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Purgatório
       SUPLEMENTO: Revelações privadas de videntes católicos sobre o Purgatório (Não reconhecidas oficialmente pela Igreja)
             Revelação de Santa Catarina de Gênova

 As almas do purgatório vivem alheias a tudo que as cerca, não podendo se desviar da caridade, lá não podem mais pecar nem merecer

(ATENÇÃO! Este suplemento trata-se de revelação privada não reconhecida oficialmente pela autoridade da Igreja. Conf. ensina o § 67 do Catecismo, o seu papel não é «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja.)

Santa Catarina de Gênova (Itália, ano 1447-1510) - Obra: "Tratado do Purgatório. Ed. Santa Cruz. 2019.

[Pág. 25:]

Almas alheias a tudo, absortas no amor de Deus
2. — E dizia: As almas que estão no purgatório, segundo me parece entender, não podem ter outra eleição que estar naquele lugar; e isto é assim pelo mandato de Deus, que fez isto com justiça. Elas, refletindo sobre si mesmas, não podem dizer: “Eu, cometendo tais e tais pecados, mereci estar aqui”. Nem podem dizer: “Eu não gostaria de tê-los cometidos, pois agora estaria no Paraíso”. E tampouco podem dizer: “Aquelas saem do purgatório antes que eu”, ou bem “eu sairei antes daquela”.
E é que não podem ter memória alguma, tanto para o bem como para o mal, nem de si mesma nem de outros, mas que, pelo contrário, tem um regozijo tão grande de estar cumprindo o mandato de Deus, e de que Ele aja nelas tudo o que quer e como quer, que não podem pensar nada de suas coisas. O único que veem é a operação da bondade divina, que tem tanta misericórdia do homem para conduzi-lo para Si; e nada reparam em si mesmas, nem de penas nem de bens. Se nisso pudessem reparar, não estariam vivendo na pura caridade.
De resto, tampouco podem ver a suas companheiras que ali penam por seus próprios pecados. Estão longe de ocupar-se nesses pensamentos. Isso seria uma imperfeição ativa, que não pode dar-se naquele lugar, onde os pecados atuais não são já possíveis. A causa de porquê sofrem o purgatório a conheceram de uma só vez, ao partir desta vida; e depois já não pensam mais nela, pois outra coisa seria um apego de propriedade desordenada.
3. — Estas almas vivem na caridade, e não podendo desviar-se dela com defeitos atuais, já não podem querer nem desejar outra coisa que o puro querer da caridade. Estando naquele fogo purgatório, estão na ordenação divina, que é a pura caridade, e já não podem desviar-se dela em nada, pois já não podem atualmente nem pecar nem merecer.
[Pág. 57 - COMENTÁRIOS DO EDITOR/TRADUTOR:]

Síntese da Doutrina de Santa Catarina [...] 4. ― A alma perde toda atenção de si mesma ou de suas companheiras de purificação, absorta no amor de Deus e, alheia a todo valor de tempo ou espaço, vive abandonada às operações divinas que a vão purificando.