Maria Valtorta (Itália, 1897-1961). Obra: "Lições sobre a Carta de São Paulo aos Romanos" (1948-1950) (Página 102/103 – Lição n° 40 – 22/06/1950)O Espírito Santo diz, «
Muitos, ao se sentirem chamados novamente aos caminhos da justiça para não dar tristeza a Deus, respondem, e é uma acusação blasfema: “E de que reclama Ele? Foi Ele quem nos criou assim. Ele poderia ter nos criado invioláveis aos ataques do Mal, ou pelo menos proibir o Mal de nos assaltar. Ele poderia nos ter feito todos bons, todos santos. Em vez disso! Onde está Sua medida imparcial de bondade e providência para todos? Ele que é rico e ele que é pobre, ele que tem saúde e ele que está sempre doente; ele que é amado pelos parentes, pela esposa, pelos filhos e pelos amigos, e ele que é incompreendido, explorado, traído e não amado pelos mesmos; ele que sempre triunfa e ele que nunca consegue, embora tendo todos os motivos, mesmo santos, para triunfar.
Como esperar que quem é vítima da sociedade, da família, dos infortúnios ou das doenças, não se rebele, visto que muitos outros não são vítimas, mas vencedores? E aquele que foi criado com sangue fervendo de ira ou de luxúria, talvez não devesse dizer: "Por que você me criou assim?" É Ele, Deus, quem assim o deseja, e é inútil se opor à Sua vontade. Nem no bem nem no mal. É Ele quem quer”.
Não. Não é ele. Não caia nas heresias de certas seitas agora oficialmente caídas, mas que na realidade ainda estão vivendo em corações com suas doutrinas heréticas, ou de outras oficialmente em existência que, com suas doutrinas, se separam da verdade divina, luz e sabedoria – porque essas seitas estão isoladas do Corpo místico – e tiram suas conclusões de que o homem não foi criado para o Céu, mas para a condenação porque foi criado de uma forma em que o pecado é inevitável.
Não é assim. Não acredite se for dito a você. Não aceite este pensamento se Satanás insinuar isso em sua mente. Seria um repúdio, uma renúncia e desespero. Você estaria renunciando a Deus, renegando Sua Natureza, Sua Paternidade e todos os Seus atributos. Você cairia no pecado do desespero ao tentar salvar a si mesmo, e como folhas mortas, você se deixaria ser arrastado para longe do verdadeiro destino: Céu, e através da escuridão e da corrupção, você cairia no abismo. Naquele abismo, que é fatal, caem todos aqueles que não acreditam, não têm esperança e que não amam mais a Deus, Suas promessas certas e Sua Lei.
Imite a Cristo. Ninguém foi testado mais do que ele. Ninguém conhecia a solidão, as incompreensões e os abandonos como Ele, dos celestiais aos humanos. Ninguém sofreu todas as dores: não estou falando apenas daqueles relativos aos Seus dias extremos terminando no sepulcro, mas estou falando de todas as dores sofridas desde o momento em que Ele (primeiro) abriu os olhos em Belém. Dores de todo tipo. E sempre dores maiores. Porém, nunca reprovou o Pai por este oceano de dores que O envolvia e que se erguia com suas ondas amargas, elevando-se sempre mais para submergi-lo. Nunca Ele acusou o Pai. Ele sabia que Ele [Deus] permitia isso a fim de exaltá-lo mais tarde por Seus méritos, em uma medida incomensurável em proporção aos sofrimentos. Ele sabia que o mal, a tristeza e toda solidão e angústia que Ele sofreu vieram do Homem caído, de Adão e de seus descendentes, que, por terem caído, certamente deram tristeza para Aquele que era Deus em aparência humana e que se fez assim, para torná-los filhos de Deus. O próprio Satanás os moveu, e ele [Satanás] sabia disso porque estava ciente de sua derrota iminente para a restituição do estado de graça aos redimidos, e se vingou com o máximo de ódio do Amor.
Imite a Cristo. E não blasfeme culpando a Deus por suas fraquezas.
Ele não criou todos vocês iguais? Ele não deu, igualmente a todos, um intelecto para compreender, um coração para amar, uma consciência para ver o bem e o mal, e uma alma para que possa haver em você um ardor espiritual e possíveis encontros entre vocês e Deus? Você sofre? Pense em quem e o que o faz sofrer. Você verá que é o homem. Ou porque ele passou seu sangue impuro a você por ter sido um pecador, ou porque ele atacou sua integridade física, ou porque ele teve inveja e ódio de você e ele te caluniou ou prejudicou moralmente;
é o homem a causa de seus sofrimentos.
Você se sente fraco em seu espírito e mortificado por suas quedas? Examine-se bem. Foi mesmo Deus quem os atraiu para essa tentação ou foram vocês que se colocaram ali, ou que não fugiram dos seus tentadores?
Na tua alma, o Pecado que o Batismo purifica [pecado original] e os fomentos que permanecem, bem como os teus pecados
[próprios, pessoais], são realmente tais que te tornam perverso que não pode ser outro senão tal, como se de um povo renegado que não têm mais a semelhança com o Pai nem um meio de fortalecer sempre mais esta divina semelhança?
Não. Como um homem que, mesmo que nasça ou se torne deformado, bestial ou monstruoso, não deixa de ser homem por esse motivo, e mesmo que sua inteligência seja prejudicada, a alma permanece viva ou suscetível de retornar à vida mesmo que, por uma degeneração física, o homem comete pecados brutais, mas depois se arrepende e invoca as águas da Vida para sua alma morta, então também, e com mais razão, a alma nunca perde totalmente sua semelhança com o Pai que a criou, nem a tendência para o Bem extingue totalmente nela a chamada de volta à sua origem e ao seu fim. Este é também o lado humano do homem que pode desejar a morte da alma com uma vontade espontânea e satânica; porém, a alma, se fosse livre e só, tenderia sempre a buscar Deus, a se recriar para estar com ele. Quem, espontaneamente e com premeditação, mata sua alma quase sempre acaba matando também seu corpo. Violento com a alma, ele se torna também com a carne, e tendo repudiado o Ser [Supremo], o Fim, a Fé e a existência nele do espírito, ele se mata, imitando Judas.