Xavier Léon-Dufour - Vocabulário de Teologia Biblica, Ed. Herder, 1965 (Pág. 272)Ora, o mais novo é que Jesus Cristo resume a riqueza desse sacrifício em alimento. Em Israel, como entre todos os povos antigos,
era costume perceber os frutos de um sacrifício consumindo a vítima; isso significava unir-se à oferta e a Deus que a aceitou (1 Cor 10,18-21). Os fiéis de Jesus, comendo seu corpo imolado e bebendo seu sangue, participarão de seu sacrifício, tornando sua a oferta de amor e beneficiando-se da graça que ele opera em sua parte. Para que possam fazer isso em todos os lugares e sempre, Jesus escolhe alimentos muito comuns para transformá-los em sua carne e sangue no estado de vítima; por isso, ele também
ordena a seus discípulos que repitam, seguindo seu exemplo, as palavras que, por sua autoridade, realizarão essa mudança. Dessa forma, ele lhes dá uma participação delegada em seu sacerdócio.
A partir de então, os cristãos, cada vez que reproduzem esse gesto ou se associam a ele, "anunciam a morte do Senhor até que Ele venha" (1 Cor 11,26),
pois a presença sacramental que percebem é a de Cristo em estado de sacrifício. Fazem isso "em memória dele" (1 Cor 11,25; Lc 22,19), isto é, recordam com fé o seu ato redentor, ou talvez melhor, tornam-no presente à memória de Deus (Lv 24,7; Nm 10,9; Ec 50,16; At 10,4.31), como uma oferta infinitamente renovada que atrai a sua graça. Essa anamnese envolve a lembrança admirada e grata das maravilhas de Deus, a maior das quais é o sacrifício de seu Filho para obter a salvação da humanidade.
Uma maravilha de amor da qual participam unindo-se pela comunhão ao corpo do Senhor e, nele, a todos os seus membros (1 Cor 10,14-22). O sacramento do sacrifício de Cristo é a Eucaristia: o sacramento da caridade,
da união no corpo de Cristo.
[Ver texto original em Espanhol]