Para a cúpula judaica, era inconcebível que o Deus que os tirou da terra do Egito, que lhes deu a terra de Canaã e que foi profetizado com eloqüência por inúmeros profetas e louvado por diversos salmistas, estivesse diante deles representado por seu filho. O filho do Altíssimo não poderia estar na pele de um carpinteiro. Um carpinteiro que constrói objetos de madeira não poderia ser o enviado pelo Arquiteto do universo. Um galileu nascido em um curral e que cresceu em uma cidade desprezível, que não teve o privilégio de ser ensinado aos pés dos escribas e dos fariseus não poderia jamais ser o Cristo, o messias esperado há tantos séculos pelo povo de Israel. A história e os comportamentos de Jesus perturbavam a mente dos líderes de Israel. Eles olhavam para a sua aparência e para a sua origem e imediatamente o rejeitavam. Embora Isaías no capítulo 53 descrevesse com precisão cirúrgica, nos anos 740-680 a.C., portanto cerca de sete séculos antes da vinda de Jesus, os detalhes sociais e psicológicos do Cristo, a cúpula judaica sentiu aversão pelos seus comportamentos. [...] Se a cúpula judaica aceitasse Jesus como o Cristo, teria de se aproximar do povo, despojar-se de sua arrogância e fazer tudo o que ele fazia. Tinha de perdoar incondicionalmente, aceitar em suas mesas pessoas vis, tratar das feridas dos leprosos e ser complacente com pessoas socialmente não recomendadas. Tal atitude era inconcebível para os guardiões da moral.