O milagre do sol foi documentado pelo jornalista Avelino de Almeida de “O Século”, que publicou uma reportagem sobre o acontecimento logo na segunda-feira seguinte, dia 15 de outubro de 1917.
“Ao alvorecer do dia marcado para a aparição em Fátima, 13 de outubro, a Cova da Iria estava gelada. Nuvens negras vinham do nordeste; uma neblina disforme, cortante e fria, soprava aqui e ali, A chuva implacável e persistente continuava a cair. Existem fotografias dos peregrinos reunidos para ver o prometido milagre da Mãe Santíssima. As fotos mostram um imenso mar de guarda-chuvas pretos. De manhã cedo, pelo menos cinqüenta mil pessoas haviam se reunido e logo esse número aumentou para entre setenta e noventa mil.” [pág. 206]
”Os videntes ajoelharam se no local. O meio-dia passou. A enorme multidão ficou impaciente e ameaçadora. Então as crianças indicaram que a Mãe Santíssima chegara. As mensagens foram transmitidas e as crianças relataram que um quadro de são José com o Menino Jesus lhes estava sendo mostrado. Ninguém mais via nada debaixo dos guarda-chuvas ouviam-se vaias e gritos. Os videntes disseram que a Senhora estava partindo. Ainda ninguém via nada. Ouviam-se gritos de "fraude" e "as crianças são loucas" Um murmúrio de desagrado foi crescendo no aguaceiro persistente. De repente, Lúcia disse que a Mãe Santíssima apontava para o sol por trás das nuvens turvas. A própria Lúcia apontou para cima. As nuvens se rasgaram no lugar apontado por ela Lúcia gritou: "Olhem para o sol!". Mas ela nem precisava ter mandado o povo olhar. Quando as nuvens se rasgaram, o sol apareceu como um grande disco de prata e a luz não feriu a vista de ninguém. Houve uma farfalhada de mais de cinqüenta mil guarda-chuvas sendo fechados. Todos os rostos se voltaram para cima, como se vê nas fotografias. Enquanto todos observavam, o sol começou a rodar a dançar a rodopiar rapidamente como uma gigantesca roda de fogo (as descrições variam). De repente o sol parou de girar. Esse fenômeno repetiu-se duas vezes. No terceiro giro do sol, sua borda adquiriu uma cor escarlate que espargia pelo céu chamas vermelhas que se refletiam nas colinas, nas rochas, nos rostos voltados para cima. Ouviram-se muitos gritos. Uma sucessão de feixes brilhantes irradiavam da borda do sol rodopiante: verde, vermelho, cor de laranja, azul, violeta, todas as cores do arco-íris. Os próprios feixes giravam, formando cascatas de luzes coloridas em toda parte e lá longe no horizonte. Muita gente caiu de joelhos em oração. O sol começou a tremer e depois, de repente, precipitou-se em direção à terra, descrevendo um ziguezague e aumentando de tamanho ao "chegar mais perto". Muitas testemunhas ficaram imobilizadas em estado de choque, mas a maioria caiu de joelhos, temendo a morte repentina, enquanto outras esforçavam-se para correr pelo chão lamacento. Então todos viram o sol, traçando o mesmo ziguezague, elevar-se a seu lugar de costume. Em alguns segundos, readquiriu o brilho natural, e agora feria a vista dos que tentavam olhar para ele. As nuvens sumiram. Estava um dia ensolarado, calmo e claro. Não havia um pingo de água nem de lama em parte alguma. De fato, havia poeira onde a lama havia estado e as galochas, botas, saias e calças de noventa mil pessoas estavam totalmente secas. O espanto e o silêncio eram profundos. Aí vieram as lágrimas e as aclamações. Vários repórteres e policiais incrédulos foram encontrados enfraquecidos, em estado quase comatoso. Disseram que "a alegria iluminava os rostos de todos" — pois o milagre prometido se realizara. Em 29 de outubro de 1917, fotografias dos rostos voltados para cima foram publicadas pelo jornal português Ilustração portuguesa e reproduzidas no mundo todo, com descrições do acontecimento. Centenas de testemunhas oculares foram entrevistadas — e a maioria contou quase a mesma história. Algumas nada viram, só perceberam que a lama desapareceu e, de repente e sem explicação, tudo ficou completamente seco. Os incrédulos explicaram que tudo isso era um caso de "histeria em massa". Mas quando depois se soube que o fenômeno fora visto e registrado por grupos independentes localizados até cinqüenta quilômetros longe de Fátima, os críticos incrédulos se calaram.” [pág. 207/209]