ditado de 6 de janeiro de 1948, diz:
“... a arca mais amada (Maria) ... que ainda nos contém assim como ela é contida por nós”, «Diz-se que o corpo do homem é templo do Espírito Santo. E deve ser acreditado porque é uma verdade. Uma verdade que estimula uma vida perfeita para possuir a Hóstia divina, que é o Espírito Eterno que habita nas almas dos justos. No entanto, não se deve acreditar que apenas a Terceira Pessoa vive dentro de você. Ela
[Nossa Senhora] é mencionada porque é Aquela que abraça e contém os Dois que A precedem.
Porém, sendo a inseparável Trina-Unidade, onde Um está, os Outros também estão. Portanto,
por possuir o Espírito Santo dentro de você, você tem todo o Amor, isto é, Deus Único e Trino.
[...] Dito isto, pergunto se vós pecadores, se vós em quem permanece a cicatriz da grande ferida do Pecado original, seus fomentos que às vezes agitam até os mais heróicos do Bem, se tens o Espírito Santo no templo do teu corpo, tens o Amor em ti e estás abraçado pelo Amor, sempre mais fundidos a Ela quanto mais vives no amor, ou seja, estás no Amor porque tudo o que é sagrado está nela,
pode-se duvidar que Maria, Ela que ab eterno [desde a eternidade] foi pensada pelo pensamento divino – Que é a Vontade e o Poder perfeitos – Imaculada e Cheia de Graça, Filha, Noiva, Mãe de Deus, Aquela que à vontade divina
retribuiu com a sua vontade que, livre como a de Jesus, quis usar (esta vontade dela) para andar sempre na presença de Deus e ser perfeita, não estaria Deus Nela e ela não estaria Nele?
Ela também “não pecou porque não queria pecar”. A segunda Eva, Ela não imitou a primeira e pisoteou a Cobra porque, totalmente perdida no Deus reinando em Seu espírito e abraçando-A, Seu amor, Ela era cega, surda, e desatenta a tudo que não era de Deus e do amor para ele. Uma Arca mais sagrada que a de madeira de acácia, em Si mesma Ela continha a Trindade e o Verbo Encarnado, e mais tarde ainda, a Trindade e o Cristo Eucarístico, e agora Ela nos contém novamente, sendo Nós Nela, e Ela em Nós.
Onde Deus descansa? No espírito do justo. O que é o espírito? É a melhor parte da sua alma. Quando ele deixa de ser um trono para Deus? Quando a concupiscência o derruba. Quando a alma te deixará? Quando se separar da carne na hora da morte para ser julgada e aguardar a ressurreição da carne e com ela ter o julgamento eterno e final.
No entanto, Maria não morreu. Ela passou em êxtase desta vida para a outra vida, e na passagem, Seu espírito mais puro era mais do que nunca o trono de Deus. O mesmo deveria ter acontecido com todos os homens, se em Adão todos não tivessem pecado. Maria não foi julgada. Ela era a Inocente. Ela não foi submetida a julgamento nem à morte como você. Maria não voltou ao pó em Sua carne imaculada e com a alma; Ela foi feita incorruptível por ter carregado o Filho de Deus e do Homem. Em corpo e alma, Ela foi elevada ao Céu pelos Anjos. E nem mesmo na hora da travessia a alma se separou totalmente, mas surgiu intelectual e completamente, não para o terceiro, mas para o supremo e o Céu empíreo, e Ela adorou, enquanto igualmente o Espírito Uno e Trino não deixou Seu doce tabernáculo virginal onde Ela descansou.
Maria está no céu em corpo e alma, viva como estava na terra, tão abençoada quanto pode ser, no céu. E Deus que habitou Nela na Terra, habita Nela no Paraíso. Nada mudou. Colocada no centro do Fogo divino que converge para Ela com seus amores ardentes, Ela nos diz eternamente: “Aqui está a Serva, ó Deus” e Ela abre seu coração e nos recebe em um mistério de amor inefável.
Os Santos que amam Maria intuíram isso e proclamaram que quem quiser encontrar Deus, a Salvação e a Vida, deve ir a Maria, e aí se encontrará o Amor, o Salvador, a Vida, a Luz (e) a Sabedoria. E lá, renascerá do homem para um verdadeiro filho de Deus. Porque Maria, a divina Geradora, é também a fértil sagrada Matriz que recebe e receberá em Seu seio, até o fim dos séculos, aqueles que desejam nascer filhos de Deus, e essas fraquezas informes, essas sementes incompletas – incapazes de viverem sozinhas – Ela os transformará e os tornará “viventes” do Reino de Deus, e ela dá e dará esses filhos ao Seu Deus.
Maria é a incansável Co-Redentora e cooperadora do triunfo divino final. Ela é caridade inesgotável e infalível, trabalhando como a Serva e gloriosa como a Rainha para a glória de Deus; Ela é a Mãe, a Mãe perfeita para todos aqueles que Lhe pedem a Vida. »