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(ATENÇÃO! Este suplemento trata-se de revelação privada não reconhecida oficialmente pela autoridade da Igreja. Conf. ensina o § 67 do Catecismo, o seu papel não é «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja.)

Irmã Maria de Ágreda (venerável) (Espanha, 1602-1665) - Obra: "Mística Cidade de Deus" - Ed. Mosteiro Portaceli. 2011.

[3º Tomo - 2ª Parte - 5º Livro - Cap. 25 - pág. 153:]

[Nossa Senhora diz a Maria de Ágreda:] Os atos de Cristo conferem valor aos nossos 994. Verdade é, minha filha, que as penas e aflições de meu santíssimo Filho compensaram a deficiência dos méritos humanos. De minha parte, como pura criatura e como que substituindo todas as demais, também cooperei com Ele, pela imitação perfeita em suas penas e exercícios. Isto, porém, não teve a finalidade de dispensar os homens da penitência, antes foi para encorajá-los a ela. Não seria necessário padecer tanto, só para satisfazer por eles. Como verdadeiro pai e irmão, quis também meu Filho santíssimo conferir valor às obras e penitências dos que o seguissem, pois as ações das criaturas seriam de pouco valor aos olhos de Deus, se não o recebessem das de meu Filho santíssimo. Se isto é verdade a respeito das obras inteiramente virtuosas e perfeitas, que será das que levam consigo tantas falhas e imperfeições? Mesmo em matéria de virtude, os mais espirituais e justos têm muito que suprir e emendar em suas obras. Que se dirá das demais que levam consigo tantas falhas e defeitos? Todas estas lacunas foram preenchidas pelas ações de Cristo, meu Senhor, para que o Pai as recebesse como se fossem de seu Filho. Quem não procura fazer algumas, mas vive ocioso, tampouco pode aplicar-se as de seu Redentor, pois estas não terão o que completar e aperfeiçoar, mas sim muito para condenar. Não te falo agora, minha filha, do execrável erro de alguns fiéis que fazem penitência por sensualidade e vaidade mundana. Estes merecem maior castigo pela penitência do que por outros pecados, pois ligam às obras penais fins vãos e imperfeitos, esquecendo os sobrenaturais, que são os que dão méritos à penitência e vida da graça à alma. Noutra ocasião, se for necessário, falar-te-ei sobre isto. Agora, fica advertida para chorar tal cegueira, e instruída para trabalhar, mesmo que fosse o tanto que trabalharam os Apóstolos, mártires e confessores. Castiga teu corpo, progredindo sempre, e achando que ainda falta muito, pois a vida é breve e tu muito incapaz de pagar o que deves.